O ciclo das redes sociais: um retrato da “sociedade do descartável”

O fim do Orkut e as substituições entre as redes sociais exprimem o caráter essencial e, ao mesmo tempo, banal dos sites de relacionamento em nossas vidas

Helena Botelho

No último dia 30 de setembro, internautas do mundo todo se despediram do Orkut, rede social famosa especialmente no Brasil, que havia completado uma década no início deste ano. Criado pelo engenheiro de softwares turco Orkut Buyukkokten, o site de relacionamento foi idealizado para permitir ao usuário “conectar-se com amigos e conhecer novas pessoas”.

O projeto foi lançado em janeiro de 2004 e logo virou febre no Brasil: cinco meses após seu lançamento, 31,55% dos usuários do Orkut eram brasileiros. A rede ia bem até 2011, quando o Facebook, criado também no início de 2004, se popularizou no Brasil. Em pouco mais de seis anos, ele ultrapassou o Orkut e a rede social dos scraps e comunidades entrou em declínio, até que em julho deste ano foi anunciado o seu fim.

A história do Orkut, o site de relacionamentos que marcou uma geração de brasileiros, e sua substituição por propostas afins é um exemplo do ciclo das redes sociais.

A página de login do Orkut, tão acessada até o início de 2011. (Créditos: Reprodução/Orkut)

Febre nas novas gerações

É indiscutível a presença e a importância das redes sociais na atualidade. Além de serem meios de comunicação, elas conectam seus usuários rapidamente. Em países em desenvolvimento ou desenvolvidos, as “gerações Y” – jovens nascidos de 1980 em diante – , e “Z” – nascidos a partir do ano 2000 – , veem como natural o uso frequente da internet e das redes sociais. No Brasil, cerca de 70% dos jovens entre 9 e 16 anos têm perfis nesse tipo de site, segundo o CGI (Comitê Gestor da Internet no Brasil). O ciclo delas torna-se um assunto importante, pois, ao se encerrar uma rede social, é quase imprescindível que haja outra para substituí-la.

Cresce o número de jovens internautas no Brasil e no mundo (Créditos: Café&Marketing)

Cresce o número de jovens internautas no Brasil e no mundo. (Créditos: Café&Marketing)

Esse ciclo está ligado ao sucesso da proposta do site, ou seja, o que ele oferece aos seus usuários, como dicas para o cotidiano, facilidades para o trabalho, diversão etc. Caio Costa, diretor de uma agência publicitária, conta por que algumas redes sociais são mais bem-sucedidas que outras. Segundo ele, um dos fatores de sucesso de uma mídia social é entregar o que o público deseja: “O Facebook se adapta e reinventa com facilidade algumas funções para manter o interesse dos usuários”, explica. “Porém, não é somente esse fator que garante o sucesso, vide o caso do Google+, que oferece vários recursos para seus usuários, mas que obteve pouco êxito”, finaliza.

Constante inovação

Ainda é possível perceber que há um “prazo de validade” para as redes sociais, isto é, um tempo em que ela deixa de ser atrativa para os internautas e cai em desuso. O graduando em Comunicação Social pela Universidade Presbiteriana Mackenzie Paulo Ricardo Baba revela o porquê dessa expiração: “Como qualquer empresa, as redes sociais precisam efetuar um esforço constante para acompanhar as tendências do mercado e ‘se manter no jogo’. O tempo limite está ligado a isso e, tratando-se do ambiente digital, essas empresas precisam conhecer bem o perfil e as expectativas dos usuários”, afirma.

O caráter cíclico das redes sociais, portanto, faz-se presente nessa era de constantes e ininterruptas inovações tecnológicas. Casos como o fim do Orkut e a ascensão do Facebook, ou o sumiço do Fotolog com a expansão do Instagram, nos mostram a efemeridade dos sites de relacionamento e sua rápida substituição. Nos tempos em que muito do que se cria é facilmente descartado e trocado por algo “melhor”, com as redes sociais – parte cada vez mais considerável de nossas vidas – não haveria de ser diferente.

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