Graciliano Ramos é homenageado em mostra no MIS

“Conversas de Graciliano Ramos” celebra vida e obra do romancista alagoano

Yuri Ferreira

“Comovo-me em excesso, por natureza e por ofício. Acho medonho alguém viver sem paixões.”. Esta frase, dita por Graciliano Ramos, representa tudo o que ele foi como escritor: apaixonado pelo que e sobre o que escrevia. O autor de romances clássicos como Vidas Secas (1938) e Memórias do Cárcere (1953) ganhou, no último dia 16 de setembro, uma exposição no Museu de Imagem e Som (MIS), em São Paulo. “Conversas de Graciliano Ramos” vai ficar aberta ao público, gratuitamente, até o dia 9 de novembro.

Dentre os itens que compõem a mostra, que tem como curadora a produtora cultural Selma Caetano, estão presentes documentos, depoimentos, pertences pessoais e fotografias. Vídeos que retratam períodos e acontecimentos de extrema relevância na vida do escritor alagoano também são exibidos. Ainda é possível visitar uma instalação cenográfica que recria o ambiente de trabalho de Graciliano: um espaço que dispõe de uma poltrona de descanso muito vista em suas fotos, mesa de escritório, máquina de escrever, canetas tinteiro e outros objetos.

Sobre a importância do escritor para a literatura brasileira, Fabiane Secche, diretora criativa e editora-geral do coletivo literário Confeitaria Mag, afirma: “Seus personagens são tão humanos em suas dores e limitações que conseguimos enxergá-los diante da gente, não importa o quanto estejamos distantes do contexto de suas histórias. Sempre me impressionei também com a força de seus diálogos”.

Projeto da cenografia da Mostra, assinada pelo escritório Fazemos Arquitetura. (Foto: Divulgação/Bamboo)

Projeto da cenografia da mostra, assinada pelo escritório Fazemos Arquitetura. (Foto: Divulgação/Bamboo)

A vida seca de Graciliano Ramos

Nascido na cidade de Quebrangulo, Alagoas, Graciliano Ramos de Oliveira (1892-1953) foi romancista, jornalista e político. Marcou a literatura brasileira com obras que, apesar de serem ambientadas no sertão do país, tratam, acima de tudo, das relações humanas. “O autor não é regionalista no sentindo exclusivo. Não são histórias que fazem sentido apenas para os nordestinos ou para os brasileiros. São assuntos universais”, explica Secche.

Suas principais obras são Vidas Secas, São Bernardo e Memórias do Cárcere. O último retrata o período em que Graciliano ficou preso durante a Ditadura Vargas, por ser ligado ao comunismo. A obra foi publicada postumamente, sem o último capítulo – o autor não teve tempo para escrevê-lo, falecendo de câncer no pulmão em 1953.

Graciliano Ramos quando foi preso, em 1936. (Foto: Acervo IEB-USP)

Graciliano Ramos quando foi preso, em 1936. (Foto: Acervo/IEB – USP)

“Mesmo quem nunca leu o romance, conhece seus personagens de certa forma, como amigos quase íntimos, amigos de infância”, diz Fabiane sobre o clássico Vidas Secas. “A verdade que o texto traz faz dele tão relevante”, finaliza.

O sumiço da caneta

Na última quarta-feira, dia 17 de setembro, uma das várias canetas que pertenceram a Graciliano foi furtada da exposição. A equipe do MIS pede que ela seja devolvida.

Réplica do ambiente de trabalho de Graciliano. A caneta sobre o manuscrito sumiu da mostra. (Foto: Letícia Godoy)

Visite!

Quando: 16 de setembro a 9 de novembro de 2014.

Onde: MIS – Museu da Imagem e do Som de São Paulo

Quanto: Entrada franca

Funcionamento: De terça a sábado, das 12h às 22h, e aos domingos, das 11h às 21h

Mais informações: (11) 2117-4777

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