Crônica: Na calada da noite ela vem. Indecisão, para que te quero?

Thais Viana

Crônica

Sempre achei que as escolhas na vida significassem abandonar algum dos caminhos oferecidos. Esse é o problema, o que será que tem nos caminhos que abandonei? Eu não sei você, mas essa é uma das perguntas que sempre me aflige quando estou na cama, principalmente quando tenho que tomar “A” decisão. Obviamente a indecisão nunca vem sozinha, ela vem com uma dose de ansiedade, que me fará rolar pela cama e acabar em posição fetal.

Disseram me que a indecisão é porque sou da geração Y. Nasci em uma época de transição: sou da época da fita k7, mas também sou da época do MP3 e do Ipod. Em uma época em que as coisas mudam muito rápido, parece que temos que mudar rápido também. Estou na fase que posso fazer muitas escolhas, tenho muitas opções, no entanto, eu sou uma só. Deve ser por isso que tem muita gente da minha idade que entrou na crise dos 20 e poucos anos: Tenho muitas opções, mas não sei o que quero.

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A indecisão uma hora ou outra te fará uma visita. (Créditos: Pixabay)

Ficamos ali avaliando os prós e contras e não chegamos a nenhuma conclusão. Às vezes já sabemos a resposta, o que queremos, mas o medo e a influência de outras pessoas nos abalam e nos deixam assim, murchos, esgotados, ansiosos e chorosos. É muito difícil cortar um dos fios que nos separam de uma imensidão de possibilidades. Mas o que é a vida senão dúvidas, anseios e lutas?

É muita energia concentrada no X da questão. O X da questão que me fez mudar de cidade, que me fez seguir com a e b e deixar c e d para lá. Como teria sido o caminho da direita se eu o tivesse trilhado? Será que as pessoas estão felizes vivendo suas vidas naquela estrada que eu abandonei?

Aqueles dias em que a nossa vida parece um clipe, só falta a trilha sonora, ficamos ali observando as pessoas a nossa volta, na rua, no mercado, no ponto de ônibus, aquele vai e vem, aquele zunido. Aqueles rostos sem expressões absortos em seus expirais de indecisões. “Eu queria ter uma banda, mas eu tenho que fazer medicina”, “eu podia ser professora, mas isso não dá grana”, “eu corto o cabelo ou pinto primeiro? ”. E assim a vida vai girando…

Lembro me que a decisão mais difícil que tomei na vida até agora não foi a carreira profissional, não, ela veio de forma natural. Sou agraciada por isso. Sei que como boa geminiana posso mudar de ideia amanhã e entrarei novamente no espiral e talvez por completo na crise dos 20 e poucos anos. Mas como eu estava dizendo, a minha pior indecisão foi o vestibular.

Eu sabia o que queria, mas não superava o bendito obstáculo. Então, após três tentativas frustradas lá estava eu em cima do caminho, desistir ou seguir em frente? Para mim, desistir também é um ato digno. Eu não desisti, mas também não insisti na mesma coisa. É aí que está o segredo, mudar as estratégias. Muitas vezes a indecisão nos cega e não conseguimos ver outras possibilidades. Nem todo mundo precisa de uma faculdade para ser feliz, de um relacionamento para ser completo, de ostentar para se sentir importante, de muito dinheiro para sorrir e por aí as coisas vão.

Chego à conclusão que não importa a decisão que você tome: entre nela e viva plenamente. Somente você terá que lidar com as alegrias e a dores de suas escolhas.

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