ESPECIAL MANIFESTAÇÕES 2015 – Ato do último domingo teve apoio de políticos de oposição ao governo

Manifestação reuniu milhares de pessoas na principais capitais do país

Angelo Cherubini

No começo deste mês, o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) fez uma inserção na TV convocando os telespectadores para o ato organizado pelo Movimento Brasil Livre (MBL) que aconteceu no dia 16 de Agosto. O partido, que havia sido criticado pelo MBL pela ausência nas manifestações anteriores, agora participará de forma mais efetiva do protesto que pede, principalmente, o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Utilizando trechos da propaganda eleitoral do Partido dos Trabalhadores (PT) em 2014, a inserção tucana de 30 segundos apresentou promessas feitas por Dilma durante a campanha – entre elas o controle da inflação e a redução na conta de luz, ressaltando, em seguida, que “o PSDB apoia as manifestações de 16 de Agosto” e chamando a população para o ato.

Contudo, há controvérsias que envolvem a situação, já que a candidata do PT foi legitimamente eleita em 2014 e as investigações da lava-jato não provaram o envolvimento da presidenta nos esquemas de corrupção. Dessa forma, fica a questão: as manifestações são legítimas, mas a reinvindicação não.

Segundo Murilo César Soares, professor de Sociologia da Comunicação da FAAC, as inserções televisivas, uma vez que são legais e usam da verba do partido, não podem ser considerados um ato golpista e manifestações políticas e sociais são próprias do processo democrático e devem ser garantidas. De acordo com ele, o PSDB “aproveita o clima de rejeição à presidente, mas não dá uma diretriz política, a não ser a de participar genericamente de um ato público”.

Contudo, não existe base legal para o impeachment – tal acontecimento necessita de uma base legal e não apenas da fragilidade do Governo atual. Murilo diz que para superar a diminuição da sua base política, a presidenta tem se manifestado, juntamente com jurídicos e representantes de setores econômicos, a fim de se unir e restaurar a liderança do governo para superar a crise. Esse apoio deixa ainda mais distante a possibilidade do impeachment almejado pelos organizadores do ato de domingo.

Segundo declarações do PSDB, o apoio do partido não é ao impeachment e sim às investigações. Contudo, estas não se limitam a filiados do PT, tendo como suspeitos uma série de representantes partidários, inclusive da oposição. Segundo o professor, o congresso tem reagido de acordo com a linha de cada partido. “Os que são contra a presidente ressaltam que a população está indignada, os que apoiam a presidente devem dizer que manifestações são sinal da democracia e das liberdades em vigor. Há uma disputa pelo sentido das manifestações, não há uma reação uniforme”, afirma.

De qualquer forma, as manifestações aconteceram no último domingo (16) de forma pacífica – reunindo cerca de 465 mil pessoas em São Paulo, segundo dados da Polícia Militar .  O evento teve grande repercussão não só dentro, mas também fora do país e ainda gerou inúmeros debates e análises mais aprofundadas sobre o que foi a manifestação, como pesquisas sobre o perfil do público que participou, a possibilidade (ou não) do impeachment e a crise econômica pela qual o Brasil vem passando.

Divulgação/ PSDB

Divulgação/ PSDB

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