Marília recebe o Campeonato Brasileiro de Softbol

Mesmo com pouca popularidade, o mais importante torneio da categoria reuniu as principais equipes do esporte no país

Camila Nakazato

A cidade de Marília foi palco do XXXV Campeonato Brasileiro de Softbol Feminino Interclubes Adulto, principal campeonato do esporte no Brasil. O softbol é uma “variável” do beisebol, que também sofre por pouca visibilidade no país. É disputado durante 7 innings, tempos os quais as equipes se revezam atacando, onde o rebatedor deve buscar percorrer as quatro bases do campo, e defendendo, quando a equipe fica em campo tentando impedir que o corredor adversário avance às bases.

O intuito no softbol é fazer as atletas percorrerem todas as bases para marcar a maior quantidade de runs na partida (Foto: Camila Nakazato)

O intuito no softbol é fazer as atletas percorrerem todas as bases para marcar a maior quantidade de runs na partida (Foto: Camila Nakazato)

O campeonato contou com 9 equipes, chaveadas em três grupos, cujas cabeças de chave foram definidas sendo os três primeiros colocados na competição anterior, a Taça Brasil, sendo Marília, Nikkei Curitiba e Anhanguera os cabeças de chave e, portanto, favoritos ao título.

Funcionando num estilo diferente, o torneio possui a primeira fase como classificatória e as demais sendo as finais. Três times que ganhassem dois jogos nas classificatórias automaticamente seguiam às finais, a chamada Chave de Ouro, disputando o título. Uma quarta equipe iria para essa chave, mas diferente das outras, seria classificada por índice, ou seja, por menos corridas (runs) anotadas contra. Os três times que se classificaram para a Chave de Ouro foram Nikkei Curitiba, Marília e Gigantes Gecebs, respectivamente primeiro, segundo e terceiro melhores, e a equipe que subiu por índice a esse chaveamento foi o Nippon Blue Jays.

Marília chegou a competição como atual campeã da Taça Brasil e com o elenco recheado de atletas de nível internacional. Samira Tanaka, interbases, e Mayra Akamine, interbases, competiram pela seleção brasileira nos últimos Jogos Pan Americanos.

A arremessadora Lívia Nakayama, do Marília, ganhou o prêmio de arremessadora destaque da competição (Foto: Camila Nakazato)

A arremessadora Lívia Nakayama, do Marília, ganhou o prêmio de arremessadora destaque da competição (Foto: Camila Nakazato)

A equipe do interior paulista disputou a semifinal com o Gigante Gecebs, ou apelidado GG. Começou rebatendo e não conseguiu corridas, ao defender, levou uma corrida logo o primeiro inning. Recuperou apenas no segundo inning e continuou com rendimento abaixo do normal. Perto do final da partida, o GG anotou 3 corridas em um único inning, para desespero da equipe local. Apático, o Marilia não se recuperou do revés e viu o título escapar.

Campeão da Taça Brasil de 2015, Marília não conseguiu vencer o Gecebs, que venceu por 4x1 (Foto: Camila Nakazato)

Campeão da Taça Brasil de 2015, Marília não conseguiu vencer o Gecebs, que venceu por 4×1 (Foto: Camila Nakazato)

Na outra semifinal, o Curitiba jogou contra o Nippon Blue Jays, equipe que contava com várias atletas de categorias abaixo do adulto. Assim como o Marília, a equipe de Arujá deixou o Nikkei Curitiba levar a vaga na final. A equipe paulista começou ganhando de 1×0 e continuou bem até o 3° inning, quando vencia por 2×1. Entretanto o Nikkei Curitiba, campeão brasileiro de 2014, anotou 2 runs no 5° inning, indo para defender o título contra o Gigante Gecebs.

Na disputa do terceiro lugar, as experientes jogadoras do Marília não sofreram para vencer as novatas do Blue Jays. Mesmo com músicas cantadas pelas jogadoras do Blue Jays, a equipe cedeu muitas bases por erros e perdeu por 7×3.

As jogadoras experientes do Marília não deixaram o pódio escapar contra as novatas do Blue Jays e garantiram o terceiro lugar (Foto: Camila Nakazato)

As jogadoras experientes do Marília não deixaram o pódio escapar contra as novatas do Blue Jays e garantiram o terceiro lugar (Foto: Camila Nakazato)

A final foi marcada de vários momentos emocionantes. Nos dois primeiros innings o GG marcou 6 pontos, alguns sendo falha da defesa. O Curitiba avançava bastante, mas não chegou a apresentar sinais que iria reagir ao Gecebs, que estava em dia inspirado. As jogadoras do Nikkei começaram a empregar pressão no Gigantes e aproveitou momentos de desatenção para marcar um ponto no 4º inning.

