ESPECIAL: “O MUNDO DE TIM BURTON”, EXPOSIÇÃO DO MUSEU DA IMAGEM E DO SOM DE SÃO PAULO

A exposição é uma viagem  por dentro da cabeça do artista, fotógrafo e escritor, para além do cineasta renomado Tim Burton

Lívia Reginato 

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Entrada da exposição (Foto: Lívia Reginato)

       Depois do sucesso das exposição temáticas dedicadas ao Castelo Rá-Tim-Bum e David Bowie no MIS – Museu da Imagem e do Som de São Paulo – a expectativa dos fãs do cineasta, escritor e artista plástico Tim Burton estava nas alturas com o anúncio de que o Museu seria o primeiro destino da exposição “O Mundo de Tim Burton” na América Latina.
Contudo, quem acompanhou a exposição do diretor em outros países, online ou presencialmente, vai ter uma experiência bem diferente do que esperava. A exposição original foi feita em 2009 no MoMA – Museu de Arte Moderna de Nova York e contou com cerca de 700 peças, entre elas peças como o figurino de Edward Mãos de Tesoura (1990) e outras obras de seus filmes mais famosos.
A mostra já esteve na América do Norte, Ásia, Europa, Oceania e desde 4 de fevereiro, até 15 de maio, permanecerá em São Paulo. Porém, ao sair do MoMa, a exposição foi adaptada para ser itinerária e foi se modificando ao passo que viajava pelo mundo – explicou Gabrielle Araujo, produtora e responsável pela exposição no MIS, para o site Glamurama da Uol.

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Ala da Alegria – o escorregador fica ao fundo atrás das escadas. No centro, Boneco inflável de 6 metros de altura do Menino-Balão (Foto: Letícia Godoy/MIS/Divulgação)

       A produtora ainda lembra que o MIS tem uma característica de reconceitualizar as exposições que recebe. Assim, no processo de criar uma experiência singular em São Paulo, o foco escolhido foi mostrar como funcionava o processo criativo do cineasta e seu trabalho além das câmeras. O Mundo de Tim Burton, em São Paulo possui cerca de 500 obras, sendo que 150 obras não estavam nas exposições anteriores.
Afim de deixar “O Mundo de Tim Burton” mais intimista, o próprio diretor junto com a curadoria da exposição retirou vários itens da mostra, justamente as obras mais “famosas” como os figurinos Batman (1989) que estão em algumas fotos do MoMa na internet, e adicionou outros para criar uma atmosfera mais pessoal e inédita, trazendo também peças que não foram feitas para serem vistas em sua idealização como desenhos feitos em cadernetas pessoais.
Segundo o site do Museu: “A mostra reúne itens raros como esboços, pinturas, storyboards e bonecos que fizeram parte da filmografia do cineasta, além de trabalhos pessoais não realizados”. Infelizmente fotografias não são permitidas, por muitas das obras não serem nem assinadas, uma questão de direitos autorais.

A exposição

       Para entrar no universo de Tim Burton, a exposição foi montada como se o público pudesse mergulhar dentro do corpo do artista. Por isso, a porta da frente é a boca de sua caricatura. Ao entrar, você se depara com um dos espaços inéditos da exposição, feitos especialmente para o MIS. Essa sala representa a garganta do artista, onde você encontrará suas referências, montada a partir de uma lista feita por Tim Burton. Entre os itens estão filmes como King Kong (1976) e Frankenstein (1931), e obras de arte como A noite estrelada, de Vincent van Gogh e uma foto de Edgar Allan Poe.
Depois da garganta, o visitante subirá as escadas para o cérebro do artista, onde encontrará várias salas destinadas a emoções, projetos não terminados ou pessoais como uma série de super-polaroides, ou até obras que não vingaram como o manuscrito do livro infantil The Giant Zlig, escrito por Burton aos 18 anos, e rejeitado pela Disney – obras nunca antes vistas ou raramente exibidas e peças referentes às suas produções cinematográficas mais pessoais como Os Fantasmas se Divertem (1988) e O estranho Mundo de Jack (1993).

