VITÓRIA ROCK: ORIGINALIDADE, “BATE CABEÇA” E MUITO ROCK’N ROLL

Secretaria Municipal da Cultura de Bauru promove nova edição do Vitória Rock

Danilo Lysei

No último domingo (20), aconteceu mais uma edição do projeto “Vitória Rock” em Bauru. Utilizando do fim da tarde de muito sol e calor, e de uma noite mais que agradável, as apresentações tiveram duração das 17h até, aproximadamente, às 21h30. Organizado e promovido pela Secretaria Municipal da cidade, o evento foi sediado no Anfiteatro Vitória Régia, famoso cartão postal de Bauru, onde é comumente apresentado.

Com a entrada gratuita e apresentações de bandas autorais, a edição atraiu um público bem diversificado e de todas as gerações, desde amantes do estilo musical até interessados em conhecer o som. (Foto: Danilo Lysei)

Com a entrada gratuita e apresentações de bandas autorais, a edição atraiu um público bem diversificado e de todas as gerações, desde amantes do estilo musical até interessados em conhecer o som. (Foto: Danilo Lysei)

O Vitória Rock acontece mensalmente e permite essa possibilidade de apresentação de bandas autorais de rock de Bauru e da região interiorana. A Secretaria Municipal da cidade que, em resposta às exigências do público bauruense, procura entrar em contato com as bandas e financiar a produção de shows desse estilo musical, através do intermédio de empresas locadas para proporcionar a iluminação, estrutura e instrumentos. Divulgado pelo Facebook, o evento contou com a confirmação de aproximadamente 2.000 pessoas. Fora o fato de o projeto sempre manter uma constante inovação e amadurecimento frente às edições passadas.

A agente cultural da Secretaria Municipal de Cultura de Bauru, Jaqueline Gomes de Andrade, representando o órgão público e substituindo o representante geral, estava presente na edição. Ela explicou que o projeto está em reformulação para resolver alguns problemas que ocorriam nas apresentações anteriores, como brigas e uso de drogas por parte de alguns presentes nos shows, e para que continue seguindo o seu foco principal: disseminação da cultura musical e divulgação de bandas autorais. “Procuramos viabilizar para que eles mesmos (as bandas) estejam criando seu trabalho”, enfatiza ela.

“A seleção das bandas que irão se apresentar ocorre através da análise de currículos, discos e DVDs, que recebemos pelas inscrições”, diz Jaqueline Gomes, agente cultural. (Foto: Danilo Lysei)

“A seleção das bandas que irão se apresentar ocorre através da análise de currículos, discos e DVDs, que recebemos pelas inscrições”, diz Jaqueline Gomes, agente cultural. (Foto: Danilo Lysei)

O evento, os shows e o público

A noite, prevista para quatro apresentações (Sociopata, Orckout, Siod e D.I.E), foi marcada por apenas três shows de bandas autorais. O motivo da ausência de duas bandas (Sociopata e Siod) e a substituição por uma (Frost Valley) foram esclarecidos no evento. E, com um repertório que absorve desde o underground até o rock hardcore, os shows proporcionaram um ambiente agitado e descontraído.

A banda Orckout, primeira a se apresentar, trouxe ao público presente muito metal e som pesado. O grupo, construindo sua trajetória desde 2004 e passando por várias substituições, é formado hoje por Jucke (Vocal e Baixo), Gutaum (Bateria), Éder (Guitarra) e Tato (Guitarra). Os integrantes, alguns de Barra Bonita e outros de Bauru, procuraram costurar um estilo musical, no qual suas composições instiguem ao público as variadas reflexões perante o cotidiano.

Com dois álbuns já lançados, Involution (2006) e [D]Generation (2011), Orckout absorve influências de bandas como Metallica, Slayer, Machine Head e Sepultura. (Foto: Danilo Lysei)

Com dois álbuns já lançados, Involution (2006) e [D]Generation (2011), Orckout absorve influências de bandas como Metallica, Slayer, Machine Head e Sepultura. (Foto: Danilo Lysei)

Os integrantes da banda apontam estarem lutando pelo espaço do rock no contexto do crescimento das bandas autorais. Jucke, que já se apresentou em uma edição do Vitória Rock há 28 anos, com a banda Overthrash, acredita que, mostrando o seu próprio trabalho e o que o grupo sabe fazer, acaba incentivando bandas que ainda trabalham com o cover. Para ele, esse incentivo na cidade “contribui e estimula para que outras bandas surjam também”.