Na primeira parte do 6° inning aconteceu a jogada da partida. Martha Tiemi Murazawa rebateu um home run, fazendo a bola sair da área do campo. Assim, a jogadora do Gecebs anotou dois pontos ao saldo da equipe. Na segunda parte do 6º inning o time de Curitiba aproveitou a pouca atenção da defesa da equipe de São Paulo e anotou três runs. No 7° e último inning o GG anotou nenhum ponto, deixando a equipe Nikkei pressionado a marcar pelo menos 4 pontos para levar o jogo para a prorrogação. Porém a defesa do Gigantes voltou a funcionar, só um ponto entrou no saldo do Curitiba e o jogo terminou em 8×5 para a equipe paulista.

Com direito a um home run, o Gigantes Gecebs levou para casa o título do Campeonato Brasileiro de 2015 (Foto: Camila Nakazato)

Com direito a um home run, o Gigantes Gecebs levou para casa o título do Campeonato Brasileiro de 2015 (Foto: Camila Nakazato)

Durante a primeira fase da competição conversamos com Roberto Taniguchi, um dos árbitros do torneio, que comentou sobre a baixo interesse do público no esporte. “Os jogos são longos e nem as empresas japonesas querem investir no esporte. O esporte exige muito espaço e os equipamentos são caros. No Brasil, o que é barato é uma bola de futebol”.

O gerente internacional da Confederação de Beisebol e Softbol e chefe da seleção brasileira que disputou o Pan, Paulo Tanaka, concordou com a postura do árbitro. “Falta um pouco de divulgação desse esporte. Não só o softbol, tem muitos esportes que são pouco conhecidos, como o rúgbi, o boliche, o squash. No Brasil ainda reina o futebol”.

Paulo Tanaka enfatizou a falta de patrocínio de empresas, mesmo as japonesas, que antes eram as maiores incentivadoras do esporte no país (Foto: Camila Nakazato)

Paulo Tanaka enfatizou a falta de patrocínio de empresas, mesmo as japonesas, que antes eram as maiores incentivadoras do esporte no país (Foto: Camila Nakazato)

Samira, segunda base do Marília, e Mayra, interbases, também comentaram sobre a popularidade do softbol. “O softbol é um esporte ‘novo’, que começou a crescer agora. E por ter ficado na população japonesa que vai passando de geração em geração, isso não foi espalhado para outras culturas. Na televisão só passa futebol ou vôlei. O duro é chegar lá (melhorar a visibilidade), com canais que passam. Alguns começaram a transmitir por causa dos jogadores que chegaram na Major (Major League Baseball, principal competição interclubes no mundo)” As jogadoras, que tiveram a oportunidade de se graduar nos EUA jogando pela universidade também contaram como foi a experiência. “Conseguir o diploma na universidade foi uma experiência muito boa. Eu fiquei satisfeita com ele. Eu pensei em tentar me tornar profissional, mas pelo que escutei sobre as dificuldades, eu desisti. Me dei por satisfeita só com o diploma” Samira afirma. O equipamento é um fator determinante para atrair mais atletas para o esporte, Emy Moromizato, primeira base do Nippon Blue Jays, afirmou que “os equipamentos são um pouco mais caros sim, porém há clubes que através de doações e vendas de rifas conseguem os equipamentos tranquilamente”. Mayra confessou a dificuldade. “São equipamentos importados, tudo do Japão ou EUA. A luva é normalmente uns 400 reais”. Samira lembrou que a prefeitura de Marília é parceira do Nikkey Marília, ajudando a atrair mais adeptor. “É por isso que não tem só japoneses. No time de Marília é bem misturado, tem bastante brasileiros. Isso é bom para divulgar”. “Quando entrei tinham só japoneses, agora já tem muitos brasileiros” a interbases Mayra afirmou.

As irmãs Emy (à esquerda) e Ayumi (à direita) defendem o Nippon Blue Jays e ajudaram na campanha do 4º lugar da equipe (Foto: Camila Nakazato)

As irmãs Emy (à esquerda) e Ayumi (à direita) defendem o Nippon Blue Jays e ajudaram na campanha do 4º lugar da equipe (Foto: Camila Nakazato)

As jogadoras do Marília também falaram com alegria sobre o Pan Americano de Toronto. “Foi muito legal!” A experiência de uma competição internacional rendeu muitas alegrias. “A gente convivia no meio de atletas famosos. Ninguém conhecia a gente, mas a gente conhecia todo mundo”. Elas contaram também que muitos atletas da própria Vila Pan Americana não conheciam o softbol “A gente explicava, conversava. A gente falava ‘vocês são profissionais, a gente não’, ai conversávamos sobre o esporte, até para divulgar. Nós trabalhamos e jogamos, eles não, eles só vivem do esporte”.

“A gente não teve nenhum acompanhamento médico” afirmou Mayra. “Os atletas até se assustaram quando falamos que não fizemos acompanhamento (médico)”. Mas de Toronto as jogadoras só têm recordações boas. “O que era legal no Pan é que você encontra os atletas em toda parte. Você vai comer e encontra o Thiago Pereira” recordaram rindo.

O próximo evento do softbol nacional é o XXV Campeonato Brasileiro de Softbol Feminino Interclubes Sub 19 nos dias 12 e 13 de setembro de 2015, no Cooper Clube, São Paulo.

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