Conselho Universitário da USP aprova desvinculação do hospital Centrinho

Reitoria da universidade criou uma comissão especial para acompanhar a transferência da unidade para a Secretaria Estadual de Saúde

Matteus Corti

No último dia 7 de agosto, o deputado federal Pedro Tobias (PSDB) anunciou a decisão do Conselho Universitário (C.O.) da USP em vincular o Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC), o Centrinho, à Secretaria Estadual de Saúde. A proposta foi aprovada pelo C.O. em 26 de agosto e desagradou universitários e funcionários, que tentam revogar a decisão.

A transferência do HRAC é uma das tentativas de manter a estabilidade financeira perante a diminuição da verba estadual destinada à universidade. A USP alega que o gasto mensal com o pagamento dos 716 funcionários do Centrinho é de 6 milhões de reais, um dos fatores que comprometem o orçamento da instituição. Segundo o reitor Marco Antônio Zago, o hospital continuará sob orientação acadêmica e o quadro de servidores continuará vinculado à universidade.

As discussões com o Estado acerca do uso do prédio do Centrinho iniciou-se há 3 anos. (Créditos: Vítor Moura∕ Participi)

As discussões com o Estado acerca do uso do prédio do Centrinho foram iniciadas há 3 anos. (Créditos: Vítor Moura∕ Participi)

A reitoria da USP organizou, também, uma comissão para acompanhar a vinculação do HRAC  Segundo nota divulgada pela assessoria de imprensa da reitoria, entre os membros desta comissão estão a diretora da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB), o Superintendente do HRAC, os diretores da Faculdade de Odontologia (FO) e da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (FORP), um docente da FOB, um servidor do HRAC e um representante dos estudantes. O órgão informou ainda que a função da equipe é garantir que o processo de vinculação promova o desempenho universitário do Centrinho, “preservando a qualidade do ensino, da pesquisa e da extensão”.

A decisão foi criticada pelos membros do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp). Segundo os sindicalistas, Zago não concedeu palavra aos conselheiros e nem ao sindicato, além de ter negado os pedidos de vistas aos processos.

A comunidade estudantil e os funcionários não estão satisfeitos com a transferência do Centrinho para a Secretária Estadual de Saúde. De acordo com o informativo nº 390 da Adusp, a Câmara Municipal de Bauru votará duas moções no próximo dia 29: “A primeira, destinada ao governador e ao CRUESP, apoia as propostas do Fórum das Seis protocoladas no Palácio dos Bandeirantes e na Alesp. A segunda, dirigida ao reitor Marco Antonio Zago e ao C.O., exorta, ‘enérgica e enfaticamente, o Conselho a rever a modificação do artigo 8º do seu Regimento Geral, mantendo o HRAC como órgão complementar da USP'”. Para amanhã, está marcado um ato contra a desvinculação do hospital.

Procuradas, a Secretaria Estadual da Saúde e a assessoria de imprensa do HRAC não se manifestaram até o fechamento desta reportagem.

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