As repúblicas na vida universitária

Vista como sinônimo de amadurecimento e festas, a rotina nas repúblicas desperta curiosidade

Beatriz Milanez

Preocupação com as notas no boletim no final do bimestre, indecisão na hora de escolher a carreira e a tensão nas provas do vestibular são denominadores comuns na vida de estudantes do país inteiro. Quem passa pelo terror dessa fase sabe o quão difícil é não ceder à pressão e o quão estressante é ter de tomar uma decisão tão importante na transição da adolescência para a fase adulta.

Quando sai a lista de aprovados da tão esperada faculdade que tudo começa a acontecer. Primeiro vem a felicidade, as brincadeiras e os trotes; sente-se o alívio e, depois, a ficha começa a cair: uma nova fase está por vir. Para aqueles que escolhem estudar longe do conforto de casa e dos pais, a mudança é ainda mais drástica. Ter que ir pra uma cidade desconhecida, conviver com novas pessoas, deixar pra trás famílias e amigos demanda muita vontade e muita coragem. Uma vez feita a escolha e criada a coragem, a maior parte dos estudantes opta por morar em repúblicas, isto é, casas ou apartamentos divididos entre eles.

Dividir uma casa com pessoas desconhecidas, a princípio, pode parecer assustador. Mas acontece que, muitas vezes, todos estão na mesma situação e acabam passando pelas mesmas aventuras juntos. A estudante de Engenharia de Produção, Maysa Nardy, de 20 anos, saiu de Bauru para estudar em Sorocaba e conta como está sendo a experiência: “No começo, tive um pouco de medo, porque achei que as pessoas não se adaptariam ao meu jeito. Sofri bastante com saudade da família, então falava com minha mãe por Skype todos os dias. Depois vi que não era a única a passar por isso e fui me acostumando”.

Maysa é integrante da república feminina Breja-Flor, que foi fundada em 2010 por sete amigas que cursavam Engenharia Florestal na Universidade Federal de São Carlos (UFScar).O nome surgiu como referência ao gosto em comum pela bebida e ao curso das amigas. Hoje, a república é composta por 8 meninas de diferentes cursos.

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Quem serve de mascote da república feminina é a própria bandeira, carregando o nome e o símbolo da casa. (Créditos: Amanda Kühl)

Os prós e contras de se morar em república

Na Breja (como a república é popularmente conhecida), as meninas dividem o total de quatro quartos, ou seja, duas por quarto. Maysa vê nesse ponto uma das desvantagens: “por ter de dividir quarto com outra pessoa, acaba faltando privacidade. Às vezes quero ficar sozinha, por exemplo, e não posso. Falta individualidade”. É comum, também, o aparecimento de outros problemas: dificuldade para se concentrar nos estudos, algumas brigas por coisas cotidianas que acontecem devido às diferenças de cada pessoa e a falta de uma rotina preestabelecida podem acabar atrapalhando.

Por outro lado, junto da mudança drástica vem o amadurecimento individual. Têm-se a possibilidade de aprender a lidar com pessoas diferentes, a ser mais paciente e a respeitar os outros. Maysa acrescenta: “melhorei muito quanto a questão de me relacionar com os outros. Aprendi a respeitar as diferenças em nome da boa convivência na casa”. Pode-se dizer que em uma república é muito raro alguém se sentir sozinho, porque sempre tem outra pessoa por perto. Aliás, na Breja-Flor, todo ano, são feitas brincadeiras logo na primeira semana de aula com as calouras para que haja uma integração. E é daí que muitas amizades surgem.

Morar longe dos pais, com novas pessoas e experiências são fatores que, além de trazerem uma sensação de liberdade, fazem com que novas responsabilidades sejam adquiridas: administrar o dinheiro, cuidar dos serviços de casa e se localizar na cidade nova são só alguns exemplos. Sem contar que dividir as despesas com mais gente facilita muito na hora de fazer organizar o orçamento.

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Integrantes e agregadas da República Breja-flor, da esquerda para a direita: Samanta Verhaeg, Beatryz Rodrigues, Paula Satie, Katherine Demetrio e Maysa Nardy. (Créditos: Renata Pelegrini)

Como funciona a vida em conjunto

Na república de Sorocaba, são dividas todas as contas por igual, incluindo as custas da diarista da casa, a tia Rita, que faz o serviço de limpeza geral uma vez por semana. Nos dias sem a ajudante, cada menina fica responsável por aquilo que faz. Se sujar, limpa. As compras de mercado são feitas individualmente, já que cada uma tem seu gosto. Mas utensílios de uso comum, como arroz e papel higiênico, são divididos entre todas. As famosas festas de república também acontecem na Breja-Flor e, como em outras repúblicas, servem para o lazer e para ajudar nas despesas da casa.

Algumas regras foram estabelecidas para a boa convivência: tudo deve ser decidido em conjunto. Se alguém não quer algo, mudam-se os planos; cada uma deve se responsabilizar por aquilo que faz. Lavar a louça que sujou e tirar o lixo são obrigações de todas; nada de animais de estimação, uma vez que ninguém se disponibiliza para cuidá-los; todas devem ajudar caso tenha alguma festa na casa, já que todas são responsáveis pelo ambiente;

Pode-se dizer, então, que, para passar por essa fase sem muitos problemas, é necessário certo jogo de cintura e agir com calma e naturalidade. A vida universitária é cheia de surpresas e novidades, por isso deve ser aproveitada ao máximo. Prezar pela boa convivência é fundamental, uma vez que é necessário aprender a conviver em grupo. O amadurecimento vai surgir com o tempo e, como ele, chega a vida adulta. São alguns anos que valem a pena, independentemente das dificuldades, e que marcam a vida de qualquer estudante.

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