Discussões entre Venezuela e Colômbia tiveram participação de chanceler brasileiro

O Ministro das Relações Exteriores do Brasil foi enviado para mediar atrito na fronteira entre os países

Luís Henrique Negrelli

​No dia 5 de setembro, Mauro Veira, Ministro das Relações Exteriores do Brasil, foi enviado pela presidente Dilma Rousseff para a Venezuela. No país, o Ministro se reuniu com o vice-presidente venezuelano, Jorge Arreaza, que recebeu também o chanceler argentino, Héctor Timerman. O objetivo da viagem foi acompanhar a situação na fronteira do país com a Colômbia e estabelecer um diálogo a fim de contribuir para a solução dos problemas humanitários e econômicos da região.

A origem do conflito entre os dois países teve início no dia 20 de agosto, quando Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, solicitou o fechamento de um trecho da fronteira com a Colômbia.   O principal motivo para essa ação teria sido um ataque que feriu um civil e três membros da Força Armada Venezuelana que realizavam uma operação de combate ao contrabando na fronteira. Maduro culpou contrabandistas e paramilitares colombianos pela ação. De acordo o governo venezuelano, o fechamento de setores da fronteira visa acabar com a criminalidade, o narcotráfico, o contrabando e o paramilitarismo na região. Além dessa medida, o governo também deportou mais de mil colombianos de seu território.

Colombianos deportados e famílias com receio de expulsão cruzam o rio Tachira na volta à Colômbia. (Créditos: AFP Photo/Luis Acosta)

Colombianos deportados e famílias com receio de expulsão cruzam o rio Tachira na volta à Colômbia. (Créditos: AFP Photo/Luis Acosta)

O governo da Colômbia demonstrou ser contra as deportações feitas pelo país e disse que irá denunciá-lo na Organização das Nações Unidas (ONU) por maus tratos a colombianos. Quanto a isso, a Venezuela declarou que irá exigir um ressarcimento por ter fornecido benefícios aos colombianos que entraram no país fugindo dos problemas sociais e econômicos da Colômbia.

A doutora em Ciência Política pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Renata Peixoto de Oliveira, destaca que o conflito interno na Colômbia é marcado pela luta do governo em controlar regiões em que coexistem estados paralelos dominados por grupos paramilitares, narcotraficantes e guerrilheiros. Essa questão “leva milhões de pessoas a se deslocarem e fugirem dos conflitos e ameaças constantes. O número de refugiados colombianos é alarmante e configura uma crise humanitária gravíssima. A Venezuela segue como uma opção para se fugir do conflito”, explica.

Na Venezuela a população enfrenta atualmente uma onda de desabastecimentos de bens e produtos em mercados, farmácias e setores da produção. O país vem passando por uma crise econômica, com a inflação atingindo altos índices. Além disso, após a morte do líder político Hugo Chávez, o governo de Maduro, sofre com a rejeição.

Segundo Oliveira, “é preciso compreender que o contorno deste conflito ainda se situa no campo das relações diplomáticas entre os dois países e, quanto a isto, na última década, por divergências políticas entre os governos Venezuelano e Colombiano, estes picos de tensão foram recorrentes, mas contornáveis, principalmente, pelo fato de serem dois importantes parceiros comerciais”. Apesar dos conflitos, os dois países anunciaram no dia 27 de agosto um projeto conjunto para aumentar a segurança na fronteira, demonstrando possíveis avanços nas negociações.

Venezuela e Colômbia fazem parte da União de Nações Sul-Americanas (UNASUL), organização composta por 12 nações, inclusive o Brasil. De acordo com Oliveira, “toda a região se vê afetada não apenas pela crise diplomática momentânea, mas, evidentemente, pelos impactos regionais do conflito interno colombiano”. Ela completa, ainda, que “países como o Brasil e a própria UNASUL cumpriram e podem cumprir um papel essencial para a normalização das relações entre os dois países”.

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