Crimes xenofóbicos aumentaram em 40% no leste da Alemanha

Segundo o Ministério do Interior, o partido de extrema-direita realizou cerca de 1.029 ataques contra vários grupos

Maria Clara Novais

No último dia 18 de agosto, a Alemanha divulgou dados que mostram que o número de crimes racistas no leste da Alemanha aumentou em 40% no ano de 2014. Em julho, um albergue instalado em Boviera e um campo de acolhimento da Cruz Vermelha em Dresden foram criminosamente incendiados. Dos 130 ataques xenofóbicos realizados em todo o país em 2014, 61 foram na região Leste.

A violência xenofóbica, principalmente na oriental da Alemanha, ficou em evidência pela popularidade do grupo Pegida, formado principalmente por políticos populistas e patriotas europeus contra a islamização do ocidente e a lei de asilo a estrangeiros.

Em janeiro o grupo Pegida conseguiu levar às ruas cerca de 18 mil pessoas em movimentos que organizava. Créditos: Die Grünen.

Em janeiro o grupo Pegida conseguiu levar às ruas cerca de 18 mil pessoas em movimentos que organizava. Créditos: Die Grünen.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha caracterizou-se como um país de ideologia nazi-fascista que promoveu a perseguição de judeus, homossexuais, estrangeiros e mestiços e a tendência neonazista desse grupo preocupa o governo alemão. “Os grupos extremistas de hoje nutrem hostilidade semelhante a do nazismo contra o Estado e a democracia. Eu não diria que esses grupos são estritamente ‘nazistas’, mas, se fossem contemporâneos de Hitler, não tenho dúvida de que adeririam ao movimento”, afirma Marcos Guterman, doutor em História Social pela Universidade de São Paulo.

O país apresenta leis contra grupos xenofóbicos, mas, segundo Guterman, alguns grupos conseguem se organizar em partidos políticos, como é o caso do partido de extrema-direita. “[Isso] dificulta sua repressão, dado que a Alemanha é uma democracia plena, mas, ao mesmo tempo, há genuíno esforço do Estado para coibir essa violência”, completa.

Segundo o ministro do interior da Alemanha, Thomas de Maizière, o país receberá 800 mil pedidos de asilo até o final de 2015, quantidade recorde e quatro vezes maior do que o número de amparados no ano passado. Os refugiados emigram do Iraque, Líbia, Eritreia, do Oriente Médio e principalmente da Síria, locais que sofrem com a pobreza, violência ou guerras. Para Guterman, os refugiados, mesmo sabendo dos casos de racismo e da lei rigorosa que não dá cidadania plena, vão para a Alemanha, porque o país oferece muitas oportunidades de crescimento.

A explicação para que o número de crimes xenofóbicos não ter crescido também na região ocidental da Alemanha, segundo Guterman, pode estar relacionada com a economia da região. “Como a situação na antiga Alemanha Oriental é bem pior que a da antiga Alemanha Ocidental, os alemães do Leste tendem a ser mais refratários aos imigrantes que tentam disputar os escassos empregos e salários com eles. Outra teoria diz que, como os alemães do Leste convivem menos com os imigrantes, tendem a fantasiar mais a respeito deles, desenvolvendo um tipo de xenofobia especialmente violento”, conclui.

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