Mourinho morde e assopra em declaração sobre Wenger

Durante um programa, o técnico português disse ironicamente que Arsène tem um emprego invejável

Lucas Pinto Ferreira

Mourinho dá declarações positivas sobre Wenger em entrevista, mas aproveita oportunidade para provocar o rival

Mourinho dá declarações positivas sobre Wenger em entrevista, mas aproveita oportunidade para provocar o rival (Foto: Getty Images)

As declarações fervorosas que Mourinho faz a Wenger e vice-versa já não são novidade pra ninguém, elas vem desde as primeiras farpas trocadas pelos dois em 2005 em relação ao futebol defensivo do Chelsea e ao baixo número de jogadores ingleses no Arsenal, e agora a disputa entre os dois técnicos continua após José Mourinho declarar à mídia inglesa que Wenger “tem o emprego dos sonhos”.

“O Wenger tem o trabalho dos sonhos. Todos os treinadores de futebol do mundo gostariam de ter o emprego dele. Ele possui estabilidade no cargo. Tem tempo para montar a equipe, perceber os erros, montar e remontar os times, ter dinheiro em caixa e correr riscos quase inexistentes de demissão”, disse o técnico português, que criticou Wenger pelo baixo número de títulos ganhos recentemente – apenas um, a FA Cup, nos últimos oito anos. Porém, Mourinho também disse na entrevista que o francês é “um técnico fantástico” e que tem credibilidade para estar tão estável em seu emprego por causa do que conquistou no passado.

Apesar da cautela nessa entrevista, Mourinho já deu várias declarações polêmicas sobre Wenger, ora em resposta a algo dito pelo francês ora por espontaneidade. Na temporada passada, Mourinho já havia chamado Arsène de “especialista em fracasso” após o técnico do Arsenal dizer que o luso não colocava o Chelsea entre os favoritos ao título por ter medo de fracassar. Já na temporada atual, após vitória do Chelsea sobre a equipe do norte de Londres, Arsène Wenger empurrou José Mourinho em pleno Stamford Bridge e os dois tiveram que ser separados pelo quarto árbitro.

Mourinho também já teve desentendimentos com outros técnicos; um de seus maiores desafetos é Manual Pellegrini do Manchester City. Desde sua época no Real Madrid o luso já alfinetava Pellegrini, dizendo que se saísse do time da capital espanhola iria para uma equipe grande na Inglaterra ou na Itália – uma alusão ao fato de Pellegrini ter ido para o modesto Málaga após sua saída do Real Madrid. Outra acusação de Mourinho em relação ao técnico chileno é a de que as regras de fair play financeiro são mais flexíveis com o Manchester City do que se comparado ao Chelsea. Em resposta, em outras ocasiões Pellegrini já comentou que Mourinho faz a equipe de Londres jogar como um time pequeno, ficando na defensiva e esperando por contra-ataques em grandes jogos.

Um último caso recente de confusão entre técnicos foi a de Mourinho, novamente ele, e o técnico do Aston Villa, Paul Lambert, e seu auxiliar, Roy Keane. Os dois teriam ficado ofendidos pelo fato de Mourinho já querer apertar as mãos, um cumprimento geralmente feito ao final das partidas, enquanto o jogo ainda estava em andamento, podendo sugerir que o resultado já estava decidido.

As razões por trás de tudo

Essa rixa não é de hoje: os treinadores já discutiram em uma partida entre Chelsea e Arsenal pelo Campeonato Inglês no ano passado. (Foto: Sky Sports)

Essa rixa não é de hoje: os treinadores já discutiram em uma partida entre Chelsea e Arsenal pelo Campeonato Inglês no ano passado. (Foto: Sky Sports)

Muitos acreditam que as “brigas” entre Mourinho e Wenger – assim como as de outros técnicos – não passariam de encenação, ou que seria pura infantilidade por parte dos envolvidos, mas o ambiente de trabalho de um técnico de futebol é um dos mais tensos possíveis: a pressão dos dirigentes, da torcida e a das torcidas organizadas só colaboram em tornar a profissão mais exigente ainda: uma pequena série de derrotas, ou até mesmo vitórias magras já são sempre tidas como indícios de crises que podem custar ao técnico o emprego. A grande mídia sempre tentando pegar os piores momentos desses profissionais só para conseguir mais audiência também não acrescenta nada de positivo.

Tanta pressão psicológica se transfere para fora dos campos e até para fora do meio profissional, assim um técnico que não viva um bom momento pode dizendo publicamente coisas que não diria caso estivesse completamente estável em seu emprego. Esses acontecimentos chegam até a serem naturais, considerando-se o contexto.

Alguns incidentes chegam a ser mais espontâneos, como se vê nas provocações de Mourinho a Pellegrini enquanto ainda estava no Real Madrid, mas a grande maioria seriam evitados caso a pressão e a exigência sobre os técnicos não fosse tão grande e se os mesmos não fossem os primeiros a serem culpados pelos maus momentos de uma equipe.

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