O dia mais louco do futebol americano

Na terça-feira, o mercado da NFL teve uma de suas maiores surpresas com o Free Agency desta temporada

André Magalhães

No dia último dia 10, o mundo do futebol americano se preparava para o início da Free Agency da NFL. É o período em que os times podem se reforçar trazendo jogadores chamados de free agents, ou seja, que estão sem contrato por não aceitarem propostas de renovação de seus antigos times. É o principal mecanismo, junto do Draft, de trazer reforços de impacto. E é também a oportunidade dos grandes jogadores ganharem muito dinheiro. Ndamukong Suh, considerado um dos melhores Defensive Tackles da NFL, assinou um contrato com o Miami Dolphins que garante sessenta milhões de dólares imediatos. Esperava-se que a corrida pelos jogadores começasse com o despertar da free agency, mas a liga enlouqueceu alguns minutos antes.

Jimmy Graham não vestirá mais esse uniforme depois dessa semana. (Foto: Chris Graythen/Getty Images)

Jimmy Graham não vestirá mais esse uniforme depois dessa semana. (Foto: Chris Graythen/Getty Images)

Para contextualizar: a outra maneira de obter um jogador na NFL, assim como nas ligas americanas, é fazendo trocas. Estas trocas podem ser feitas usando jogadores ou escolhas do draft. A NFL é uma liga bem conservadora com relação a trocas, normalmente não existem grandes transações do tipo. Em sua maioria, envolvem escolhas baixas de draft e jogadores que não são considerados reforços de peso. Para ter uma noção, das 16 trocas realizadas (já é um número baixo) na temporada passada, excluindo as trocas feitas no dia do Draft, 13 envolveram escolhas. Não existe a mesma agressividade como na NBA, em que trocas envolvendo grandes jogadores de até três times costumam acontecer na temporada. O que é compreensível, levando em conta o fato de que, na NFL, os jogadores precisam se adaptar a novos estilos de jogo e a novos playbooks.

Uma semana antes, uma troca já havia chocado o mundo da NFL. O Philadelphia Eagles trocou o Running Back LeSean McCoy, um dos melhores jogadores de seu elenco, pelo jovem e promissor Linebacker Kiko Alonso, do Buffallo Bills. Não se falava em outra coisa além da troca, pelo fato de envolver dois jogadores importantes para cada time. Mas esperava-se também que esse espírito de trocas fosse efêmero, já que a free agency estava chegando.

A janela de contratações seria aberta às 17 horas da terça-feira, no horário de Brasília. Porém, na última meia hora antes da abertura, o mundo do futebol americano virou ao contrário. Se não acontecem trocas com frequência, imagine a reação dos fãs desse esporte ao acontecerem três grandes trocas em cerca de trinta minutos. Em primeiro lugar, o New Orleans Saints, tentando ter mais dinheiro no teto salarial, colocou muitos de seus jogadores à disposição para troca. O resultado foi que Jimmy Graham, talvez o melhor jogador do time, foi para o vice-campeão Seattle Seahawks, e o Saints recebeu o center Max Unger e de uma escolha de primeiro round do draft desse ano. Surpreendente. Logo em seguida, Haloti Ngata, veterano do Baltimore Ravens, foi trocado para o Detroit Lions por duas escolhas do draft. Movimento interessante para o Lions, que precisava repor a saída de Ndamukong Suh (aquele que foi para o Dolphins, como mencionado no começo do texto). Ok, trocas feitas. Agora vamos para a free agency? Não. O Philadelphia Eagles novamente ousou. Trocou um quarterback por outro: Nick Foles, o titular do Eagles, foi para o St Louis Rams, em troca de Sam Bradford, que já havia perdido a última temporada por lesão. Isso tudo em menos de trinta minutos.

Chip Kelly, técnico do Eagles, é o homem por trás das grandes trocas (Foto: AP)

Esses movimentos foram tão inesperados que analistas da NFL apontam esse 10 de março como um dia histórico na liga, com tantas transações assim. Foram trocas tão impactantes que ocultaram das manchetes fatos como a ida do CB Darrelle Revis para o New York Jets, por um dos contratos mais caros já feitos para um jogador da posição; e a aposentadoria de Jake Locker e Jason Worilds, dois jogadores com menos de 30 anos. De fato, essa terça-feira marcou o principal início de free agency da história recente da liga. Resta saber se essa cultura de trocas poderá ser mantida na NFL, provocando grandes mudanças na liga. O draft é no próximo mês, e é uma ocasião em que trocas são constantes. A expectativa é grande para a possibilidade de outro dia histórico.

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