Semana Mundial de Aleitamento Materno

A edição de 2015 buscou compreender e encontrar soluções para as dificuldades enfrentadas por mães no ambiente de trabalho

Sofia Hermoso

A Semana Mundial de Aleitamento Materno, que em 2015 aconteceu durante os dias um e sete de agosto, é resultado de um documento chamado “Declaração de Innocenti”, criado em 1990, pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e a UNICEF. A Declaração surgiu da necessidade de implantar ações de combate à mortalidade infantil e incentivar a amamentação. Com a intenção de realizar as propostas, a Semana foi criada em 1992, pela Aliança Mundial de Ação pró-Amamentação (WABA).

O tema deste ano trata das mães trabalhadoras que amamentam e têm o intuito de discutir os problemas pelos quais essas mulheres passam e as possíveis soluções. Na maioria das vezes, elas não encontram apoio no trabalho, o que é prejudicial tanto para a saúde do bebê quanto para a da mãe. A Dra. Valdenise Calil, pediatra e neonatologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, explica: “Existe uma legislação que, infelizmente, não é obrigatória para as empresas, mas, podem ser montadas no local de trabalho salas de apoio à amamentação. São salas para a mulher ordenhar e armazenar o seu leite durante o horário de trabalho, em um local calmo, com um freezer para guardar e aproveitar o leite para dar à criança. Quando a empresa não tem essa sala de apoio, a mulher fica trabalhando em más condições, a produtividade diminui e, muitas vezes, ela tem que ordenhar o leite no banheiro e jogar fora”.

sofia

Pôster de divulgação da Semana Mundial de Aleitamento Materno de 2015. (Créditos: WABA/IBFAN Brasil)

A amamentação, essencial para a nutrição, digestão e proteção da criança, também é essencial para a mãe, pois reduz o sangramento pós-parto, o peso ganho durante a gestação, o câncer de mama, de ovário e de endométrio, além de fortalecer o vínculo entre mãe e filho. A OMS recomenda que o aleitamento materno como alimento exclusivo seja feito até os seis meses de idade, podendo depois ser complementado por outros alimentos até dois anos ou mais. “O desmame deve ser natural, dependendo da vontade da mãe e da criança”, afirma a Dra. Valdenise.

A Dra. ainda comenta alguns mitos e verdades sobre a amamentação, como o efeito anticoncepcional “que ajuda a espaçar as gestações, desde que o aleitamento materno seja exclusivo” e o uso de mamadeira “que pode fazer com que o bebê tenha um vício de sucção”, pois são diferentes os movimentos feitos para sugar a mamadeira e o seio da mãe.

Lei de proteção à amamentação

A lei que multa os locais que proíbem a amamentação em público, sancionada em abril deste ano pelo prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, é a primeira lei de apoio à amamentação do país. Um dos autores do projeto, o vereador Aurélio Nomura (PSDB), conta que outros vereadores de diversos Estados se mostraram interessados em apresentar projetos de Lei semelhantes.

“Eu achei muito boa a lei, porque tem que respeitar, é mãe. Não tenho nenhum problema com amamentar em lugar público, acho que você tem que amamentar em qualquer lugar, a criança tá com fome, você vai fazer o que?”, diz Ana Clara Herrera, mãe de Alice, de 4 meses.

sofia2

Ana Clara Herrera, 24 anos e sua filha Alice, 4 meses. (Créditos: Thiago Francisco Fraile)

Senac de Bauru realiza evento na Semana Mundial de Amamentação

A programação da Semana Mundial de Amamentação ocorre desde 1992 no Senac de Bauru. Neste ano, o evento ocorreu entre os dias 3 e 7 de agosto, e ainda contou com um evento extra, no dia 20 do mesmo mês. Em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de Bauru e o GAAME (Grupo de Apoio ao Aleitamento Materno Exclusivo), o Senac oferece anualmente várias oficinas e palestras sobre o tema.

Apesar de mundial, cada país e cidade tem sua especificidade e a possibilidade de discutir e propor novas soluções para a questão da mãe trabalhadora que amamenta. A docente de enfermagem do Senac e membro do GAAME, Ana Elizabete Neves, esclarece “muitas vezes você está propondo uma coisa, mas você tem que buscar de quem realmente está passando por isso, qual é a necessidade, para que realmente aconteça da melhor forma possível”. Em Bauru, por exemplo, não há nenhuma empresa que disponibiliza as salas de apoio à amamentação.

sofia3

Curso de Capacitação de Multiplicadores em Aleitamento Materno, oferecido pelo Senac de Bauru no dia 04 de agosto. (Créditos: Sofia Hermoso)

As sugestões para melhorar o ambiente de trabalho para essas mães e o incentivo à amamentação em geral, são discutidas durante o evento e levadas para a Câmara Municipal, como a implementação de uma lei semelhante à de São Paulo. “Nossa sociedade está muito aquém do que precisamos estar em relação a essa naturalidade da amamentação, que foi tão desvirtuada e virou um tabu, por machismo. É uma forma de subjugar, você subverter a mulher a não amamentar seu filho, a se esconder”, afirma Ana Elizabete.

Tanto no Senac, quanto mundialmente, a Semana Mundial de Aleitamento Materno acontece todo ano, em agosto. Para mais informações, acesse o site.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s