Brasil é o país com maior número de cesáreas

Atualmente, 54,7% dos partos no Brasil são cesárea, sendo que a recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) é de 15%

Camila Gabrielle

A gravidez deveria ser um momento incrível para as mulheres, já que significa uma nova vida sendo gerada. Porém, a gravidez também traz diversas dúvidas para as gestantes, entre elas, qual parto deverá ser feito – normal ou cesárea. Esta é uma dúvida que acomete muitas mulheres (até as que ainda não estão grávidas) e é um assunto que envolve muitas outras questões.

No Brasil, 54,7% dos partos são cesáreas – de acordo com uma pesquisa Nacional de Saúde feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2013 – o que confere ao país um título de campeão desse tipo de parto. A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que o número de partos cesáreas num país não ultrapasse 15%. O Brasil desrespeita essa recomendação, quase que triplicando a porcentagem. O Ministro da Saúde, Arthur Chioro, disse em uma entrevista que o Brasil vive em uma epidemia de partos cesáreos. Mas na verdade, qual o problema em se realizar a cesárea em relação à saúde da mulher? Quando esse parto é indispensável? Por que o Brasil tem tantas cesáreas e qual o benefício de optar por um parto normal?

A cesárea é indicada quando a mulher não tem dilatação suficiente para o bebê nascer. Pode ser que o bebê não esteja na posição correta ou que o cordão umbilical já tenha enrolado no seu pescoço, podendo sufocá-lo. Também deve ser feito quando a mãe apresenta problemas de saúde como hipertensão e diabetes. Ou seja, a cesárea deveria ser feita em casos de urgência para mãe ou para o bebê. O procedimento consiste em um corte no abdômen, em outras camadas e um corte no útero. A recuperação pode variar de acordo com cada paciente, sendo que os sintomas mais frequentes são dores, desconfortos e limitações.

O parto normal, por sua vez, geralmente traz uma recuperação mais rápida para a mulher pois causa menores lesões e menor perda de sangue (cerca de 1 litro de sangue a menos, quando comparado com a cesárea). Os riscos de complicações também são menores. Muitos médicos estimulam a realização de cesárias por serem mais bem pagos e por não terem que passar horas com apenas uma paciente, pressionando-as, assim, a realizar a cirurgia, alegando ser mais segura. Muitas mulheres, por possuírem medo de tentar o normal, optam pela cesárea.

Gravidez: um momento de alegria que vem se tornando dor de cabeça para muitas mulheres no Brasil. (Foto: Freepik)

Gravidez: um momento de alegria que vem se tornando dor de cabeça para muitas mulheres no Brasil. (Foto: Freepik)

Outro fator importante é a falta de informação que muitas gestantes têm a respeito dos tipos de parto em relação aos seus benefícios e malefícios. Atualmente, a gestante precisa assinar um termo de consentimento sobre os perigos da cirurgia. Os planos de saúde não serão mais obrigados a pagar cesáreas consideradas desnecessárias – o que, segundo o movimento feminista e o Conselho Federal de Medicina (CFM), fere o direito da mulher em escolher o parto que deseja ter.

Carla Apenburg, 18, é estudante de Geografia da Universidade Federal de Sergipe e está grávida de 25 semanas (seis meses). Ela afirmou que junto com seu obstetra houve a decisão de realizar um parto cesariana pois seu bebê é grande (possui um tamanho acima da média) e por problemas de pressão baixa, que poderiam causar o desmaio, impossibilitando a realização do parto normal. “A escolha foi principalmente e inteiramente minha”, argumentou completando não ter se sentido pressionada pelo seu obstetra. Segundo ela, a mulher precisa ter o direito de escolher o parto que deseja ter. “Odeio quando alguém quer impor algum tipo de parto a mim e a qualquer gestante por um motivo X. Ela tem que fazer um parto que a deixe segura e motivada, dentro de uma escolha responsável, para ela e para o bebê”, argumenta.

Quando questionada sobre a lei onde a gestante que desejar realizar o parto cesáreo deverá assinar um termo, conclui: “Sei dessa lei que entrou em vigor e sei também que através de represália de algumas mulheres que pensam igual a mim, que a mulher tem o direito de escolha no seu parto, que isso foi retirado pela ANS. Isso é querer colocar a responsabilidade só na mulher e isentar os profissionais de medicina de qualquer erro que possa ocorrer. Não concordo, pois o obstetra deve desde o inicio alertar as gestantes dos riscos e benefícios dos dois partos, assim não é necessário assinatura de nenhum termo”.

A saúde da mãe e do bebê, sem dúvida, precisam ser levadas em conta na hora da escolha do parto, tornando o momento do nascimento uma alegria e buscando um procedimento que não traga riscos e complicações para ambos – o que pode ser tanto cesárea ou normal, a depender da escolha da paciente sobre qual parto deseja ter e das condições de saúde. Vale ressaltar que é fundamental a mãe ter o direito de escolha sendo apenas orientada pelo seu obstetra, não sofrendo nenhum tipo de pressão. Se existir mais informação para mães, elas poderão viver o momento da gestação de forma mais tranquila e confortável.

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