O Fenômeno da Lua Azul

Descubra os equívocos e a beleza por trás desse acontecimento

Karina Francisco

(Blue Moon, segunda lua do mês não é exatamente azul como nessa foto. Créditos: morguefile)

 (Blue Moon, segunda lua do mês não é exatamente azul como nessa foto. Créditos: morguefile)

Na última noite do mês de julho o mundo assistiu ao fenômeno chamado Lua Azul. A última ocorrida foi em 2012 e a próxima será em Janeiro de 2018, sendo, portanto, um fenômeno considerado pouco raro.

Para os encantados e apaixonados por esse satélite natural, que está sempre presente nas histórias mais românticas, foi mais um dia para apreciá-lo e observá-lo. Porém, a lua não estava com o tom azulado que o nome sugeria. Essa confusão é causada por uma famosa expressão em inglês usada para fatos raros, “Once in a Blue Moon” (tradução: uma vez, numa lua azul), utilizada pela primeira vez em 1528, pelo dramaturgo inglês, William Shakespeare. Devido a sua raridade (não tão notável), a expressão passou a ser utilizada para essa lua que foi a segunda lua cheia do mês, um pequeno engano de um livro publicado em 1946, Sky and Telescope, que, apesar de estar errado, tornou o nome famoso.

Normalmente o ciclo lunar tem 29,5 dias, deixando cada semana de um mês com uma mudança de lua. Porém, ao final do ano teríamos 12,3 luas. Essa inexatidão numérica se acumularia e a cada 2 anos e meio, aproximadamente, teríamos 13 luas em um único ano. Ontem (sexta-feira, 31) tivemos a presença dessa lua “extra”, a segunda do mês, que seria o fenômeno lua azul. Além disso, desde a Idade Média a lua azul é envolta de misticismo pela Astrologia.

Entretanto, para os decepcionados, existe mesmo uma lua que fica azulada. Aliás, existem luas vermelhas, laranjas e amarelas.

A verdadeira Lua Azul

Para a lua de tom azulado realmente ocorrer, deve ocorrer a refração da luz. Que é quando grandes quantidades de pequenas partículas se espalham no ar, ou seja, com incêndio de florestas ou erupções de vulcões. Um famoso exemplo foi em 1883, com o vulcão Krakatoa, na Indonésia, a lua azulada durou várias noites devido a sua erupção catastrófica. As partículas continham 1 mícron de espessura, quase o mesmo comprimento de onda da luz vermelha. As partículas dispersaram essa luz no ar e permitiram o aparecimento do tom azul.

Outros exemplos são no México, em 1983, como vulcão El Chicon. Um incêndio em Alberta, Canadá, em 1953, que deixou até o Sol com um tom diferente e foi visto por toda América do Norte e Inglaterra. Além dos vulcões Monte St. Helen nos EUA, em 1980, e Pinatubo nas Filipinas, em 1991.

(Lua alaranjada normalmente mais baixa no horizonte. Créditos: morguefile)

               (Lua alaranjada normalmente mais baixa no horizonte. Créditos: morguefile)

Vermelha, Laranja e Amarela

Já a lua vermelha ocorreria com partículas um pouco menores que as da lua azul, interferindo na luz azul, e assim, deixando transparecer a luz vermelha. As luas vermelhas são muito mais comuns que as azuis e não precisam de desastres para acontecer. Quando a lua fica perto do horizonte, passa por uma camada mais espessa devido ao aerossol (partículas em suspensão) da atmosfera.

O caso da lua ter tons mais alaranjados ou amarelados está ligado ao fato de ela estar baixa no céu. Um “espalhamento de Rayleigh” (dispersão da luz por partículas maiores) da luz branca vinda do Sol e refletida pela Lua na Terra, o que também explica o fato do céu ser azul, pois o complemento da cor azul é a amarela. São luas muito mais comuns, mas mantém a mesma relação de refração e reflexão de cores.

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