Exposição “Gênesis” estreia no Sesc de Bauru

Mostra traz 250 fotografias feitas em 36 regiões consideradas “intocadas” pelo homem

Ana Flávia Cézar

A exposição Gênesis, do fotojornalista mineiro Sebastião Salgado, traz à tona um mundo intocado, onde homem e natureza convivem em harmonia. A mostra apresenta 250 fotografias em preto e branco feitas entre 2004 e 2012, em 36 países, e permanecerá no Sesc de Bauru até o dia 15 de fevereiro de 2015.

As imagens foram feitas entre o Alasca, a Patagônia, a Etiópia e a Amazônia, lugares em que o fotógrafo e sua equipe chegaram viajando a pé, de ônibus, em pequenos barcos, aviões e até mesmo em balões. Os registros abrangem montanhas, desertos, geleiras e oceanos, além de animais, vegetais, paisagens e pessoas que se encontram distantes do modo de vida urbano.

Neste acampamento de gado (Sul do Sudão, há vários montes de excrementos de vaca queimando para que a fumaça afaste insetos. 2006. (Foto: Sebastião Salagado/Exposição Sesc)

Neste acampamento de gado no sul do Sudão, há vários montes de excrementos de vaca queimando para que a fumaça afaste os insetos. (Foto: Reprodução/Sebastião Salgado/Exposição Gênesis)

Com patrocínio da Vale desde 2008, essa volta ao mundo resultou, além das fotografias, em um livro e um documentário produzido pelo filho de Salgado, Juliano Ribeiro Salgado, e Win Wenders, cineasta alemão amigo da família. O projeto, ainda em fase de pós-produção, será lançado em DVD pelo Selo Sesc.

Para a professora de fotojornalismo da UNESP de Bauru, Eliza Casadei, “a obra de Sebastião Salgado possui uma grande preocupação com os elementos da composição fotográfica. Mais do que um mero retrato das coisas do mundo, é uma obra que busca uma reflexão sobre os processos de estetização da realidade e como é possível dotar de sentido as coisas a partir da fotografia (trabalhando com os modos de enquadramento, com a dramaticidade da luz, com as formas e texturas)”.

A exposição fotográfica tem curadoria de Lélia Wanick Salgado, esposa do fotógrafo, e é dividida em cinco seções: “Santuários”, com a representação das paisagens vulcânicas e da fauna nas Ilhas de Galápagos (Equador); “Terras do Norte”, retratando o Alasca e as montanhas rochosas do Colorado (EUA), o norte da Sibéria e o norte da Rússia; “África”, que apresenta os espetaculares e numerosos desertos; “Amazônia e Pantanal”, que traz as florestas, rios e imagens de tribos no alto Rio Xingu e da isolada tribo Zo’e e, por fim, “Planeta Sul”, com fotos feitas na Antártica, Sul da Geórgia, Malvinas e nas Ilhas Sandwich.

As mulheres mursi e surma (Etiópia) são as últimas a usar discos para estender os lábios. 2007. (Foto: Sebastião Salgado/Exposição Sesc)

As mulheres mursi e surma, da Etiópia, são as últimas a usar discos para estender os lábios. (Foto: Reprodução/Sebastião Salgado/Exposição Gênesis)

A ideia do projeto Gênesis, como conta o próprio Sebastião Salgado, surgiu na década de 90, quando ele e sua esposa, Lélia Wanick, desenvolveram um projeto de recuperação de uma propriedade completamente degradada. Hoje, essa área é o Instituto Terra, dedicada a reconstituir o ecossistema florestal da região do Vale do Rio Doce, recoberta anteriormente de Mata Atlântica e região na qual o fotógrafo viveu durante a sua infância.

O projeto é amplo e busca ainda informar e educar as pessoas sobre o meio ambiente e desenvolvimento sustentável. “Quero que as pessoas enxerguem o nosso planeta de outra forma, sintam-se comovidas e se aproximem mais dele”, diz Salgado, e completa com uma frase do porquê da escolha do título: “A gênese, a natureza, é o homem: abandonamos o planeta para viver nas cidades”.

A professora Eliza acredita nesse intuito: “A fotografia é um dos modos a partir dos quais nós construímos o que é visível do mundo. Ou seja, a fotografia é capaz de mostrar as coisas de outra forma e, com isso, contribuir para a construção de novas realidades e novas formas de compreensão do mundo”.

Os Nenets, povos do norte da Rússia, em meio a baixas temperaturas,  fazem reparações nos trenós e nas peles de renas para se manterem ocupados. 2011. (Foto: Sebastião Salgado/Exposição Gênesis)

Os Nenets, povos do norte da Rússia, em meio a baixas temperaturas, fazem reparações nos trenós e nas peles de renas para se manterem ocupados. (Foto: Reprodução/Sebastião Salgado/Exposição Gênesis)

Sebastião Salgado sempre esteve envolvido em causas sociais. Em abril de 1997, ele esteve à frente do projeto “Terra”, que contou com a participação do escritor português José Saramago e do compositor e cantor brasileiro Chico Buarque. O trabalho consistia em um livro/CD para relembrar um ano do massacre de Eldorado dos Carajás, no Pará, no qual dezenove integrantes do Movimento dos Sem Terra foram brutalmente assassinados pela polícia. Já em projetos fotográficos anteriores, como “Trabalhadores” e “Êxodos”, Salgado retratou as adversidades da humanidade, representados por adultos e crianças explorados.

Visite!

Exposição Gênesis

Quando? – Terças, quartas, quintas e sextas-feirras: das 13h às 21h30

              – Sábados e domingos: das 9h30 às 18h

Local: Hall de exposições do SESC de Bauru

Endereço: Av. Aureliano Cárdia, 6-71 – Vila Cardia

Entrada franca

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