Perigos do álcool: as consequências da substância no organismo

Saiba os cuidados necessários para um consumo adequado e os efeitos da droga no corpo humano

Helena Botelho

Usualmente ligado a bons momentos, o álcool é consumido pelos homens há centenas de anos, quase sempre com a finalidade de aproveitar o estado de embriaguez causado pela substância. A primeira bebida alcoólica foi criada na Pré-História, após a invenção da cerâmica. Diversas civilizações ao longo dos séculos mantiveram a produção de bebidas e, desta forma, a cultura do álcool desenvolveu-se juntamente às sociedades humanas.

Geralmente, o consumo dessa substância sempre foi regulado de alguma forma, mas cada vez mais devemos discutir os problemas de saúde ligados à ingestão de bebidas alcoólicas.

A produção de bebidas alcoólicas acontece há milhares de anos. (Créditos: MorgueFile)

A produção de bebidas alcoólicas acontece há milhares de anos.
(Créditos: MorgueFile)

Consumo no mundo

Embora seja legalizada na maior parte do planeta, a substância tem seu consumo observado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). A unidade de álcool adotada pela organização considera que a dose padrão de álcool puro é de 10 a 12g, o equivalente a 330 ml de chopp, 100 ml de vinho ou 30 ml de destilados. Em um relatório emitido em 2010, a organização afirma não haver quantidade segura para a ingestão da droga. Segundo o relatório, se o indivíduo bebe, há risco de problemas de saúde, especialmente se ele bebe mais de duas doses (20 – 24g de álcool) por dia e se não deixa de beber ao menos dois dias por semana. O termo “consumo moderado”, presente no relatório, refere-se a um consumo inferior a uma dose por dia.

Outro relatório da OMS, de maio de 2014, divulgou informações sobre o uso de álcool no mundo. Estima-se que, globalmente, o consumo feito por pessoas de 15 anos ou mais tenha sido de cerca de 6,2 litros de álcool puro em 2010, o que equivale a 13,5 g por dia, representando um abuso da substância.

No Brasil, a quantidade consumida é superior à média mundial: em um ano, os homens ingerem em torno de 13,6 L e as mulheres, 4,2 L em termos de álcool puro.

O consumo de álcool no Brasil ultrapassa a média mundial (Créditos: Helena Botelho)

O consumo de álcool no Brasil ultrapassa a média mundial.
(Créditos: Helena Botelho)

Ainda, a recomendação da organização é que a ingestão de bebidas alcoólicas não deve ser feita por pessoas que:

– Estejam grávidas ou amamentando;
– Venham a dirigir, operar máquinas ou realizar outras atividades que necessitem de total atenção pouco tempo após o consumo;
– Apresentem problemas de saúde que podem ser agravados pela substância;
– Façam uso de remédios que podem sofrer alterações devido à reação com o álcool;
– Não consigam controlar seu consumo.

Efeitos no corpo

As consequências do uso de álcool são notáveis tanto por quem o consome quanto por quem observa terceiros consumindo. A curto prazo, o embaralhamento da consciência é um dos primeiros efeitos no organismo humano, seguido por falhas de atenção e concentração.

Segundo o professor de Biologia Luis Gustavo Megiolaro, a substância atua no cérebro como um depressor e afeta diversos neurotransmissores: “O álcool carregado pelo sangue chega ao cérebro e estimula os neurônios a liberarem uma quantidade extra de serotonina, neurotransmissor que regula o prazer, o humor e a ansiedade; por isso, um dos primeiros efeitos do álcool é deixar a pessoa desinibida e eufórica”.

O professor explica também que se a pessoa continua bebendo, o álcool inibe a liberação do glutamato, o responsável pelas transmissões rápidas, o que desregula o neurotransmissor responsável pelo tônus muscular chamado GABA. Com isso, a pessoa perde a coordenação e até o autocontrole.

O cérebro sofre diversas alterações após a ingestão do álcool, especialmente em relação aos neurotransmissores. (Créditos: MorgueFile)

O cérebro sofre diversas alterações após a ingestão do álcool, especialmente em relação aos neurotransmissores.
(Créditos: MorgueFile)

O álcool também traz malefícios a longo prazo. Seu consumo debilita diversos órgãos do corpo, especialmente o fígado, responsável pela destruição de substâncias tóxicas ingeridas por um indivíduo ou produzidas durante a digestão. Luis Gustavo acrescenta: “O consumo excessivo de álcool estimula o organismo a produzir substâncias semelhantes à adrenalina, que tem como uma das funções aumentar a pressão arterial, podendo ocasionar outros problemas para a pessoa”.

Fora do papel de vilão

É interessante ressaltar que, apesar de todos os cuidados necessários com o consumo do álcool, existem pesquisas que mostram que há benefícios relacionados à ingestão da substância, mas sempre baseadas em uma ingestão moderada e de bebidas específicas, como o vinho.

Moderadamente, as bebidas alcoólicas podem trazer benefícios para quem as ingere. (Créditos: MorgueFile)

Moderadamente, as bebidas alcoólicas podem trazer benefícios para quem as ingere.
(Créditos: MorgueFile)

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