Nosso relacionamento é perfeito: Ele só precisa existir

O amor platônico não deve ser visto como uma doença, mas apenas com uma etapa da vida que nem sempre é a adolescência

Thais Viana

“Ela olha para mim, eu estremeço. Penso em dizer alguma coisa, faltam palavras. Ai, aquele cabelo que ela insiste em tirar da frente do rosto, aquela ponta da língua que ela passa nos lábios. Se ela soubesse o que eu sinto, faria esses gestos com menos frequência. Ela se aproxima, meu coração dispara. Escrevo, reescrevo: spotteds, tweets, indiretas nas redes sociais, inboxs, whatsApps. Apago. E se ela desconfiar? De que adianta? E se ela achar estranho? E se ela se afastar? Será que ela já reparou em mim? Será que ela me acha bonitx? Rabisco, desenho, apago, amasso, rasgo, queimo. Ninguém pode saber. Mas e se ela quiser? Pior, e se ela nem souber que eu existo? Melhor deixar assim como está. Talvez um dia. Porque ela ia querer ficar comigo mesmo? E se ela? … E se nós um dia fossemos amigxs? Talvez ela goste das mesmas coisas que eu. Quem sabe iriamos naquele show juntxs. Eu falaria do que eu gosto, poderíamos nos beijar, ela falaria das coisas dela, seríamos perfeitxs juntos. Eu seria apenas mais um admiradxr.”

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O amor platônico é desenvolvido quando a pessoa acredita que o seu “objeto” de amor é inatingível. (Crédito: Pixabay)

Se você já passou ou passa por esses diálogos internos e dramas diariamente, provavelmente sabe o que é o amor platônico. Esse tipo de amor foi originado das ideias do filosofo Platão, mas, apesar dele ser usado como referência, o amor platônico atual não tem a ver com o que ele descreveu em sua obra “O Banquete” do séc. IV a.C em que descreve as diferentes maneiras de entender e praticar o amor.

A doutora e professora Raquel Leal Pinheiro descreve este sentimento como o “amor que acontece na imaginação da pessoa e não na realidade, ou seja, a pessoa acredita estar perdidamente apaixonada por outra pessoa e este amor não é correspondido. Existe a idealização do outro que provoca este sentimento tão intenso”.

O amor platônico está comumente associado a adolescência, mas ele pode surgir em qualquer fase da vida. Geralmente ele é desenvolvido por “pessoas que se apaixonam por alguém que, muitas vezes, nem tem proximidade física, apresentam, com frequência autoestima rebaixada e auto avaliação baseada em crenças irracionais de sua capacidade de ser amada”, explica Raquel.

Ter um amor platônico é totalmente comum, desenvolvemos eles com “alvos” que admiramos como professores, ídolos, pessoas mais velhas e amores impossíveis. Tudo isso faz parte de nossa idealização do que deveriam ser os relacionamentos amorosos e como gostaríamos de agir e ser vistos pelo objeto de amor. Acreditamos que o ser amado tem aquilo que precisamos e por vezes nos refugiamos neste amor imaginativo para fugir das decepções que uma relação verdadeira poderia trazer.

Fique ligado

É importante saber que o amor platônico precisa ser resolvido em alguns casos, pois a pessoa pode ter dificuldades para desenvolver um relacionamento no plano real. A doutora Raquel explica que, “O tratamento psicológico é excelente ferramenta para lidar com este problema se a pessoa envolvida acreditar que é um problema para ela. Infelizmente, a sensação do amor platônico é muito prazerosa e não sujeita aos conflitos de um relacionamento normal. Portanto, a pessoa pode não procurar terapia porque seu sentimento é agradável e mantém a fantasia de um amor perfeito”.

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