ESPECIAL Mulheres na Arte: Lado B: o talento por trás de jornalistas

Nem só de homens vive o meio artístico e, aproveitando as recentes homenagens às mulheres, um parecer sobre algumas delas inseridas nesse mundo

Mariana Pellegrini

Não é só porque o mês de março se foi que as mulheres não precisam ser homenageadas. A luta para que esse gênero seja reconhecido vem de muito tempo e até hoje não recebe o merecido destaque. Buscando mulheres que se sobressaem no meio universitário, mais especificamente na UNESP Bauru, três foram entrevistadas a respeito do que é ser mulher, inclusive no mundo artístico, e da sua relação com a arte. Dentre as entrevistadas estão Tamiris Volcean, Gabriela Passy e Fernanda Luz.

Tamiris Volcean

Depois de ter a liberdade de criar e escrever restringida pela Biologia, que cursava na USP de Ribeirão Preto, decidiu buscar outros caminhos e esbarrou no jornalismo. Com 22 anos, Tamiris atualmente cursa Jornalismo na UNESP Bauru. No primeiro ano, já se tornou integrante do Movimento Empresa Júnior, atuando na parte de Marketing. Hoje, trabalha com a mesma área na Lettera Comunicação Estratégica (agência full service de assessoria de imprensa e publicidade). Ainda assim, a moça arranja tempo para escrever para o Lizt, um blog de cultura pop, fazer resenhas de livros para uma editora paulista, escrever num blog pessoal e manter uma página.

Tamiris Volcean. (Foto: Reprodução Facebook)

Tamiris Volcean. (Foto: Reprodução Facebook)

Para ela, “ser mulher é abstrato e, ao mesmo tempo, tão concreto”. Com definido/ concreto, Tamiris refere-se à estereotipação das mulheres, ao comportamento padrão que é imaginado e idealizado para que o sexo feminino atue na sociedade. Na luta para romper os padrões, chega-se ao abstrato, em que “somos obrigadas a criar nosso próprio espaço”.

Sua relação com a arte começou cedo, tendo influência da profissão da mãe – que é professora e pedagoga. A estudante conta que, quando criança, apreciava escrever contos de ficção e depois de uni-los, grampeá-los, transformando-os em pequeninos livros. A paixão pelas crônicas desenvolveu-se aos 14 anos, quando começou a formular textos do gênero sobre assuntos variados.

Desde então, não há um dia que passe sem escrever, sobre todos os assuntos. Tamiris afirma que quando não passa palavras para o papel, sente que elas expandem dentro de si e, portanto, é necessário escrevê-las.

Imagem de divulgação de um dos posts de Tamiris para o seu site. O texto é encontrado na íntegra em http://goo.gl/elPtYF (Foto: Reprodução Facebook)

Imagem de divulgação de um dos posts de Tamiris para o seu site. O texto é encontrado na íntegra em http://goo.gl/elPtYF (Foto: Reprodução Facebook)

Inicialmente, a moça escrevia para um blog – sobre quadrinhos e cinema- composto especificamente por homens, pois, em 2006, “isso ainda era assunto de homem. Poucas meninas expressavam suas opiniões”. Seus textos eram duplamente revisados e sua credibilidade, testada. Atualmente, trabalhando no Lizt, nota que o número de mulheres e a credibilidade das mesmas aumentou nos blogs.

A escrita é vista como essencial na vida de Tamiris, que vê o ato como natural, acontecendo de maneira quase inconsciente, não conseguindo definir uma maneira de escrever seus textos.

Fernanda Luz

Com 22 anos, Fernanda está no último ano de Jornalismo na UNESP Bauru. Trabalha como colaboradora na TV Unesp e tem, juntamente com quatro amigos, um coletivo que lida com fotografia comercial, o Tertúlia Fotografia.

Sempre transitando entre sentimentos e vontades, Fernanda diz ir se conhecendo (ou aborrecendo). Mesmo tendo apresentado interesse pelo ato de fotografar desde pequena, descobriu que poderia amar e trabalhar com o universo da fotografia há pouco tempo, mais precisamente no início da faculdade. Como é algo que não se esgota de fazer, a estudante pretende trabalhar com Fotografia no fotojornalismo, na fotografia de cinema ou na comercial.