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Foto da sala de uma das salas que representam emoções de Tim Burton – “Ala do Horror” (Foto: Letícia Godoy/MIS/Divulgação)

          Tim Burton acompanhou idealização da exposição brasileira e também esteve por aqui para divulgar a exposição. Durante uma coletiva de imprensa promovida pelo MIS, Tim declarou que se sentiu em casa no Brasil e que apesar de ser estranho ter trabalhos, que nunca deveriam ser vistos, sendo expostos, a forma como foi feito, tornou tudo mais confortável e que o modo inédito como a exposição foi montada no Brasil deverá se repetir. Além disso, ele elogiou a produção do Museu por inovarem: “Quero agradecer por terem feito a exposição como uma casa maluca. É como se fosse dentro de um parque de diversões, com escorregador. É a primeira exposição que vejo que tem um. Agora quero que sempre tenha o escorregador”.

O que esperar

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Julia Moraes (21), que trabalha no ramo da moda, foi ao MIS no domingo dia 06/03 e disse que esperava mais da exposição, mas que na verdade teve uma ideia errada: “Eu não sabia que era voltado aos desenhos, para mostrar esse lado do Tim. Também esperava por um número maior de obras. Eu fui na do Kubric, que tinha figurinos, cada lugar uma temática diferente, e esperava algo parecido do Mundo de Tim Burton. Mas achei legal, apesar de não ser o que eu esperava” (Foto: Lívia Reginato)

       A monitora da exposição Karoline Dantas, explicou para o WebJornal que o público geralmente tem uma ideia diferente do que irá apreciar na exposição: “as pessoas vêm com uma expectativa que a exposição está muito focada nos filmes específicos do Tim, então esperam  um material muito longo da Fantástica Fábrica de Chocolate, por exemplo, os figurinos dos personagens”. Ela atribui a confusão à alta expectativa levantada pela mídia em geral em torno das exposições: “o ideal é você pegar a informação no site e facebook do museu. Alguns veículos criam expectativa ou exageram nas informações, às vezes até equivocadas”.
Karoline comenta que quando o público chega ao museu se depara com uma exposição mais do processo criativo do Tim Burton, ele como um artista plástico. Tanto que é possível encontrar desenhos pessoais do artista, entre outras produções interessantes como o corredor que exibe desenhos feitos por Tim em guardanapos de restaurantes, bares e hotéis pelo mundo. “São desenhos de personagens que ele cria diariamente, então você consegue ver um processo criativo do artista para além de um cineasta, quando o público entra aqui, ele consegue identificar isso”, conclui.

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Ala da Angústia – uma das emoções mais presentes no trabalho de Tim Burton, é através de suas obras que o artista expõe suas emoções (Foto: Letícia Godoy/MIS/Divulgação)

       Ao final da exposição você pode encontrar um desenho feito por Tim Burton para expressar o sentimento de participar daquela experiência. Ele frisou na coletiva de imprensa que: “O processo criativo é o mais importante da vida de qualquer um. Essa mostra serve para inspirar o lado artístico de pessoas que, assim como eu, não se consideram grandes artistas ou cineastas. Desenhar sempre foi uma maneira, para mim, de explorar meus próprios sentimentos porque sempre tive problemas para me comunicar”. Assim, a exposição é um jeito de ficar mais próximo de um dos cineastas mais relevantes da atualidade e ainda conhecer o lado que o próprio considera mais importante do que estar atrás das câmeras.

