CRÔNICA: OU FICAR A PÁTRIA LIVRE, OU MORRER PELO BRASIL

Sou independente. Sou história. Sou Brasil.

Danilo Lysei

“Já raiou a liberdade; No horizonte do Brasil”. (Desenho: Danilo Lysei)

Mergulho num mar de lembranças e de reflexões sobre mim mesmo. Transporto-me a um passado recente, mais precisamente para aquele 7 de setembro de 1822. Há 193 anos. Lembro-me daquele dia como se fosse ontem. Acordei ensolarado, aquela terra batida e aquele verde radiante sobre minha pele. Cavalos cavalgavam em mim sob seus líderes, europeus e brasileiros, que proferiam gritos em busca da minha emancipação… Eu já não era uma terra de poucos. Os povos já disputavam minha posse. E eu apenas era palco dessa luta. Restava-me somente aguardar o que viria acontecer.

Antes de tudo acontecer, meus vizinhos dessa Terra sofriam com um Imperador metido a líder territorial. Esse tal Imperador, Napoleão Bonaparte o chamavam, insistia em ser dono de tudo e de todos. Fazia da Europa um salão de dança para que seu fantoche, França, dançasse para lá e pra cá, agarrando todos os “pares”, descartando seus legítimos “parceiros”. Claramente haveria quem negasse essa “valsa”. Inglaterra e Rússia foram protagonistas disso. De longe, eu já via que em coisa boa não ia dar.

Ao mesmo tempo, eu presenciava aqui o crescimento de um povo formado pela mistura. Índios, negros, europeus, caboclos, mestiços, imigrantes, portugueses e brasileiros em si, viviam com o objetivo de se tornar um povo nação. Pulsava em minhas veias a vontade de uma identidade atrasada cerca de três séculos.

“Vossos peitos, Vossos Braços; São muralhas do Brasil”. (Desenho: Danilo Lysei)

A Inglaterra, que acabou se tornando principal antagonista imperial da França bonapartista, recebeu o decreto do Bloqueio Continental comercial pelos franceses. Porém, em desobediência, auxiliou a Corou portuguesa, ameaçada por aquele Napoleão, a transferir-se para mim. Para a Inglaterra era vantajoso a família real aqui para que a minha autonomia econômica fosse aceita. Resultado disso: abertura dos meus portos às Nações Amigas. Aos poucos, eu ia alcançando minha independência.

Lembro-me que, para a chegada da Coroa, em 1808, liderada pelo Imperador D. João VI, houve grande movimentação em minhas terras. Enquanto enfrentavam em sua fuga, viagens marítimas agonizantes e ameaçadoras, aguardavam-na aqui um povo ansioso por mudanças. O Jardim Botânico florescia pela primeira vez em verde e amarelo e O Correio Brasiliense comunicava ao mundo o meu re-nascimento. A construção de um Rio de Janeiro imperial firmava a cara europeizada que eu, Brasil, iria assumir.

D. João tratou de me guiar ao trilhar imperialista. Tratados de Aliança e Amizade, de Comércio e Navegação, impulsionavam a abolição gradual do tráfico de minhas forças motrizes. Passavam-se os anos, quando, em 1815, sepultou-se o poder Napoleônico e redistribuiu-se as forças de meus vizinhos europeus. Borbulhava na Europa ideias liberais e de regeneração política, para que acabasse com o despotismo, considerado o mau inicial de toda opressão social.

“Em despeito dos Tiranos; Quis ficar no seu Brasil”. (Desenho: Danilo Lysei)

E, em vista disso, estourava em terras portuguesas a Revolução do Porto, em 1820, a qual a junta formada em Portugal (com a ajuda de representantes das minhas províncias) exigia o retorno do monarca D. João, com a finalidade de seu príncipe regente reassumir o trono, assinar uma nova Constituição e se desvencilhar da tutela inglesa. Eu entrava assim em dias de intensa turbulência. Eu via que D. João partia daqui, em 1821, tão escorraçado como fora há mais de 13 anos, ao deixar Lisboa às pressas.

O centro decisório da monarquia retornava à Europa e isso contrariava os interesses de meus povos brasileiros. Por outro lado, tal retorno incitava as minhas províncias a terem representação própria. Porém, uma assembleia lusitana contrariava esses interesses brasileiros de autonomia provincial e desencadeava a minha independência liderada pelo Rio de Janeiro, tendo em frente o príncipe regente D. Pedro, herdeiro de D. João. “Eu fico”, ele gritava, e o som uníssono reverberava por toda uma nação.

Em 1 de agosto de 1822, já assinava D. Pedro o decreto de minha independência política de Portugal. Mostrava Pedro a vossa fronte. E em 7 de setembro de 1822, o Sol da liberdade brilhara em raios fúlgidos no meu céu. O príncipe regente viajava para as minhas outras províncias, estreitando laços e unindo forças. Eu era pátria amada, idolatrada. Enquanto a metrópole portuguesa restringia a autoridade do príncipe e impunha rigorosas penas a quem discordasse das suas ordens.

“Ou ficar a Pátria Livre; Ou morrer pelo Brasil”. (Desenho: Danilo Lysei)

A história de carochinha representando o fato de que uma única vez eu fui representado de coração: “Ouvia-se o grito do Ipiranga, às margens plácidas. O som heroico e o brado retumbante. D. Pedro alçava a espada aos céus. ‘Independência ou Morte!’, anunciava”. Tão nobre seria se eu me mantivesse representado assim por líderes políticos atualmente. Comemoro não só a minha independência, mas também a união, a luta e a resistência de meu povo nação. Suplico por mais dias como esses em meus solos.

Sábias lembranças. É isso. Ah, e “Parabéns, oh Brasileiros”!

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