Uma das fotografias tiradas por Fernanda, refletindo seu talento. (Foto: Reprodução Facebook)

Uma das fotografias tiradas por Fernanda, refletindo seu talento. (Foto: Reprodução Facebook)

“Sempre gostei de fuçar nas câmeras antigas, enquadrar, tirar muitas fotos e nem sempre de mim, mas retratando meu dia a dia. E foi durante a faculdade que eu vi que sou muito feliz clicando, conversando, vendo, lendo e escrevendo sobre essa arte que me fez apaixonar cada vez mais pela vida e me deu sentido para o que eu quero trabalhar”, afirma a fotógrafa.

Para Fernanda, ser mulher vai além de ser feminina: é conquistar e ser representada. É também estar próxima de mulheres fortes, dar força às outras, é a troca de conhecimento entre meninas e mulheres. A fotógrafa acredita que se tornou o que é hoje devido a outras mulheres que lhe foram inspiradoras e tem a esperança de ser fonte de inspiração algum dia.

Na fotografia, ela acredita ter aprendido a ser observadora e, às vezes, prefere pensar que se tornou fotógrafa e jornalista porque observa tudo, tirando fotos sem a necessidade de uma câmera, reparando em contrastes e possíveis histórias. “A fotografia me leva a viajar, a explorar, a contar histórias e a fazer arte, se podemos chamar assim”, diz.

Fernanda Luz. (Foto: Reprodução Facebook)

Fernanda Luz. (Foto: Reprodução Facebook)

Vez ou outra, Fernanda enxerga uma barreira para expandir suas possibilidades quando se vê no futuro ou em certas situações, como querer fotografar em lugares de risco (guerra ou conflitos), espaços onde a mulher está mais suscetível a algo ruim do que um homem, pelo simples fato de ser mulher. Assim, por medo, acaba seguindo por outros caminhos.

Gabriela Passy

Estagiária na TV Unesp, onde dedica suas manhãs de segunda, terça, quinta e sexta na produção do Unesp Notícias, Gabriela está no oitavo semestre do curso de jornalismo da UNESP Bauru. Aos 22 anos, já dedicou três de sua graduação à Companhia Estável de Dança de Bauru, com incríveis experiências, evoluindo como pessoa e dançarina, tendo seu tempo como bailarina semi-profissional. Hoje em dia é aluna do DEA (Divisão de Ensino às Artes) da Secretaria da Cultura de Bauru e alterna seus dias com ballet clássico e jazz.

Gabriela Passy.  (Foto: Reprodução Facebook)

Gabriela Passy. (Foto: Reprodução Facebook)

Para ela, ser mulher é um desafio diário, como quando a ofendem no trânsito, em que é assediada ou quando olham torto para sua pele sem depilação. Ao ouvir histórias de mulheres que sofreram ou foram oprimidas pelo machismo, sente a dor da outra como se fosse a sua. “Muitas vezes já desejei ter nascido com um pinto no meio das pernas”, diz Gabriela. A dançarina afirma que, ao poucos, foi e vai aprendendo a procurar apoio naquelas que podem apoiá-la – outras mulheres – e fala que é sorte que tenham umas às outras.

A moça lembra que artistas são, muitas vezes, vistos como vagabundos, algo que é histórico e em diversas situações seus trabalhos não são reconhecidos. No caso das mulheres, se agrava ainda mais devido ao machismo. Gabriela relata sentir, com frequência, que numa apresentação de dança, os corpos e aparência parecem ser mais relevantes que o sentimento que está querendo ser transmitido, seja pela coreografia, pelo esforço ou pela expressão.

Gabriela em uma de suas diversas apresentações de ballet. (Foto: Tathi Oliveira/ Reprodução Facebook)

Gabriela em uma de suas diversas apresentações de ballet. (Foto: Tathi Oliveira/ Reprodução Facebook)

Seu envolvimento com o ballet clássico foi aos 13 anos e desde então já teve contato com o ballet contemporâneo e com o jazz. A dança é o espaço em que ela se permite ser, ser quem ela realmente quer ser, desligando-se de todo o resto e concentrando-se somente na dança e, segundo ela, não é possível mais viver sem essa parte da vida.

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