Reino Unido realiza ataque em área controlada pelo Estado Islâmico

Primeiro-ministro britânico afirma que a operação preserva a segurança do país

Luís Henrique Negrelli

Caças do Reino Unido bombardearam um campo de petróleo controlado pelo Estado Islâmico (EI) na Síria, no dia quatro de dezembro. Esse foi o segundo ataque do tipo efetuado pelos britânicos no país. As ações foram realizadas dois dias após o Parlamento britânico aprovar a expansão dos bombardeios do Reino Unido para a Síria – eles já participavam dos ataques contra o EI no Iraque.

Os primeiros ataques executados pelo Reino Unido na Síria foram na madrugada do dia três de dezembro, horas depois da aprovação no Parlamento por 397 votos a favor e 223 contra. Tanto no primeiro quanto no segundo ataque, as aeronaves bombardearam o campo de petróleo de Omar, no leste do país. As duas missões tiveram o objetivo de prejudicar os lucros do EI com o petróleo, de acordo com o Ministro da Defesa britânico, Michael Fallon. O primeiro-ministro, David Cameron, disse que o campo é utilizado para financiar operações do grupo contra o ocidente.

LUIS HENRIQUE Reino Unido realiza ataques contra área controlada pelo Estado Islâmico - Imagem

Aviões decolaram da base britânica no Chipre em direção ao leste da Síria. (Créditos: Darren Staples/Reuters)

Cameron é autor do projeto aprovado pelo Parlamento sobre a Força Aérea Britânica passar a bombardear o EI em território sírio. O premiê afirmou que o objetivo dos ataques é responder a convocação dos seus aliados e trabalhar em conjunto com esses países. Anteriormente, a colaboração britânica nas operações contra o grupo radical se dava apenas em setores de inteligência e logística, segundo o jornal El País.

“Do ponto de vista formal, a entrada do Reino Unido responde a um pedido do presidente francês François Hollande ao primeiro-ministro britânico”, relata José Augusto Zague, doutorando em Relações Internacionais pelo Programa de Pós-Graduação San Tiago Dantas. Para Zague, a decisão também possui um objetivo de “alcance psicológico”, a fim de mostrar à população que os britânicos não estão inertes frente ao terrorismo. “Londres já foi alvo de atentados terroristas”, acrescenta.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, comemorou a aprovação do Parlamento britânico. Obama destacou que a relação entre os dois países se baseia no compartilhamento de valores e do compromisso com a paz e a segurança. O governo francês também recebeu a confirmação dos ataques britânicos na Síria de forma positiva. A França enxerga a ação como forma de solidariedade aos ataques de 13 de novembro em Paris.

O Reino Unido faz parte da coalizão liderada pelos Estados Unidos que realiza ataques contra o Estado Islâmico. A aliança também é formada por França, Alemanha, Catar, Arábia Saudita e Turquia. As operações têm por objetivo destruir a estrutura do grupo. A Rússia não faz parte da coalizão, mas realiza bombardeios de modo independente na Síria. O governo russo apoia o presidente sírio, Bashar al-Assad, enquanto os Estados Unidos e seus aliados se opõem ao seu governo.

Na opinião de Zague, depor o presidente sírio e substituí-lo por um líder alinhado aos ideais estadunidenses pode significar para os Estados Unidos um maior controle de uma área estratégica dominada pelos russos. “Para a Rússia, o conflito significa manter a influência sobre a Síria e manter a base militar que possui na região, o que tem grande significado para a geopolítica mundial”, explica.

De acordo com Cristina Carvalho Pacheco, doutora em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o Reino Unido é um aliado histórico dos Estados Unidos e por esse motivo “não é de se estranhar que tenha se juntado ao grupo” que realiza bombardeios aéreos na região da Síria.

Pacheco ainda diz que as consequências dos ataques são paradoxais. Segundo ela, em relação ao caráter humanitário, as operações acarretam situações “desastrosas” para a população local. “Já do ponto de vista econômico e político, infelizmente, permitem a reconstrução estrutural da região, o que pode trazer riqueza para alguns conglomerados internacionais”, declara.

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