Desmistificando o Mal de Alzheimer

A enfermidade vai muito além da perda de memória e não está ligada apenas a idade

Beatriz Milanez

Alzheimer é uma doença neuro-degenerativa que compromete funções intelectuais, uma vez que causa a morte das células cerebrais. Ela compromete diretamente as funções cognitivas (memória, orientação, atenção e linguagem), reduzindo as capacidades de trabalho e a habilidade de se relacionar em sociedade. A maior parte de suas vítimas é composta por pessoas idosas. E, talvez por conta disso, o Mal de Alzheimer tenha ficado erroneamente conhecido como “esclerose” ou “caduquice”.

Aproximadamente 10% das pessoas com mais de 65 anos e 25% com mais de 85 anos podem vir a apresentar algum sintoma. A idade é, até então, o que mais influencia para o aparecimento da doença. No entanto, não se deve relacionar velhice com Alzheimer. No Brasil, 6% dos 15 milhões de idosos com mais de 60 anos de idade sofrem do Mal de Alzheimer, segundo dados da Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz), e há cerca de 1,2 milhão de casos ainda sem diagnóstico. São mulheres as mais atingidas justamente pelo fato de viverem mais que os homens.

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O Mal de Alzheimer, que pode ser confundida com velhice, ainda pode causar outras doenças a quem sofre disso, como a depressão. (Créditos: Pixabay)

Quais as causas do Mal de Alzheimer?

Ainda não se sabe exatamente qual a causa da enfermidade, mas indícios científicos apontam que a genética é uma das grandes responsáveis para o surgimento de novos diagnósticos. Nesses casos, pessoas por volta dos 50 anos podem desenvolver a doença. Sobre esse tipo de diagnóstico, o Professor Doutor em Neurologia Clínica, Paulo Henrique Ferreira Bertolucci, explica que “existe maior probabilidade de que seja a forma familiar da doença. A progressão é mais rápida e a linguagem pode ser acometida mais precocemente. Nestas pessoas, o acúmulo de beta-amilóide no cérebro é mais relevante como base da doença do que nas formas mais tardias”.

Alguns pesquisadores sugerem, também, que algum vírus – somado à deficiência de certas enzimas e proteínas – esteja envolvido na origem da doença. E fatores externos, como bebidas alcoólicas e cigarro, se usados ao longo da vida, podem acelerar a chegada da enfermidade.

Mesmo sem uma origem concreta, o Alzheimer continua fazendo muitas vítimas e ainda não tem cura. Assim, o ideal é que se busque um médico para confirmar a doença em questão e buscar o melhor tratamento.

Como é feito o diagnóstico?

Realizar um diagnóstico clínico é algo muito difícil, a princípio. Dr. Bertolucci, que também é livre-docente em Neurologia na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), comenta que há uma confusão por parte das pessoas que convivem com o enfermo: “é muito comum atribuir os primeiros sintomas da Doença de Alzheirmer, que são progressivos lapsos de memória, com o envelhecimento normal. No envelhecimento normal, a memória pode tornar-se mais lenta, enquanto que, na doença, ela está perdida”.  Isso quer dizer que, no começo, familiares tendem a achar que sintomas de Alzheimer são comuns da idade.

É normal que o próprio doente, ao perceber alguns sintomas, sinta vergonha e tente esconder os sintomas. Nessas horas, a família precisa estar atenta e, ao notar um comportamento diferente, deve encaminhar o idoso para um acompanhamento profissional. É preciso saber diferenciar o esquecimento normal de manifestações mais graves e frequentes, que são sintomas da doença. Não é porque a pessoa está mais velha que não vai mais se lembrar do que é importante.

Entretanto, Doutor Bertolucci afirma: “o diagnóstico é clínico, a partir de um histórico de lapsos que interferem em atividades do dia-a-dia, com o objetivo de demonstrar déficits, por exemplo, na memória, na capacidade de planejamento e na linguagem. Há também exames que podem sugerir a doença, mas sozinhos não fazem o diagnóstico concreto, como a ressonância magnética de crânio”. Confirmada a existência do Mal de Alzheimer, o tempo médio de sobrevida varia de 8 a 10 anos.

O tratamento

Não é raro que a pessoa, após descobrir a doença, venha a desenvolver – além dos sintomas – problemas emocionais ou psíquicos, como a depressão, muito comum nos idosos com demência. Por isso, junto com o acompanhamento médico, o uso de remédios é fundamental. Contudo, os medicamentos não impedem o progresso da doença, apenas amenizam ou retardam alguns efeitos do Alzheimer. Dr Bertolucci faz uma recomendação: “Além da medicação, a progressão da doença pode ser mais lenta se forem mantidas atividades físicas e intelectuais, além de que devem estar controlados fatores de risco, como a hipertensão e diabetes”.

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O xadrez é uma das atividades que ajudam o cérebro a se manter ativo (Créditos: Pixabay)

A convivência

Conviver com qualquer doença é uma tarefa árdua, tanto para quem está doente quanto para aqueles que convivem ao redor. No caso de pacientes com Alzheimer, com os avanços dos efeitos da doença, a pessoa tende a se afastar completamente do convívio social, portanto é de extrema importância que a família e a sociedade deem todo o suporte a essas pessoas.

A Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz) é formada por familiares dos pacientes e oferece ajuda e apoio de vários profissionais, como médicos e terapeutas. A associação realiza encontros entre as famílias que convivem com a doença, para que elas dividam experiências e aprendam a cuidar e a entender a doença e suas conseqüências na vida dos idosos. Diante as dificuldades de tratamento e convívio com a doença, quem sofre dessa merece apoio, cuidado, atenção e carinho.

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