Transtorno Obsessivo-Compulsivo não é mania

Conhecido como TOC , a doença ainda é subestimada – muitos acreditam se tratar apenas de frescuras – enquanto na verdade se trata de algo sério e que demanda tratamento

Beatriz Milanez 

Quem nunca rotulou aquele colega sistemático como “o que tem TOC”? É comum pessoas confundirem o Transtorno Obsessivo-Compulsivo com hábitos individuais. Afinal, quando é que a mania passa a ser algo mais sério? Comportamentos repetitivos, até certo ponto, são normais, mas podem mascarar algum desvio psicológico mais grave.

Mania é sinônimo de hábito. Algo que é repetido tantas vezes, que, depois de algum tempo, passa a ser automático e a pessoa nem percebe o que está fazendo, de tão involuntário. Enquanto que o Transtorno Obsessivo-compulsivo, o popular TOC, é um distúrbio psiquiátrico de ansiedade, no qual a principal característica é a presença de crises recorrentes de obsessões e compulsões.

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Quem sofre com o transtorno propriamente dito lida com imagens e pensamentos intrusivos que atrapalham a rotina (Créditos: Pixabay)

O extremo do transtorno

Os portadores da doença sofrem com pensamentos e imagens que ocupam suas mentes, além de terem que lidar com a ansiedade. O jeito mais eficaz de controlar todos esses incômodos, para eles, é através de um ritual repetido inúmeras vezes.

A psicóloga clínica, Mauricéia Quinhoneiro, explica como funciona: “o conteúdo obsessivo consiste em pensamentos, imagens ou impulsos intrusivos com temas ameaçadores e improváveis. Já as compulsões são respostas comportamentais ou mentais repetitivas e intencionais experimentadas com aflição e urgência. A compulsão é usualmente disparada por uma obsessão e, num primeiro momento, diminui ou neutraliza os sentimentos de aflição e ansiedade gerados pela obsessão”.

Quem sofre com o TOC acredita que o ritual compulsivo poderá neutralizar as ameaças originadas a partir do conteúdo obsessivo. A psicóloga exemplifica: ”pensamentos intrusivos ameaçadores com o tema de contaminação, por exemplo, são combatidos com o ritual repetitivo de lavar as mãos”. A limpeza, aliás, é uma das áreas mais recorrentes dos rituais, assim como a verificação, a ordenação, a segurança e a acumulação.

Imagem 2 - TOC

Não é difícil encontrar alguém que sofra com a obsessão por limpeza, um dos rituais mais comuns entre os portadores de TOC (Créditos: Pixabay)

Faz pouco tempo que o TOC passou a ser estudado com mais afinco, uma vez que só os casos mais graves eram reconhecidos. Entretanto, hoje se sabe que são vários os tipos e níveis de transtorno. São dois os tipos mais conhecidos: Transtorno Obsessivo-Compulsivo Subclínico, que são quando as obsessões e rituais se repetem com frequência, mas não interferem na vida da pessoa; e o Transtorno Obsessivo-Compulsivo propriamente dito, que acontece quando as obsessões persistem até o exercício da compulsão, aliviando a ansiedade e atrapalhando, deste modo, a vida de quem sofre com a doença e de quem está a sua volta.

Descoberta e tratamento da doença

Não se sabe ainda qual é a causa definitiva do transtorno. Estudos estão sendo feitos sobre o assunto e muito se fala em uma soma de fatores biológicos, genéticos e o meio ambiente em que a pessoa se situa. Além desses, distúrbios psicológicos estão entre as possíveis causas.

Caso a pessoa venha a suspeitar dos sintomas, sejam eles preocupação excessiva com limpeza e higiene pessoal, dificuldade para cumprir horários e para realizar atividades de rotina, indecisão e pensamentos ameaçadores relacionados com morte, acidentes ou doenças, é recomendada a procura de um psicólogo ou psiquiatra.

Ao buscar ajuda profissional e receber o diagnostico da doença, deve-se iniciar o tratamento. Este, por sua vez, é baseado na associação de psicoterapia e medicamentos antidepressivos inibidores da recaptação de serotonina, que são os únicos medicamentos com eficácia comprovada. Já a terapia comportamental expõe o paciente às situações consideradas ameaçadoras, com o intuito de ajudá-lo a enfrentá-las sem recorrer aos rituais compulsivos para aliviar/neutralizar a ansiedade.

No entanto, um número significativo de pacientes não responde ao tratamento de exposição. Interrupção e não submissão às tarefas de exposição de boa parte dos doentes levou ao estudo de outras formas de tratamento, como a terapia cognitivo-comportamental (TCC). Nesta, segundo Mauricéia, o paciente é instruído a reconhecer as obsessões como pensamentos intrusivos e avaliá-los de forma correta e funcional. Deste modo, a pessoa passa a entender que a avaliação falha dos conteúdos intrusivos é o que leva à persistência das obsessões.

O apoio dos familiares também é fundamental, uma vez que paciente precisa se sentir confortável e incentivado a combater a doença, procurando caminhos que o levem de volta a uma vida saudável e equilibrada.

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