Conflitos e comentários preconceituosos questionam a liberdade nas redes sociais

Elas até permitem maior liberdade de expressão, mas é fundamental ter responsabilidade sobre aquilo que se diz

Victor Pinheiro

As redes sociais têm sido o grande palco de discussões políticas nessas eleições. O Facebook e o Twitter, principalmente, são usados como forma de militância e carregam também as opiniões políticas e ideológicas de seus usuários. Porém, algumas vezes, as discussões resultam em trocas de insultos e em comentários preconceituosos.

facebook

(Créditos: Reprodução)

Para o doutor em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo Francisco Machado Filho, os comentários nas redes sociais não constituem uma discussão saudável. Segundo ele, as pessoas “expõem suas ideias e crenças ideológicas e não querem realmente um debate, mas, sim, provar que sua opinião é melhor que a do outro”. De acordo com Francisco, isso enfraquece os argumentos e causa aversão nas pessoas de participar das discussões.

Além disso, o professor defende que, democraticamente, o uso das redes sociais é positivo e oferece espaço para a expressão de opiniões e ideologias, o que “faz parte do processo democrático”. Ele lembra que ninguém é obrigado a seguir ou acompanhar comentários contra as suas convicções e, nesse sentido, faz uma analogia das redes sociais como uma praça pública: “As redes sociais são uma grande praça pública e cada um ali fala o que quer e escuta o que não quer. Se você não quer escutar mais, basta sair dali”.

Liberdade de expressão e redes sociais

Uma das principais polêmicas envolvendo os comentários sobre as eleições nas redes sociais foram os discursos preconceituosos feitos por paulistas contra nordestinos após a divulgação dos resultados do primeiro turno. As publicações ofensivas surgiram, principalmente, em razão da divergência política entre os habitantes dessas regiões. Em São Paulo, o candidato do PSDB à presidência, Aécio Neves, venceu o primeiro turno com 44% dos votos, contra 25% de Dilma Rousseff, do PT. Enquanto isso, juntando os percentuais dos estados nordestinos, a petista teve 55% dos votos e Aécio apenas 8%.

Após a apuração dos votos, discursos insultando nordestinos surgiram nas redes sociais. Na opinião de Francisco Machado, esses discursos xenofóbicos confundem o conceito de liberdade de expressão. O professor lembra que liberdade de expressão não significa falta de responsabilidade por aquilo que se fala. Além disso, ele destaca que hoje não existe mais anonimato na internet e discursos de ódio podem resultar em punições para quem os propaga.

O discurso de ódio ganhou força nas redes sociais após a apuração do 1º turno das eleições. (Créditos: Reprodução/Twitter)

Problema social

Apesar dos comentários xenofóbicos e suas consequências, para Francisco, “se não existisse Facebook ou redes sociais, esse sentimento ficaria escondido e muito mais difícil de se tratar ou combater”. O professor defende que esses tipos de expressões na internet só poderão ser combatidos efetivamente quando forem consideradas um problema social. “Quando começarmos a ver isso como problema social e tratarmos esse problema, caminharemos de maneira melhor para que isso acabe”, finaliza.

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