O Público

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Há a possibilidade de adquirir lembrancinhas exclusivas da exposição como chaveiros, lápis, bottons, bloco de anotações e cartões postais no Quiosque da Exposição do lado de fora do MIS (Foto: Lívia Reginato)

       A monitora, Karoline, explica que o público da exposição é diverso, mas oscila nos dias de semana com: “presença de estudantes de cinema, de audiovisual, artistas” e até um pessoal que ela denomina como “gótico” e se identifica com o universo e estilo de Tim Burton. Enquanto aos domingos, por exemplo, há: “mais famílias e crianças que, inclusive, se interessam pelos desenhos e personagens e ficam impressionados com as obras”.

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Uma inovação do museu foi também disponibilizar wi-fi para os visitantes acompanharem a exposição ouvindo playlists exclusivas no aplicativo Spotify, criadas pelo próprio Tim Burton. O usuário e senha do wi-fi estão disponíveis em um painel próximo à entrada da exposição (Foto: Lívia Reginato)

       Ela esclarece que diferente da exposição do Castelo-Rá-Tim-Bum, O Mundo de Tim Burton: “é outra coisa, sem aquela impressão de megaexposição, de superlotação, tudo… No Castelo, era um público mais nostálgico que assistiu e acompanhou o programa. O púbico da geração criada na década de 90, o que é muita gente, mas com certeza um público diferente”.

Como participar

     Karoline dá a dica: “você consegue entrar, é só tentar”. O público pode ir mais despreocupado, pois há lugar para todo mundo, longe das grandes filas enfrentadas da exposição do Castelo Ra-Tim-Bum. Uma roupa confortável é recomendável para aproveitar a experiência por completo e escorregar, literalmente, para a recriação do universo de Tim Burton.

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Ala do Humor – também uma importante faceta do mundo macabro de Tim Burton (Foto: Letícia Godoy/MIS/Divulgação)

Serviços

       A exposição ficará no MIS até 15 de maio de 2016. O Museu da Imagem e do Som (MIS) que fica na Avenida Europa, 158; Jardim Europa, São Paulo. Os horários de visitação são 11h às 20h (terça a sexta-feira), 9h às 21h (sábados), e 11h às 19h (domingos e feriados).
Há vendas pela internet no Ingresso Rápido, mas também nas bilheterias de domingo, terça e a partir de dia 11/03 ás sextas-feiras. Sendo que nas terças-feiras a entrada é franca, com limite de ingressos por dia de acordo com o horário de funcionamento da exposição e a lotação do espaço. E nos demais dias: R$12 inteira, R$6 meia e crianças até 5 anos não pagam e o limite é de 04 ingressos por pessoa. Para mais informações ligue: (11) 2117 4777 ou acesse o site do MIS.

O MIS para além das grandes exposições

       A monitora Karoline Dantas, ao fazer a apresentação de abertura ao público que irá apreciar o Mundo de Tim Burton e também na entrevista frisou que “existe MIS para além das exposições famosas também”. Ela explica que acha importante que as pessoas compareçam às exposições com maior visibilidade, mas que não se limitem a isso, pois o Museu é focado em cinema, fotografia, televisão e rádio, e tem muito mais a oferecer.
O Museu também proporciona cursos em diversas áreas como cinema, fotografia, artes plásticas, tanto teóricos como práticos, geralmente de curta duração, ministrados por profissionais referências em suas áreas de atuação. Atualmente, os destaques nessa frente de atuação são: “O cinema de Tim Burton”, “Curso completo de fotografia” e “As facetas mágicas de Tim Burton”.
Além dos cursos, o MIS possui um acervo muito bem cuidado, com “peças raras como máquinas fotográficas antigas” – contando com mais de 200 mil itens: são fotografias, filmes, vídeos, cartazes, peças gráficas, equipamentos de imagem e som e registros sonoros, além dos livros, catálogos, periódicos, CDs, DVDs e VHS que formam o acervo biblioteconômico.
E, claro, há também outras exposições e projetos muito promissores como o Maio Fotografia destinado a exibir o trabalho de novos fotógrafos. Para mais informações acesse o site do Museu.

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