A Fusão entre Arte e Vivência no Teatro do Oprimido

O palco como ensaio para o cotidiano e a expressão corporal como ação cidadã

Gabriela Silva de Carvalho

O Parque Vitória Régia costuma ser palco de muitos eventos artísticos que fazem o fim de semana bauruense mais animado e cheio de opções. No domingo passado (23), foi vez da Oficina de Teatro do Oprimido, organizada pelo Movimento Estudantil da USC, na qual podemos observar um tipo de participação diferenciada do público.

O bate-papo sobre o Teatro do Oprimido esclarece ao público quanto ao seu papel. (Foto: Gabriela Silva de Carvalho)

O bate-papo sobre o Teatro do Oprimido esclarece ao público quanto ao seu papel. (Foto: Gabriela Silva de Carvalho)

O Teatro do Oprimido é um tanto diferente do teatro tradicional que vemos por aí. Estamos acostumados com uma apresentação em que o público apenas observa e absorve o que é apresentado; já no Teatro do Oprimido, há uma participação e interação do público que se funde com o “ser ator”.

Essa nova metodologia surgiu a partir da necessidade do público enxergar sua realidade como forma de sair de uma opressão. Ou seja, ao expor sua realidade, o público passa a visualizar isso de uma outra forma. A reflexão dos palcos o estimula a agir e interagir perante a problemática compartilhada.

O evento trouxe movimento, arte e expressão ao Parque Vitória Régia. (Foto: Gabriela Silva de Carvalho)

O evento trouxe movimento, arte e expressão ao Parque Vitória Régia. (Foto: Gabriela Silva de Carvalho)

Augusto Boal, dramaturgo inspirado em Paulo Freire, aborda essa questão a partir da quebra da quarta parede, a qual traz a interação do telespectador ao acabar com essa barreira entre palco e plateia. A estética do oprimido para Boal, fundamenta-se em libertar-se no momento da encenação sendo, também, um instante de aprendizagem a partir das lutas diárias.

A estética do oprimido baseia-se no teatro jornal, teatro legislativo, teatro invisível, ação concreta e entre outros conceitos de Boal. (Foto: Gabriela Silva de Carvalho)

A estética do oprimido baseia-se no teatro jornal, teatro legislativo, teatro invisível, ação concreta e entre outros conceitos de Boal. (Foto: Gabriela Silva de Carvalho)

A função do teatro é fazer com que a percepção seja mais aguçada, desde a consciência do som e da imagem, até a consciência da realidade vivenciada. Edina Godinho, estudante de Artes Cênicas e participante do Movimento Estudantil da USC, comenta: “O Teatro do Oprimido nos ajuda a ter um ponto de vista distinto do cotidiano. Ao colocar a vida em cena, começamos a ter outro olhar perante a situação”.

Jogos de cena e atividades de expressão corporal dominaram a tarde de domingo. (Foto: Gabriela Silva de Carvalho)

Jogos de cena e atividades de expressão corporal dominaram a tarde de domingo. (Foto: Gabriela Silva de Carvalho)

A participação do público evidencia a forma positiva com que eles se deparam com esse teatro moderno. Diante essa situação, o telespectador torna-se um sujeito ativo ao estar refletindo sobre a questão do cotidiano. Além disso, podemos notar um grande interesse de uma parte do que é tratado nesse novo tipo de teatro: lidar com a expressão corporal como uma forma de também mostrar suas vivências particulares.

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