Benjamin Netanyahu volta atrás sobre Estado palestino

Premiê havia declarado, antes das eleições, que não permitiria a criação de um Estado palestino se fosse reeleito

Heloísa Scognamiglio

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, mudou o discurso e negou que vá impedir a criação de um Estado palestino. A declaração ocorreu na quinta-feira, 19 de março, apenas dois dias depois de sua reeleição. Na véspera do pleito, quando as pesquisas indicavam que seu partido seria derrotado, Netanyahu surpreendeu ao afirmar que a criação do Estado palestino não ocorreria em seu mandato, caso ele fosse reeleito. Ele justificou dizendo que isso tornaria Israel “mais vulnerável a ataques do extremismo islâmico”.

O presidente americano, Barack Obama, que ligou para cumprimentá-lo pela vitória nas eleições, reafirmou que os Estados Unidos têm um compromisso com a ideia dos dois Estados, considerando-a a melhor solução para o conflito que ocorre no Oriente Médio. Mesmo com o cumprimento, a Casa Branca criticou Netanyahu, sinalizando que continua em profunda discordância com o premiê sobre questões que vão desde o processo de paz no Oriente Médio até as negociações nucleares com o Irã.

Em 2009, o próprio Netanyahu fez um discurso defendendo que a melhor solução para o conflito seriam os dois Estados. Para Fábio Metzger, doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo, ao romper com esse discurso em uma data tão próxima à eleição, Netanyahu estava fazendo uma última tentativa de reverter o crescimento da oposição, apelando para a porção do eleitorado caracterizada por ser mais nacionalista. “Também vamos nos lembrar da dinâmica do eleitor indeciso, nesses momentos cruciais: um político na liderança ou próximo dela nas pesquisas consegue capitalizar mais rapidamente esse nicho do eleitorado”, acrescenta ele.

Candidato à reeleição em Israel diz que não haverá criação de um Estado Palestino em seu mandato - Imagem1 (1)

“Todos aqueles que querem a criação de um Estado palestino e a retirada desses territórios deixam essas áreas vulneráveis a ataques de extremistas islamitas”, afirmou Benjamin Netanyahu (Créditos: Ronen Zvulun/Reuters)

Juntamente com a declaração de que não haveria a criação do Estado palestino em seu mandato, o premiê israelense também prometeu continuar a construir casas para colonos na Jerusalém Oriental ocupada. Essa medida tinha o objetivo de impedir a divisão da cidade e o possível estabelecimento de uma capital para os palestinos em sua parte oriental. Netanyahu acusou seus adversários nas eleições de quererem dividir a cidade e afirmou que ele e seu partido não permitiriam e preservariam a unidade de Jerusalém.

A colonização ou construção de assentamentos civis nos territórios ocupados ou anexados por Israel são consideradas ilegais pela comunidade internacional. No entanto, Netanyahu continuava inabalável a respeito de Jerusalém Oriental, onde os palestinos querem estabelecer a capital do Estado a qual aspiram.

Para Metzger, a recuada de Netanyahu, logo depois de sua reeleição, está relacionada às recentes declarações do governo dos Estados Unidos, que questionavam Israel. “As relações entre a administração Obama e Netanyahu têm sido as piores possíveis desde que Estados Unidos e Israel consolidaram a sua aliança em 1967 e, independentemente do desgaste entre as duas administrações, Netanyahu sabe o quanto essa aliança é fundamental para a segurança do país”, explica.

Ele ainda completa dizendo que há uma clara paralisia nas negociações para o estabelecimento do Estado da Palestina, mas, aos poucos, países da América Latina, África, Ásia e da União Europeia vão o reconhecendo. A Palestina já possui status de Estado observador na ONU. Enquanto isso, a relação entre Israel e Estados Unidos vai se deteriorando cada vez mais.

No último dia 25 de março, o presidente Reuven Rivlin encarregou oficialmente Benjamin Netanyahu de formar o próximo governo. Ele tem 28 dias, que podem ser estendidos a mais 14, para constituir a equipe governamental. Depois do anúncio, o premiê garantiu que quer paz com os palestinos, mas, ao mesmo tempo, o Estado de Israel tem que continuar sendo forte. Metzger afirma que ainda não é possível saber como a reeleição de Netanyahu afetará as relações dos países. “Vai depender do tipo de coalizão que Netanyahu irá conseguir construir; está em jogo o apoio dos Estados Unidos, o eleitorado que elegeu os participantes do gabinete e a posição de Israel e da Palestina no mundo”, diz.

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