Amigo imaginário: Uma relação normal

Esta amizade é tão importante quanto qualquer outra para as crianças

Thais Viana

Tem dias que passamos o tempo todo falando sozinho, gesticulando e às vezes até imaginamos como seria se uma voz de repente respondesse todas as nossas indagações. Este “imaginar como seria” é algo que é facilmente executado pelas crianças. É nesta fase que muitas delas “conhecem” ou melhor desenvolvem seu amigo imaginário. Amigo que muitas vezes é injustiçado pela família e por pessoas próximas.

Não é muito difícil ver alguém fazer piada com os colegas quando uma pessoa é reservada e tímida. Estas gozações geralmente envolvem brincadeiras como “ele deve estar com o amigo imaginário”, “certeza que ele foi para o cinema com o amigo imaginário”. Nós seres humanos somos dotados de infinitas dúvidas e quando não compreendemos algo, podemos sentir medo, e isto pode nos levar a desenvolver um preconceito em relação àquilo.

Muitos destes medos são desenvolvidos conosco na infância. No caso do amigo imaginário não é diferente. Alguns pais por não saberem lidar com o novo amigo do filho, o repreendem e o aconselham a abandonar este hábito que para eles se resume apenas a conversar sozinho. Para alguns mais supersticiosos trata-se de espíritos e outros ainda associam a prática a doenças como autismo e esquizofrenia.

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O amigo imaginário pode ser um objeto inanimado. (Créditos: Pixabay)

O que é um amigo imaginário?

Na verdade, ter um amigo imaginário na infância é muito mais simples e natural do que se imagina. Geralmente ele surge entre os três a oito anos de idade, quando a criança começa a desenvolver uma fala mais articulada e crítica.

A doutora em Ciências aplicadas à pediatria, Cátia Fonseca, explica como funciona. “Importante lembrar que o amigo imaginário pode ser um objeto que a criança elege como seu “amigo”, como um brinquedo ou objeto pessoal. Normalmente, surge para a criança num momento no qual ela se sente insegura ou sozinha, muito frequentes em momentos de perdas de algum elo afetivo, como na morte de entes queridos e próximos, ou no momento do nascimento de um irmão, por exemplo. Ele traz conforto, redução de ansiedade para a criança é normalmente é por um tempo determinado e passageiro”.

É saudável para uma criança?

Alguns pais acham que seus filhos podem ficar isolados ou ter uma visão fantasiosa da realidade, mas ao contrário do que se pensa, ter um amigo imaginário é saudável e benéfico para o desenvolvimento.

Em 2008, um estudo dos psicólogos Anna Roby e Evan Kidd, da Universidade de Manchester na Inglaterra, comprovou que crianças que tinham amigos imaginários se expressavam melhor, tinham empatia, trabalhavam bem em equipe e aceitavam críticas. Eles testaram a capacidade linguística de 44 crianças em idade pré-escolar e escolar.

O psicólogo suíço Jean Piaget (1896-1980) descreveu a experiência como uma forma especial do jogo simbólico. Para o estudioso, em situações lúdicas uma realidade estranha seria construída: as crianças fingem e desempenham papéis.

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A companhia desses amigos imaginários não deve ser subestimada. (Créditos: Pixabay)

E quando pode ser ruim?

É importante observar que a criança pode usar o amigo imaginário para colocar a culpa sobre determinadas coisas que ele fez que não são aceitas como correta. Neste caso, a criança compreende que o amigo dela é apenas imaginação, portanto resta apenas conversar sobre de quem é a culpa.

Pode ser que algumas crianças tenham dificuldades para assimilar que o amigo é fruto da imaginação ou tenha problemas para abandoná-lo na hora certa. Este abandono acontece de forma natural, quando a criança percebe que não faz mais sentido ter essa companhia, mas se não acontecer é importante procurar um psicólogo e psiquiatra.

O amigo imaginário retratado nos desenhos

É muito comum este tema ser abordado para crianças. Geralmente os desenhos procuram ressaltar assuntos do universo infantil de forma lúdica para que a criança identifique o seu dia-a-dia e aprenda a lidar com diversos conflitos, além de estimular a imaginação.

Um exemplo dos amigos imaginários nos desenhos é a famosa tirinha do “Calvin e Haroldo”. Nela, Calvin é um garoto que tem um tigre de pelúcia como amigo. Seu companheiro Haroldo assume uma personalidade sarcástica e sincera que é o destaque das histórias.

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O amigo imaginário ajuda a criança a aprender a lidar com conflitos (Créditos: Depósito do Calvin)

Outro exemplo é o desenho “Mansão Foster para Amigos Imaginários”. No desenho, Mac é um menino de oito anos que é obrigado pelos pais a esquecer seu amigo imaginário Bloo. Para continuar existindo seu companheiro se muda para uma mansão onde vivem vários “invisíveis” para serem adotados por outras crianças.

O canal oficial do Cartoon Network no Youtube fez um vídeo com os criadores do desenho para explicar um pouco mais sobre esse:

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