Primeiro-ministro da Grécia se reelege após renunciar ao cargo em agosto

Alexis Tsipras se reelege com apoio da maior parte da população em meio a uma crise econômica

Bianca Moreira

Alexis Tsípras assumiu pela segunda vez em oito meses o cargo de primeiro ministro da Grécia após as eleições do dia 20 de setembro. A participação eleitoral grega foi uma das mais baixas da história democrática: aproximadamente 54% frente a 63,6% de participação em janeiro deste mesmo ano.

Com a reeleição de Tsíapras, com 35% dos votos, o partido Syriza pode manter sua representatividade. Somando os votos obtidos por ele e os da Direita Nacionalista dos Gregos Independentes (ANEL) obtém-se um total de 155 cadeiras no parlamento (quatro a mais que a maioria absoluta). Esse número é suficiente para formar um governo que sustente o terceiro memorando, que implica duros cortes, aumento de impostos e novas privatizações.

Segundo o doutor em História Econômica pela Universidade de São Paulo (USP), Luiz Eduardo Simões de Souza, a vitória de Tsípiras “é o reconhecimento pelo trabalho da esquerda grega no sentido de preservar o povo grego da voragem da Troika. Não há ‘segunda chance’, e sim a continuidade de um bom trabalho”.

 Em meio à maior crise econômica da história da Grécia, Alexis Tsipras foi eleito novamente primeiro-ministro após renunciar em agosto deste ano. (Créditos: Milos Bicanski- Getty images)

Em meio à maior crise econômica da história da Grécia, Alexis Tsipras foi eleito novamente primeiro-ministro após renunciar em agosto deste ano. (Créditos: Milos Bicanski- Getty images)

O Syriza prometia enfrentar a Troika, uma cooperação do Banco Central Europeu, do Fundo Monetário Internacional e da Comissão Europeia. Além disso, prometia acabar com a austeridade e diminuir privatizações, a converter-se após uma série de concessões do partido no terceiro memorando, medida que permitirá a permanência da Grécia na zona do euro. Por conta disso, durante seu governo, o primeiro-ministro grego tinha perdido sua maioria parlamentar e vinha governando com os votos da oposição, os partidos Nova Democracia, To Potami e Pasok. Os setores mais críticos romperam com o Syriza e formaram o partido Unidade Popular.

Para o doutor em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Ramiz Maddi Filho, o destino do país será abandonar o euro e buscar um acordo para a permanência na Comunidade Econômica Europeia com uma moeda própria. Acrescenta ainda que apesar das dificuldades as novas propostas de Tsípras pode ter algum saldo positivo. O caso da Grécia na comunidade europeia no momento é único, o que poderá ser uma vantagem, com muitos acordos e considerações, permitindo um campo de manobra mais extenso do que o que ocorria na primeira tentativa”, explica.

A renúncia de Alexis Tsípras em agosto deste ano e o chamado das eleições antecipadas foi uma estratégia para se fortalecer e encabeçar um governo mais estável para levar adiante o ajuste. Segundo Ramiz Maddi Filho, a medida adotada por Tsipras foi “uma esplêndida e calculada manobra política tal renuncia após somente oito meses de governo, com uma intenção de simples reagrupamento e reenergização de força política”.

 O quadro político atual é um reflexo direto da crise grega que teve início com a recessão, seis anos atrás, em 2009, quando o movimento socialista (Pasok) cederam a uma política econômica de austeridade imposta pela chamada Troika. Assim, obtiveram 110 bilhões de euros em 2010. Déficits públicos, desemprego, pobreza, queda de produtividade foram as consequências mais diretas no plano econômico. A taxa de juros tem sido mais elevada do que a de crescimento.

Essa situação econômica fez com que o partido de esquerda, Syriza, ganhasse força com suas propostas progressivas nas eleições de janeiro de 2015. Maddi ressalta que os poucos meses de governo demonstrou que os representantes da União Europeia não precisariam ter tenta preocupação. “Como se trata de uma esquerda porém democrática, a Comunidade Europeia não se preocupa muito com isso, tanto que os entraves nesse sentido têm sido muito poucos. E a coalizão com a direita soberanista, tece uma linha de prioridades partindo da recuperação econômica e a acolhida de migrantes”, destaca.

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