A Cana de Açúcar: o alicerce brasileiro

Mesmo com a crise e mudanças no cenário industrial, o setor se mantém firme e em crescimento

Mariana Mesquita

Com a evolução da humanidade, a agropecuária se desenvolveu e se aprofundou, descobrindo novas técnicas que facilitaram o processo de produção, resultando no nascimento do agronegócio, que pode ser definido como todas as operações e transações envolvidas na agropecuária, desde o processo à distribuição.

Esse sistema foi a base econômica da grande história na terra, e um dos países que se destacou desde o início de sua economia no setor foi o Brasil, que com diversas culturas, mostrou sua força e apropriou-se do seu espaço no cenário internacional.

Uma das principais culturas que movimentam o agronegócio brasileiro está a cana de açúcar, matéria prima que é responsável pelos produtos primordiais que movimentam a economia do país, como o açúcar e o álcool.

Usina Diamante em Jaú/SP, que produz açúcar, etanol e energia. Foto por: Mariana Mesquita.

Usina Diamante em Jaú/SP, que produz açúcar, etanol e energia. Foto por: Mariana Mesquita.

Inserida no período colonial, sua produção deu início quando houve a necessidade de explorar uma parte do território, que ainda não tinha despertado o interesse econômico português. A sua escolha foi devido as condições climáticas favoráveis e o mercado europeu em alta.

A cana de açúcar se encaixou na história como uma grande alavanca na economia brasileira, tornando-a um firme alicerce do sistema econômico do período colonial entre os séculos XVI e XVII.

Desde então, ela tomou o seu espaço e hoje o Brasil é o maior produtor do mundo, sendo pioneiro em biocombustível e responsável por mais da metade da produção de açúcar comercializado do mundo.

De acordo com dados da Conab, a produção de cana de açúcar para a safra 2016-17 é de 684,77 milhões de tonelada, totalizando um crescimento de 2,9% referente ao ano anterior, o que demonstra um espiral ascendente quando se trata dessa cultura no território nacional.

Com isso, pode-se observar que a cana se mantém firme e em ascensão, com uma agroindústria que possui fatores ecológicos e mercadológicos ao seu dispor.

A conscientização ambiental por parte da população junto ao esgotamento das jazidas petrolíferas, também contribui no caso, pois faz com o que o petróleo seja substituído na produção de combustíveis, favorecendo a possibilidade da utilização do etanol.

Setor sucroenergético mantém-se em crescimento. Foto por: Mariana Mesquita.

Setor sucroenergético mantém-se em crescimento. Foto por: Mariana Mesquita.

Com um mercado crescente, o engenheiro mecânico e consultor industrial do grupo Virgolino de Oliveira, Guilherme Zanini, comentou que mesmo com a crise nacional que o país está passando, o setor não foi muito afetado, pois as commodities são negociadas em dólar, que com sua alta, compensou a diminuição do mercado interno. E falando especificamente do álcool, o mesmo disparou quando o governo parou de segurar o aumento do combustível.

A partir disso, analisando o cenário interno, observa-se um aumento de 65% da saca de açúcar (R$88,80 a saca) em comparação a 2015. Logo, o que equilibra a economia dessa cultura é a alta do mercado quando se refere às exportações. Conclui-se que, por mais que a crise tenha afetado em geral a economia brasileira, o setor canavieiro não sofreu muita influência, devido sua alta força no mercado externo.

Além disso, de acordo com dados da Conab, está ocorrendo um processo de baixo estoque mundial concomitante a abertura de novos mercados europeus, que está favorecendo o setor sucroenergético.

Juntando esse cenário, com áreas cultiváveis e condições climáticas favoráveis, a cana de açúcar torna o Brasil um líder de exportação, contribuindo diretamente na economia do país, sendo de grande importância no período de crise.

Referindo-se a instabilidade entre o mercado do etanol e sua possível estagnação com a oscilação da produção de açúcar, cresce os empreendimentos mistos (usinas que produzem açúcar, etanol e energia) fazendo com o que, atualmente, a produção seja direcionada ao que mercado pede.

Em entrevista com o Guilherme, o engenheiro afirma que esse cenário difere ao longo da safra, mas que atualmente pode-se calcular a média de 80% da produção voltada para álcool, versos 20% para o açúcar.

Além da economia, existem outros fatores que influenciam o setor, como novas regulamentações como a queima da cana de açúcar, processo que facilita a colheita manual, mas que prejudica o solo e colabora na poluição ambiental.

De acordo com dados da Agencia Emprapa de Informação Tecnológica, áreas mecanizáveis devem ter eliminação de até 80% até este ano e para áreas não-mecanizáveis até 20% em 2016.

Colhedora mecanizada em uma plantação de cana de açúcar. Foto por: Mariana Mesquita.

Colhedora mecanizada em uma plantação de cana de açúcar. Foto por: Mariana Mesquita.

Esses números estão estipulados na Lei da Queima da Cana (nº 11.241/2002), que ainda estipula diversas regularizações, como a proibição da queimada a um quilômetro do perímetro urbano ou de reservas/locais ocupados por indígenas, a 100 metros de locais de domínio de subestação de energia elétrica, a 50 metros de reservas, parques ecológicos e unidades de conservação, a 25 metros de áreas de domínio de estações de telecomunicação e a 15 metros de faixas de segurança de linhas de transmissão e distribuição de energia elétrica e de áreas ocupadas por rodovias e ferrovias.

Referindo-se ao setor, de acordo com o consultor Guilherme, a colheita manual com queima é 32% mais barata do que a sem esse processo, totalizando em números é $4,14 por tonelada de colheita com queima, versos $7,74 por tonelada de colheita sem queima. Logo, observa-se uma discrepância brusca de valores, mostrando claramente como afetou o setor.

Nesse cenário, a mecanização do processo e as modernidades do setor de produção agrícola favorecem o mercado, diminuindo o número de pessoas, consequentemente de gastos, para produzir o mesmo. Traduzindo em números, a colheita mecanizada cai para $3,06 por tonelada, 60% mais barata do que a colheita manual sem queima.

Além disso, existem outros destaques nesse aspecto que chamam atenção no setor sucroenergético, como a telemetria, que possibilita a medição do tempo da colheita, o computador de bordo e o foco nas manobras nos tratores. Fatores esses que diminuem o custo, aumentam a efetividade e agridem menos o solo.

Enfim, o agronegócio no setor da cana de açúcar caminha numa história de sucesso e alicerce econômico, e mesmo diante crises e modificações industriais, o mercado se mantém em alta, caracterizando uma economia firme e com grande responsabilidade da influência internacional brasileira.

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