“Pousada Cultural” revela a cultura da periferia de Bauru

Evento agitou a cena cultural do bairro Pousada da Esperança II no último fim de semana 

Ana Carolina Moraes

Nos últimos dias 13 e 14 de setembro, o bairro Pousada da Esperança II recebeu o Pousada Cultural, evento organizado pelo Projeto Formiguinha. Com o objetivo de dar visibilidade à cultura multifacetada de uma das regiões mais carentes de Bauru, o Pousada Cultural reuniu mais de 30 atrações em 19 horas de programação, todas gratuitas e abertas à comunidade.

Pousada Cultural leva música, dança, bateria de escola de samba, teatro, oficinas criativas e diversão para o bairro Pousada Esperança II. (Créditos: Ana Carolina Moraes)

Pousada Cultural levou música, dança, bateria de escola de samba, teatro, oficinas criativas e diversão para o bairro Pousada da Esperança II. (Créditos: Ana Carolina Moraes)

Trabalho de Formiga

O Projeto Formiguinha é uma organização sem fins lucrativos que visa afastar crianças e jovens das ruas oferecendo atividades educativas, recreativas e esportivas. O projeto valoriza uma das principais características das formigas: o trabalho em equipe, para, assim, manter a união da comunidade.

Para a realização do Pousada Cultural, entretanto, os desafios foram muitos: o evento não tinha caixa e toda a estrutura foi obtida por meio de doações e patrocínio. Segundo Aline Ramos, estudante de jornalismo da UNESP de Bauru e uma das organizadoras da atração, o apoio da Secretaria Municipal de Cultura de Bauru foi pouco, tendo em vista o que foi solicitado. Apesar disso, a estudante ressalta a importância da colaboração e da união: “É com muito orgulho que podemos dizer que esse evento foi construído por trabalho de formiga”.

Inspirado na Virada Cultural, evento realizado pelo Governo do Estado de São Paulo na capital e no interior do Estado de São Paulo, o Pousada Cultural teve como objetivo a descentralização da cultura. Para Bárbara Melo, educadora voluntária do Projeto Formiguinha, realizar um evento como esse no Pousada da Esperança II é uma forma de vencer o preconceito e quebrar o paradigma de que não há cultura na periferia; além de ser uma forma de dar a essas regiões visibilidade para que possam se desenvolver.

Atrações

O critério para escolher a programação foi a diversidade cultural. Em dois dias, 38 convidados participaram do evento, promovendo apresentações musicais, danças e teatro; tudo de forma voluntária. A programação também incluiu a comunidade, com a apresentação de dança do Balé Le Pettit Pola e de capoeira com o grupo “Memória Capoeira”.

A mistura de ritmos e entretenimento agradou a comunidade. Mais do que espectadores, quem compareceu ao evento também fez parte da programação em atividades como a Guerra do Passinho e a aula de Zumba, que deram destaque para quem estava fora do palco. De acordo com Aline, essa era a intenção: “O mais importante do Pousada Cultural não está no palco: as verdadeiras riquezas estão nas pessoas que construíram o evento e naquelas que circularam por ele”.

O Projeto Sorrir animou o evento no sábado à tarde, oferecendo risadas e abraços grátis. “O Pousada Cultural proporciona diversão para os dois lados, agrega valores e dá visibilidade para a comunidade”, comenta Gustavo Barbosa, voluntário do projeto há quatro anos.

A Biblioteca Móvel – Quinto Elemento também participou do evento na tarde de sábado. Com uma banca de livros adquiridos por doações, o projeto garantiu às crianças a acessibilidade à leitura, “emprestando conhecimento” à comunidade. A inciativa do projeto é recente e tem como proposta levar livros aos leitores carentes sem burocracia.

Joelma Moura, do grupo Balaio de Sinhá, se apresentou no início da tarde de domingo. Impressionada com a inciativa do evento, a cantora declarou que, mesmo sem atingir a comunidade por inteiro, o Pousada Cultural é o começo para atrair eventos desse tipo para a periferia. Os integrantes da The Trips, atração seguinte, fizeram questão de trazer a banda ao evento, pois acreditam ter algo em comum com a iniciativa: “Onde há seres humanos, há cultura”, declarou Solon Neto, integrante do grupo, já na abertura do show.

Além das atrações do palco, o evento contou ainda com oficinas de robótica, origami, desenho e grafite, além da exposição fotográfica “Além do Olhar”, stands para corte de cabelo gratuito, aferição de pressão e pintura facial para crianças.

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Reflexos do evento

A iniciativa do Pousada Cultural foi bastante apreciada pela comunidade local. O evento atraiu crianças, jovens e adultos em prol da cultura. “É raro um evento como esse aqui, e ampliar as ações do Projeto Formiguinha para a comunidade é uma forma de interagir com todos”, comenta Adriano de Oliveira, morador do Pousada da Esperança II. “Foi um final de semana diferente, eu me diverti muito”, declara o jovem Isaias Smith.

A organizadora Aline Ramos acredita que o mais importante do Pousada Cultural não foram as atrações do palco, mas sim as pessoas que construíram o evento e aquelas que participaram dele. “O Pousada Cultural só existiu porque acreditamos no potencial dessa comunidade e queremos que Bauru a conheça e valorize”, finaliza.

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