Crônica: O gigante acordou, mas e o orgulho de ser brasileiro?

Beatriz Kuroki

Aqueles que me conhecem sabem da minha paixão por viagens, por outras culturas e como sou curiosa para sair explorando o mundo afora. Como quero viver em um outro país por um tempo, passar por experiências que não podem ser encontradas dentro do território nacional e como espero passar por inúmeros países diferentes o quanto antes.

Mas no meio de tudo isso, vem minha admiração pelo Brasil. Sim, exatamente isso, admiração. É claro que nosso país não é perfeito, e está bem longe de ser, pois tem seus incontáveis defeitos dentro da sociedade, da política e de sua própria cultura e história.

Uma grande maioria da população tende a ressaltar os defeitos perante as coisas boas que o país tem a oferecer. Isso aumenta o pessimismo e a falta de confiança pela própria nação, o que pode se encaixar na descrição do “complexo de vira-lata”, o qual Nelson Rodrigues citou em um de seus textos após o Brasil ser derrotado na final da Copa de 50. A pergunta que fica é: por quê?

Ter orgulho de seu país é um dos melhores sentimentos. (Créditos: Arquivo pessoal/ Beatriz Kuroki)

Ter orgulho de seu país é um dos melhores sentimentos. (Créditos: Arquivo pessoal/ Beatriz Kuroki)

Porque talvez o brasileiro tenha uma autoestima baixa, não entenda do que somos capazes. Talvez não saiba a realidade de outros países e não possua uma visão muito aprofundada sobre uma determinada cultura antes de falar que ela é melhor que a nossa própria.

Há uns 3 anos, morei um tempo nos Estados Unidos, vivendo dentro dessa cultura que quase todo o mundo leva como inspiração. Lá, uma das minhas “tias”, que, inclusive, possui muitos carimbos em seu passaporte, começou uma conversa comigo elogiando o Brasil, citando que nunca havia sido tratada da maneira carinhosa como os brasileiros a receberam, ressaltando como a simpatia daqui era algo notável; e deixou claro que voltaria o quanto antes para “essa terra maravilhosa”. E, sinceramente, aquela não era a primeira vez que eu ouvia um gringo falando bem do nosso país.

Se estrangeiros podem notar as coisas boas do Brasil, por que um nativo não pode acreditar no potencial do nosso país e parar de achar que nós, brasileiros, somos “vira-latas”?

“Ah, mas eu defendo meu país”. Falar isso durante a Copa do Mundo, vestindo a camiseta da seleção que só sai do guarda-roupa a cada quatro anos, não faz de você um nacionalista orgulhoso.

O número de pessoas que enxergam o Brasil de uma maneira negativa não é pequeno, mas, até aí, nada no mundo agrada cem por cento dos gostos. Com a nossa cultura não seria diferente – há aqueles que têm orgulho de ser quem somos, e outros que não conseguem fazer nada além criticar cada ato praticado pelo nosso povo. E um dos maiores problemas dentro da nossa realidade é que a grande maioria dos brasileiros se encontram na segunda opção.

Seria bom se todos abrissem os olhos e vissem esse país lindo, onde não há guerras, nem sofrimentos com desastres naturais na proporção que muitos de nossos vizinhos de continente sofrem; que possui “uma paisagem mais bonita que a outra” de norte a sul, leste a oeste, e onde o povo é amável e sabe lidar com quase todo o tipo de cultura.

Poderia passar horas citando coisas positivas sobre o Brasil, mas tenho coisas pra fazer, começando com a mudança de canal, no qual está passando um “Especial Ed Motta”.

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