UFC usa psicologia como estratégia de marketing

Principal campeonato de MMA do mundo deve o sucesso de vendas à provocação entre os atletas antes das lutas

Lucas Altimari Piccolo e Yuri Silva

Um esporte violento. Esse é o adjetivo mais utilizado para descrever o MMA (Artes Marciais Mistas) praticado no UFC. Não é uma afirmativa falsa. Dentro do octógono, dois lutadores se digladiam vorazmente, em um vale-quase-tudo ironicamente divertido de se assistir, inclusive antes da luta acontecer.

Dana White, atual presidente da empresa, é o responsável por ter conferido ao campeonato um enorme potencial de lucro nos últimos anos. O UFC 189, que aconteceu em Las Vegas mês passado, por exemplo, rendeu só em bilheteria 7,1 milhões de dólares, além de um milhão em vendas de pay-per-view. A semi-final da Liga dos Campões da Europa, o maior torneio entre clubes de futebol do mundo, rendeu 3,1 milhões de dólares. Ou seja, o evento da luta lucrou mais que o dobro. A ascensão do UFC como marca e evento esportivo consumível se faz muito clara ao ser feita tal comparação.

Um exemplo de como os lutadores são explorados pelo marketing teve seu desfecho no último dia 2 de agosto, no Rio de Janeiro, com a luta entre a americana multicampeã do UFC Ronda Rousey, e a brasileira Bethe Correia. A última, paraibana de 32 anos, causou ódio na torcida mundial antes mesmo de a luta ocorrer, uma vez que seu jeito provocativo, as declarações polêmicas sobre o embate e as diversas alfinetadas em Ronda, não foram suficientes para desestabilizar a oponente e nem para conquistar o apoio da torcida.

Após tanta provocação, Bethe Correia foi nocauteada por Ronda Rousey em 34 segundos no octógono (Foto: Getty Images)

Após tanta provocação, Bethe Correia foi nocauteada por Ronda Rousey em 34 segundos no octógono (Foto: Getty Images)

Mesmo sendo brasileira, a raiva criada contra ela foi tamanha, que a torcida de seu próprio país apoiou a norte americana e criticou Bethe de todas as formas possíveis. Porém, o fato é que foi uma das lutas mais aguardadas e mais lucrativas da história do UFC, o que suscita a seguinte questão: porque lutadores “falastrões” chamam tanta atenção do público e vendem tão bem suas lutas?

Lutas marcadas pela rivalidade, como a existente entre Chael Sonnen e Anderson Silva, realmente parecem cativar o público, uma vez que se estabelecem como as mais lucrativas. Quanto a promoção de lutas e ao desempenho dos atletas quando estão sob pressão, Fábio Marmontel, proprietário e treinador da “Team Nogueira BAURU”afirma: “Em todos os eventos de MMA existe a estratégia de se criar uma rivalidade entre os lutadores, para que se consiga promover o evento ao público. O desempenho de cada um depende do psicológico. Tem que ser muito frio’’. Ele reitera ainda que Bethe Correia serviu de exemplo de como a pressão psicológica pode repercutir negativamente no desempenho do atleta.

Atletas provocadores demais são os típicos lutadores que a torcida odeia, mas ao mesmo tempo são os que mais atraem público e, consequentemente, os que mais dão lucro para os responsáveis pelo UFC. Sendo assim, lutas com profissionais desse tipo têm sido promovidas com mais frequência. Por um lado, isso é bom pela parte financeira, pois o marketing esportivo consegue trabalhar muito bem a rivalidade para promover a luta, o que acaba fazendo com que ela venda muito mais do que uma “luta normal”. Entretanto, as lutas acabam muitas vezes não correspondendo à tamanha expectativa criada, desapontando a torcida.

De certa forma, os atletas acabam muitas vezes sendo “manipulados” pelos assessores e psicólogos de sua equipe, o que faz com que muitas vezes o lutador nem saiba direito para que serve aquele tipo de provocação, mas eles a fazem para tentar desestabilizar o adversário e chamar a torcida para o seu lado. Isso faz com que o MMA do UFC se torne um esporte em que a preparação psicológica é quase tão importante quanto a preparação física.  

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