O mundo na ponta da língua

Como o domínio de vários idiomas tem poder de quebrar barreiras e aproximar pessoas

Luana Brigo

Não é de hoje que a língua tem a capacidade de integrar pessoas e permitir o contato com outras culturas. No entanto, as diferenças entre os idiomas acabam por estabelecer barreiras que somente deixam de existir através da aprendizagem de línguas estrangeiras. O idioma de referência para aproximação entre pessoas de diversas nacionalidades é o inglês. Matéria obrigatória em unidades de ensino público e privado, o inglês se tornou parte essencial da vida profissional, acadêmica e pessoal de um indivíduo.

Intercâmbios: experiência de vida e chance de se conectar com pessoas de diferentes nacionalidades (Créditos: Chá com bolacha)

Intercâmbios: experiência de vida e chance de se conectar com pessoas de diferentes nacionalidades (Créditos: Chá com bolacha)

O conhecimento de uma língua estrangeira é um requisito básico, tem o poder de trazer benefícios e abrir novas oportunidades. A coordenadora da escola LondonEye English School de Bauru Emy Obara discorre sobre o assunto: “A partir do momento que você tem essa língua estrangeira, independente de qual ela seja, ela já vai abrir espaços e diferenciais para o mercado de trabalho e vida pessoal. Você pode viajar, entender uma música e fazer novas amizades”. Segundo Obara, com o inglês é possível abordar diversos assuntos em qualquer lugar do mundo, atingindo um novo nível de comunicação.

É justamente por se viver em um mundo altamente globalizado que as distâncias se tornaram cada vez menores e a comunicação ainda mais presente. Seja no mundo virtual ou não, as pessoas necessitam de ferramentas para se comunicar. Diante disso, o professor e coordenador da escola de idiomas Wizard de Bauru Daniel Montenegro comenta a respeito: “Saber pelo menos uma língua estrangeira te permite travar esse contato e expandir a sua cultura, e na área profissional o próprio mercado exige que você trave contatos cada vez mais com o exterior”.

Frente à crise econômica em que vivemos, Montenegro afirma que há uma tendência de abertura de mercados para que busquemos novas alternativas e escapemos da crise.

Saber vários idiomas nos permite tomar diferentes rumos. (Créditos: viagens e destinos)

Saber vários idiomas nos permite tomar diferentes rumos. (Créditos: viagens e destinos)

Explorando além do inglês

O inglês ainda é o idioma mais procurado dentre as pessoas, em especial por sua característica de idioma comercial e alcance mundial. O início do aprendizado de tal idioma acontece muitas vezes quando ainda crianças. O inglês tem capacidade de suprir grandes necessidades desses jovens na entrada no mundo acadêmico.

Entretanto, Daniel Montenegro ressalta a importância de um diferencial: “Temos analisado o mercado e saber inglês já não é mais um ‘up’ do currículo, ele é obrigação. Se você não sabe inglês seu currículo muitas vezes nem é levado em conta, dependendo da área para qual você vai atuar.” Ele completa mencionando idiomas que também marcam presença no currículo dos jovens. “Temos que lembrar que somos o único país da América Latina que fala português. Há procura pelo espanhol por conta disso e também de línguas mais específicas para cada carreira. Por exemplo, o pessoal de engenharia mecânica tem procurado mais o alemão devido a oportunidades fora ou dentro do Brasil; já o pessoal de arquitetura, o francês.”

Para Montenegro, outro idioma que apresentou um grande crescimento foi o mandarim. Apesar de seus caracteres serem bem distintos dos de outros idiomas, nota-se que cada vez mais pessoas têm curiosidade em aprendê-lo.

De malas prontas: sobre passaportes e literatura

As línguas estrangeiras não possuem utilidade somente no mundo profissional e acadêmico, mas também servem de janela para o conhecimento de outras culturas. Os problemas de comunicação fazem a vez em viagens internacionais, seja com a família, seja por intercâmbio. O que deveria ser um período de relaxamento pode trazer dores de cabeça, principalmente quando se é necessário pedir informações básicas. Esses transtornos podem ser evitados facilmente caso a pessoa tenha ao menos conhecimento da língua inglesa, como menciona Montenegro: “O fato de não se conhecer pelo menos a língua inglesa faz com que as pessoas não aproveitem muito as oportunidades que aparecem. Ela acaba sendo o turista que vai visitar a Disney, andar em brinquedo e falar ‘portunhol’, mas não trava contato direto com a língua, não mergulha dentro daquela cultura.”

Falar o idioma nativo de um país que se está visitando faz o turista o ver com outros olhos. “É falando francês que se conhece a verdadeira Paris”.

Essa aproximação cultural também é feita mesmo sem carimbos no passaporte, basta se ter um bom livro à mão. A leitura de “Crime e Castigo” do escritor russo Fiódor Dostoiévski não é das mais habituais e em grande parte é realizada graças a tradução. Mesmo que a leitura da obra no original seja mais trabalhosa, o leitor que se aventurar por essas águas terá acesso a informações mais precisas. De tradução em tradução a obra corre o risco de perder certos detalhes e expressões que são traduzidas para o literal e acabam perdendo seu sentido original. O mesmo provavelmente ocorreria se tentassem traduzir nosso “Macunaíma” para outras línguas.

Fernweh é uma palavra de origem alemã. Ela não possuí uma tradução literal e precisa, mas é utilizada para descrever "a vontade de viajar; saudades de um lugar onde você nunca esteve”.  (Créditos: time of solitude)

Fernweh é uma palavra de origem alemã. Ela não possuí uma tradução literal e precisa, mas é utilizada para descrever “a vontade de viajar; saudades de um lugar onde você nunca esteve”.
(Créditos: Time of solitude)

Está claro que hoje em dia dependemos mais do conhecimento de línguas estrangeiras. O inglês ainda é o carro-chefe dessa ponte estabelecida entre pessoas de diferentes nacionalidades. Ele não é mais um luxo de poucos, mas “obrigatório” a todos que desejam estar à par das necessidades do mercado de trabalho. A questão agora é que sua presença única como língua estrangeira não se sustenta. É preciso que haja diferencial, um interesse maior pelo novo. A facilidade nas comunicações tornou evidente a necessidade de se conhecer outras culturas, e não há nada melhor para propiciar isso do que o aprendizado de suas línguas. Sem que percebamos, o mundo, sem dúvida, está na ponta da língua.

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