Cientistas descobrem localização da Via Láctea no universo

Conjunto espacial batizado de Laniakea abriga um total de 100 mil galáxias; descoberta ajudará na compreensão da matéria escura e do movimento galáctico

Raphael Soares 

Uma equipe liderada pelo cientista estadunidense R. Brent Tully, da Universidade do Havaí, identificou um superconglomerado de galáxias, do qual a Via Láctea, onde está localizado o Planeta Terra, faria parte. Eles batizaram esse conjunto de Laniakea, que em idioma havaiano significa “imenso céu”. A descoberta ocorreu enquanto os pesquisadores mapeavam a posição de 8 mil galáxias utilizando o telescópio Green Bank, da agência National Science Foundation.

A Via Láctea fica na borda da Laniakea – um conjunto que tem 500 milhões de anos-luz de diâmetro e massa de 100 milhões de bilhões de sóis. No total, 100 mil galáxias fazem parte da estrutura. A descoberta é tema de capa da Revista Nature.

Para Laerte Sodré, docente do Departamento de Astronomia da Universidade de São Paulo, um dos maiores desafios da ciência atualmente é entender a natureza das duas “substâncias” que dominam o universo e sobre as quais sabemos muito pouco: a matéria escura e a energia escura. “Costumo dizer que as propriedades do lado escuro do universo estão impressas na distribuição de galáxias e, estudando a posição delas no espaço, podemos aprender bastante sobre essas substâncias misteriosas”, afirma.

A descoberta foi anunciada em agosto (Créditos: Nasa)

A descoberta da Laniakea foi anunciada em agosto. (Créditos: NASA)

Para esse tipo de análise, é preciso criar um mapa em três dimensões da distribuição das galáxias, o que exige conhecer suas distâncias. Na cosmologia, isso significa conhecer o “redshift”.

Laerte explica que há duas maneiras de determinar distâncias de galáxias: a partir de seus espectros (redshifts espectroscópicos), que podem medir de centenas a poucos milhares de redshifts, ou por meio de suas cores (redshifts fotométricos), que com o mesmo tempo de observação podem medir cores de dezenas a centenas de milhares de galáxias. Os métodos espectroscópicos fornecem distâncias muito mais precisas que os métodos fotométricos, mas para um número muito menor de galáxias.

“O grupo que estudou o Laniakea utilizou a teoria cosmológica, a mais aceita para determinar tanto a disposição espacial das galáxias quanto suas velocidades umas em relação às outras e, consequentemente, para onde elas estão indo. E o resultado é muito interessante: é como se elas estivessem em rios, fluindo em direção à maior aglomeração de galáxias do universo local: o aglomerado de galáxias de Shapley”, analisa o pesquisador. Segundo ele, um estudo mais detalhado e preciso da Laniakea, nos próximos anos, permitirá testar teorias sobre a matéria escura e suas substâncias.

Ao analisar as 8 mil galáxias no universo próximo, Tully e sua equipe puderam determinar o fluxo geral do movimento das galáxias rumo a diferentes “poços gravitacionais”. Nesse sentido, eles entenderam mais sobre o Grande Atrator, região da nossa vizinhança espacial que parece atrair as galáxias à sua volta; um problema que desafia os astrônomos há três décadas. Tully ainda destaca que toda a estrutura do Grande Atrator, que inclui a Laniakea, parece estar sendo puxado à Shapley. Isso possibilita um conjunto muito maior ao superconglomerado descoberto e que influencia todo nosso sistema cósmico próximo.

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