Obesidade atinge mais de 15% da população brasileira

Excesso de peso ameaça a saúde de quase metade da população do país

Bárbara Paro Giovani

Segundo revelado pela pesquisa do Ministério da Saúde, em parceria com a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) e IBGE, quase metade da população brasileira está acima do peso. Com os números subindo em média 1% ao ano, o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, acredita que é importante investir em campanhas para mudanças de hábitos dos brasileiros que se veem diante de um cotidiano cada vez mais preocupante.

Em 2006, o índice de pessoas acima do peso no Brasil era de 42,7% da população, sendo 11% delas obesas. Em 2012, o índice subiu para 49%, com 15% desses considerados obesos. O aumento atinge tanto a população masculina quanto a feminina. Atualmente, 18% das mulheres e 16% dos homens estão obesos.

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(Créditos: Reprodução/M de Mulher)

A obesidade é uma doença crônica, definida como o acúmulo de tecido gorduroso localizado ou generalizado, provocado por desequilíbrio nutricional associado ou não a distúrbios genéticos ou endócrino-metabólicos. Um potente estímulo para a obesidade tem sido o ambiente moderno. A diminuição dos níveis de atividade física e o aumento da ingestão calórica são fatores determinantes e muito presentes no cotidiano do brasileiro.

O dia-a-dia corrido traz consequências, uma vez que o estresse vivenciado diariamente é suficiente para desencadear um processo de obesidade nos menos atentos ao problema. Desde o final dos anos 1980, o professor sueco Per Bjorntorp propôs um modelo psicossomático para a obesidade. Esses estudos mostraram evidências de que pessoas sob estresse contínuo acabam modificando o padrão de secreção do hormônio cortisol. Isso aumenta a fome e a deposição de gordura na região central do corpo. O cortisol, um dos hormônios de resposta ao estresse, ficaria aumentado no sangue por longos períodos, favorecendo a obesidade.

Outro fator que contribui para o índice de obesidade no Brasil é o sedentarismo. A prática de exercícios físicos nem sempre agradou a todos, e hoje, com a invenção de máquinas, carros e computadores, a quantidade de adeptos foi drasticamente reduzida.

Combine a isso uma alimentação não balanceada. A pesquisa do Ministério da Saúde revela também que 34,6% dos brasileiros comem em excesso carnes com gordura, 56,9% bebem leite integral regularmente e 29,8% consomem refrigerantes pelo menos cinco vezes por semana. Entretanto, apenas 20,2% ingerem a quantidade recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) de cinco ou mais porções por dia de frutas e hortaliças.

O que tem mudado ao longo dos anos no quesito alimentação é o aumento do consumo de alimentos refinados, industrializados e produtos “prontos” para uso com alto teor calórico. Refeições congeladas, enlatados e fast foods têm ganhado muito espaço na vida dos brasileiros, o que resulta em um consumo de comidas muito calóricas, com excesso de açúcar e gordura e que cada vez mais tem substituído o arroz com feijão, prato nutritivo e típico do Brasil.

Super Size Me

Para comprovar a influência da indústria de fast-food, o cineasta Morgan Spurlock produziu o documentário Super Size Me (A dieta do palhaço). No filme, Spurlock segue uma dieta na qual todas suas refeições devem ser feitas no McDonald’s.

Durante a gravação, Morgan comia nos restaurantes da rede pelo menos três vezes ao dia, e chegava a consumir em média 5000 kcal por dia. Comprovando que esse estilo de vida afeta a saúde física e também a psicológica, após trinta dias ele obteve um ganho de peso de 11,1 kg, com aumento de 11% da massa corporal, deixando assim seu Índice de Massa Corporal (IMC) em 27, o que já configura sobrepeso. Ele relatou também mudanças de humor, disfunção sexual e dano ao fígado. Morgan precisou de um ano e dois meses para conseguir perder o peso que havia ganhado em apenas um mês.

(Capa do documentário Super Size Me. Créditos: Divulgação)

Capa do documentário Super Size Me. (Créditos: Divulgação)

É essa a importância da discussão sobre obesidade: alertar sobre os riscos à saúde que essa condição causa. O endocrinologista Reginaldo Rigoto Giovani listou algumas das complicações que o excesso de peso pode trazer. De acordo com ele, “um paciente obeso aumenta o risco de doenças cardiovasculares (Infarto Agudo do Miocárdio, Acidente Vascular Cerebral), aumenta o risco de desenvolver câncer e doenças como hipertensão, diabetes mellitus, dislipidemias e doenças articulares”.

Para aqueles que pretendem seguir tratamentos para emagrecer, o Dr. Reginaldo alerta: “É preciso evitar medicamentos tipo fórmulas de emagrecimento ou dietas muito restritivas em relação à substâncias que são necessárias ao nosso organismo, pois elas prejudicam ainda mais a saúde e não geram um emagrecimento saudável. A dieta deve ser sempre balanceada e orientada por profissionais capacitados”.

Para o ministro da Saúde e atual candidato ao Governo do Estado de São Paulo, Alexandre Padilha, é importante investir em campanhas para mudanças dos hábitos alimentares dos brasileiros, criar espaços públicos para a prática de atividade física, como as academias de saúde, e investir nas políticas para que a indústria produza alimentos mais saudáveis.

Em março de 2013, o Ministério da Saúde criou a Linha de Cuidados da Atenção Básica para excesso de peso e outros fatores de risco associados ao sobrepeso e à obesidade. Além dessa medida, a Atenção Básica já proporciona diferentes tipos de tratamentos e acompanhamentos ao paciente, o que inclui também atendimento psicológico.

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