Zika: Entenda mais sobre a doença e sua origem

O vírus transmitido pelo mosquito Aedes Aegypti tem relação com aumento no número de casos de microcefalia no Brasil.

Camila Gabrielle

Todo vírus é um parasita intracelular obrigatório, ou seja, sobrevive apenas dentro da célula de algum hospedeiro (animais e ser humano) e pode causar doenças ou até a morte. Não é a toa que a palavra vírus vem do latim, e significa fluído venenoso ou toxina. Além disso, esses organismos utilizam animais como vetores para alcançar um hospedeiro, um exemplo é o mosquito Aedes aegypti, conhecido por muitos brasileiros no que se refere a transmissão do vírus da dengue e da febre Chikungunya.

Porém, esse mosquito também serve de vetor para outro vírus, que atualmente não sai dos principais assuntos debatidos pela mídia brasileira por sua relação com o aumento de casos de microcefalia no país, o Zika Vírus. O Ministério da Saúde divulgou no fim do último mês que foram registrados mais de 4 mil casos suspeitos de microcefalia relacionados com o Zika. Por enquanto 462 descartados e 270 confirmados. Essa é a primeira vez que esse vírus chama tanta atenção, no entanto, seu surgimento não é recente.

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Comparado com a Dengue os sintomas da Zika são brandos (Foto: Pixabay)

Em 1947, o Zika teve sua primeira aparição em macacos na Uganda, no continente africano. Sete anos depois foram confirmados os primeiros casos da doença em humanos na Nigéria. O Ministério da Saúde afirmou que provavelmente a doença tenha chegado ao Brasil durante a Copa do Mundo de 2014. A pessoa entra infectada no país, o mosquito ao picá-la acaba contraindo o vírus e pode transmitir a doença a outras pessoas. Além disso, espalha para seus filhotes, que também se tornam vetores do vírus.

No Brasil, os primeiros casos apareceram na Bahia e no Rio Grande do Norte. A doença inicialmente não preocupava tanto ao Ministério da Saúde porque os sintomas são considerados brandos. A pessoa apresenta febre considerada baixa (entre 37,5° C a 38,5° C), coceira e manchas avermelhadas pelo corpo. O vírus só começou a ser visto como uma ameaça quando o número de crianças que nasciam com microcefalia começou a aumentar absurdamente. Então iniciaram-se estudos na tentativa de relacionar o Zika à doença.

Ela é incurável e ocorre quando há uma falha no tempo de desenvolvimento do cérebro e da caixa craniana durante a gestação. Como consequência, a expectativa de vida dos afetados é reduzida e esses podem apresentar atraso mental, dependendo de um tratamento com fonoaudiólogo, terapeuta ou de fisioterapia.

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Autoridades de outros países alertaram os riscos de gestantes viajarem ao Brasil (Foto: Public Domain)

Segundo a Pediatra e Neurologista Infantil, doutora Niura Padula, é correto relacionar o Zika com a Microcefalia. O vírus atravessa a placenta e acaba atingindo o bebê. A mulher que já teve dengue não está imunizada contra o Zika, mesmo ambos os vírus sendo transmitidos pelo mesmo mosquito. “São doenças que embora parecidas nos sintomas, são diferentes na origem dos agentes. Portanto a dengue só tem mesmo em comum com o Zika o fato de ambas usarem o mesmo mosquito como vetor”, conclui a doutora.

“O sistema nervoso central (SNC) inicia a sua formação muito precocemente na gestação, em questão de dias. Assim, até mesmo antes que a mulher saiba que está grávida, o SNC do feto já está sendo formado e, portanto, exposto aos problemas do ambiente materno. A mulher que deseja engravidar já deve iniciar a preocupação com esse ninho”, argumenta a doutora.

A especialista também orienta evitar lugares endêmicos, colocar telas nas janelas, usar repelentes, e cobrir o máximo possível o corpo ao sair de casa, além de parar de “beber, de fumar, tomar ácido fólico, pois isto evita malformações de medula e encéfalo, entre outros cuidados”

Para mulher grávida que desejar saber se está contaminada com o vírus é necessário fazer um exame laboratorial, o RT- PCR. Os sintomas tanto na gestante como em qualquer outra pessoa são os mesmos. De modo geral, o melhor método a ser tomado é de eliminar o mosquito transmissor: o Aedes aegypti, e para isso a população precisa se conscientizar.

O mosquito deposita seus ovos em locais com água parada. Portanto, é essencial eliminar possíveis focos de reprodução do mosquito, como garrafas, tampinhas, pneus,  vasilhames de plantas expostos ao acúmulo de água parada. Todas as mídias que abordam o assunto do mosquito Aedes aegypti  ressaltam sobre a importância de se conscientizar e de fato , isto não é um clichê . A sociedade tem um papel fundamental aliado com o poder público ao combate ao Zika.

Edição: Victor Pinheiro

Pauta: Bianca Furlani

 

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