O comportamento machista na publicidade

Os ideais machistas estão impregnados em nossa sociedade, e o ramo publicitário é mais um dos muitos que sofrem com eles

Beatriz Milanez

Quantas vezes a figura feminina foi mostrada como objeto sexual ou como personalidade fútil, mesmo não sendo verdade? Quantas marcas de cerveja usam uma mulher como apelo para o consumo? Inúmeras, em pleno século XXI. As propagandas machistas ainda fazem parte do nosso cotidiano e muitas vezes passam despercebidas, uma vez que o machismo está enraizado em nossa cultura.

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Coleção “homens que amamos” da marca de esmaltes Risqué causou muita polêmica em 2015 graças as descrições e nomes dos esmaltes. (Créditos: Divulgação)

Hoje, ainda, agências de propaganda são compostas em sua maioria por homens. Uma pesquisa de um projeto que atua contra essa perpetuação do machismo na cultura da publicidade, o 65I10, mostrou que apenas 10% dos funcionários dessas agências são mulheres. O nome do “movimento”, aliás, surgiu daí: ‘65’ por conta de uma pesquisa do Instituto Patrícia Galvão, que apontou que 65% das mulheres brasileiras não se identificam com a forma com que são retratadas em anúncios; e ‘10’ por conta da porcentagem feminina no mercado das propagandas.

Thaís Fabris, diretora de criação e idealizadora do 65I10, que tem como objetivo discutir o papel das mulheres na publicidade, conta como surgiu a ideia: “sendo mulheres e trabalhando no departamento criativo das agências publicitárias, eu e minhas sócias ficávamos incomodadas com dois pontos: sermos tão poucas mulheres na criação e vermos que o mercado estava cometendo erros grotescos na forma de se comunicar com o público feminino. Deste incômodo, vimos a oportunidade de prestar consultoria para mudar este cenário”.

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Thaís Fabris, idealizadora do 65I10, acredita que o melhor caminho para vencer o preconceito é a conversa e a educação do mercado de trabalho (Créditos: Joseh Silva)

E o público recebeu a proposta da melhor forma possível, indo além do que elas esperavam, “dando a certeza de que este é um tema latente que precisa ser discutido. A consequência tem vindo em forma de conversas produtivas com empresas, agências e indivíduos que podem e querem mudar o papel da mulher nesse ramo”, segundo a fundadora do 65I10.

Hoje, há tantas lutas em pauta: racismo, homofobia. O sexismo também está na lista de preconceitos a serem vencidos. No entanto, muitas vezes as próprias mulheres internalizam e reproduzem o machismo, ou porque estão acostumadas ou para não perder os empregos nos quais a presença e a vontade masculina predominam.

As propagandas de cunho discriminativo surgem por conta dos preconceitos impregnados em nossa cultura. Vivemos em um país machista e isso não mudará tão cedo. Thaís acrescenta que “o mercado publicitário apenas reflete a cultura do país. O que estamos fazendo é mostrar os riscos de endossar essa cultura machista e propondo caminhos alternativos”.

São vários os casos de propagandas que utilizam a imagem da mulher objetificada para influenciar decisões e levar à compra de produtos. Um exemplo que causou rebuliço na internet foi o anúncio da marca de cerveja Skol para o carnaval de 2015, no qual os dizeres “esqueci o ‘não’ em casa” foram acusados de fazer apologia ao estupro e reforçar a opressão à mulher. Depois do descontentamento da maioria, a marca optou por trocar a campanha.

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Cartaz de anúncio machista da Skol foi retirado de circulação (Créditos: Reprodução/facebook)

Os movimentos feministas – que visam à igualdade entre os sexos – vem ganhando cada vez mais atenção e conquistando inúmeros adeptos. Por meio dele, surgem possibilidades para lutar contra as diferenças que perpetuam na sociedade. É necessário promover a comunicação entre as pessoas, sem tabu algum, para que haja entendimento sobre o que acontece com as mulheres não só no mundo da publicidade, mas em uma esfera geral. E, deste modo, tentar educar o mercado de trabalho e, em conjunto, buscar novos caminhos.

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