Boko Haram é principal suspeito de ataque à universidade na Nigéria

Ação faria parte de uma série de atentados comandados pelo grupo no país

Thainá Zanfolin

No último dia 17 de setembro, uma universidade em Kano, no norte da Nigéria, foi invadida por atiradores que dispararam contra os estudantes, deixando 15 pessoas mortas e mais 35 feridas. Nenhuma facção assumiu a autoria do atentado, mas o principal suspeito é o grupo radical islâmico Boko Haram, já que ele vem realizando diversos ataques às escolas e universidades no norte do país.

Os atiradores invadiram a Universidade Federal de Ensino Superior após trocarem tiros com policiais, que mataram dois integrantes do grupo. Além dos disparos, os militantes realizaram uma explosão no local. O grupo vem realizando atentados com maior frequência nos últimos meses, principalmente na região norte. As ações incluem: saques, explosões, disparos e sequestro de jovens. Seus principais ataques são feitos às instituições e organizações que seguem modelos ocidentais de gestão e educação.

Em 2009, o Boko Haram realizou uma grande onda de ataques à delegacias e prédios do governo, com o objetivo de enfraquecer o país e criar um Estado Islâmico na Nigéria. Neste ano, o grupo voltou a agir e, em abril, sequestrou 200 alunas do vilarejo de Chibok. Segundo Carlos Eduardo Vidigal, doutor em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília, os sequestros são justificados pelo grupo com base em uma aya do Corão. Segundo esse versículo, o estupro de meninas seria permitido para que elas aceitassem a conversão ao islamismo e se casassem com seus torturadores.

As escolas que seguem os ensinamentos islâmicos não são atacadas, mostrando a oposição aos modelos ocidentais de ensino. Créditos: AFP

As escolas que seguem os ensinamentos islâmicos não são atacadas, mostrando a oposição aos modelos ocidentais de ensino. (Créditos: AFP)

A formação de um governo com moldes muçulmanos é o principal objetivo do Boko Haram. Para Ariel Finguerut, doutor em Ciência Política pela Universidade de Campinas, o grupo tem se mostrado cada vez mais fundamentalista. “Eles acreditam que é preciso seguir certos preceitos e ter certas posturas sociais, culturais e políticas para de fato ser o que consideram como muçulmano. Esses critérios são tão rígidos e a interpretação tão radical que muitas vezes justificam os atos terroristas”, afirma.

O Boko Haram foi criado em 2002 por Mohammed Yusuf, que considerava qualquer atividade influenciada pela cultura do ocidente como proibida, incluindo eleições, modo de vestimenta e, principalmente, o ensino oferecido. Essa visão explica os ataques às escolas e universidades que seguem o estilo ocidental, já que elas iriam impactar na educação dos jovens e afastar a população dos preceitos e valores morais mulçumanos.

De acordo com Finguerut, atacar uma universidade pode ser uma maneira simbólica de negar a modernidade e atacar o modo de vida ocidental. “A educação moderna, muitas vezes simbolizada pelas universidades e pela presença de mulheres, é o maior símbolo da modernidade e da influência do ocidente”, completa.

O presidente nigeriano, Goodluck Jonathan, vem sofrendo inúmeras críticas por conta do fracasso no combate ao Boko Haram. “O governo da Nigéria já demonstrou não contar com recursos para contrapor o grupo. Necessitaria de ajuda da ONU e dos EUA, caso as potências ocidentais tivessem real preocupação com a questão”, afirma Vidigal. O professor ressalta ainda que, nas últimas décadas, essas potências invocaram os direitos humanos somente quando os seus interesses materiais estavam em risco. “Quando seus interesses não são afetados diretamente, não aplicam maiores recursos na solução dessas questões”, finaliza.

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