Acordo entre França e Rússia é cancelado devido imposição de novas sanções

Após oito meses de negociação, França retrata-se diante de países ocidentais

Gabryella Ferrari

No último dia 5 de agosto, o presidente da França, François Hollande, e Vladimir Putin, presidente da Rússia, cancelaram o acordo referente à compra de dois navios militares franceses pelos russos. O contrato que oficializava a venda foi assinado em 2011 e foi anulado devido às novas sanções impostas por países ocidentais à Rússia. O montante de 785 milhões de euros foi pago como adiantamento pela Federação Russa para a compra dos navios. O dinheiro foi devolvido após o cancelamento da transação, que era do valor de 1,2 bilhões de euros.

Foram oito meses de negociações até oficializarem o cancelamento do acordo. A França adiava o cumprimento do contrato e a entrega dos navios de guerra desde o fim do ano passado, quando o primeiro navio deveria ter sido entregue. O segundo seria entregue neste ano.

As sanções impostas à Rússia foram atribuídas pelos Estados Unidos (EUA) e seus aliados, também do ocidente. O motivo seria o possível envolvimento e participação russa no conflito no leste da Ucrânia. Nesta região se concentram grande parte de russos que resistem à submissão frente à União Europeia (UE), que é defendida pela outra parcela da população de origem ucraniana que reside no país.

Os equipamentos russos instalados nos navios Mistral também serão devolvidos ao país. (Foto: Pixabay)

Os equipamentos russos instalados nos navios também serão devolvidos ao país. (Foto: Pixabay)

O conflito entre Rússia e Ucrânia se destaca na região da Criméia, uma república ucraniana autônoma com a maioria da população de origem russa, que foi anexada pela Rússia em 2014. Ele se iniciou quando o então presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovich, preferiu firmar relações comerciais com a Rússia ao invés de assinar um tratado de livre-comércio com a UE, o que era esperado por parte da população ucraniana que protestou a decisão em manifestações.

A Ucrânia, estabelecida após a dissolução da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), passa por conflitos civis devido à questão do separatismo debatido entre russos e ucranianos além de uma crise econômica e política, que a fazem dependente de empréstimos para não ir à falência.

Lenina Pomeranz, doutora em Planificação Econômica pelo “Instituto Plejanov de Moscou de Planificação da Economia Nacional”, diz que a compra dos navios franceses se situa no programa de modernização militar da Rússia. Segundo ela, a França teria rompido o acordo entre os países da UE de bloquear a venda de materiais que podem ser utilizados para fins bélicos pelos russos.

 “A França faz parte do Ocidente e aprovou, no âmbito da UE, as sanções econômicas contra a Rússia, por conta da anexação da Criméia por este país. A venda dos navios tinha sido negociada antes e foi suspensa depois da aprovação dessas sanções, ainda que no início da aplicação destas a França até tenha pensado em manter o contrato de venda dos navios à Rússia”, afirma Pomeranz.

Quanto à crise na Ucrânia, a doutora declara em seu texto “A crise na Ucrânia”, que “neste quadro analítico mais amplo, a crise ucraniana constitui atualmente um dos eixos de fricção, de conotações dramáticas e de múltiplas consequências no cenário internacional. Não se trata somente das vidas humanas sacrificadas no decorrer da crise e do rumo que deverá seguir o país, mas também do novo quadro de relações internacionais que resulta da crise e de sua eventual solução. Ele se torna mais complexo e multifacetado do que ‘a guerra do bem contra o mal’ do contexto da Guerra Fria”.

Segundo ela, essa questão não influenciará o Brasil, pois o país faz parte com a Rússia do grupo dos países BRICS, que se mantiveram praticamente neutros em relação à aplicação das sanções econômicas contra a Rússia.

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