Já a banda Frost Valley, convidada inesperadamente para o evento, mas com uma postura mais que presencial, assumiu o segundo bloco do Vitória Rock com melodias próprias e alguns covers, destacando-se pela energia dos “bate-cabeças” e das “rodas-punk”, geradas na plateia jovem. Fundada em 2008 e com êxito em 2010, o grupo é integrado por Yuri (Vocal/Guitarra), Rodrigo (Guitarra Solo), Bruno (Baixo) e Fuscão (Bateria). Estando pela primeira vez no projeto, a banda, que já se apresentou em festivais em cidades da região, diz ter gostado muito do evento pelo fato de haver bastante público.

“O festival em Bauru serve para quebrar a rotina, as ‘panelinhas’ em si da cidade”, diz Rodrigo, guitarrista solo da banda Frost Valley. (Foto: Danilo Lysei)

“O festival em Bauru serve para quebrar a rotina, as ‘panelinhas’ em si da cidade”, diz Rodrigo, guitarrista solo da banda Frost Valley. (Foto: Danilo Lysei)

O fechamento da noite, no palco Vitória Rock, foi proporcionado pela banda D.I.E., já veterana nas apresentações do evento. Com a carreira iniciada em 2010, por encontro de dois amigos a fim de fazer um som rápido, buscam espaço junto de grandes bandas do cenário nacional. Originários de Botucatu, interior paulista, hoje compõe a banda: Charles Guerreiro (Vocal), Hell Hound (Guitarra), Roger Vorhees (Baixo) e Mortiz Carrasco (Bateria), que assumiu para si pseudônimos para a nomeação dos integrantes, já que se apresentam mascarados.

A banda D.I.E., hoje assumiu o papel de micro empresa, com CNPJ e autossuficiência em produção, “já que trabalham com outras coisas também”, fora o som, comenta o grupo. (Foto: Danilo Lysei)

A banda D.I.E., hoje assumiu o papel de micro empresa, com CNPJ e autossuficiência em produção, “já que trabalham com outras coisas também”, fora o som, comenta o grupo. (Foto: Danilo Lysei)

Fazendo um som marcante e pesado, o D.I.E. procura atrelar às suas composições, enfoques tanto sociais e políticos, quanto cultural e religiosos, incorporando um caráter mais crítico ao rock. Eles acreditam que o projeto feito pela Prefeitura é importantíssimo, por proporcionar espaço para bandas autorais. Na visão deles, o Vitória Rock salienta esse “nicho cultural que não tanto acesso pelo poder público”. O grupo termina revelando a vinda de um videoclipe futuramente.

Em esclarecimento, a banda Sociopata, que não pode se apresentar, mas compareceu presencialmente para dar satisfação ao público, esteve presente na arquibancada do Anfiteatro. Os integrantes contaram um pouco de sua história e trajetória e pontuaram o Vitória Rock, ao qual participaram em 2014, como um meio de “mostrar que existem bandas boas aqui (Bauru e região)”.

Com muita familiaridade, mas com pequenos alvoroços em seu decorrer, o Festival teve seu fim com agradecimento mútuo do público e das bandas. Kelita Souza, 33 anos, moradora de Bauru, afirma admirar a ação da Secretaria de propor esse evento. “Para quem curte rock, o Vitória Rock é muito importante. As bandas são sempre boas, tanto autorais, quanto covers, o que mostra a cena muito forte do rock em Bauru”, termina ela, que já acompanhou a outras edições.

Para os ambulantes presentes, como Valdecir, 51 anos, que conta com dois pontos gratuitos para estacionar seu trailer no parque Vitória Regia, os eventos são muito bons para o comércio e melhores ainda para a cidade. Para ele, o Vitória Rock traz um “povo sempre mais educado”. Ele, que trabalhara com a venda de churrasco, pasteis, crepe e batata frita, elogia o posicionamento de apoio da Prefeitura Municipal e a diversão cedida ao povo gratuitamente. “São um dos melhores shows”, finaliza ele.

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