Coreia do Norte dispara três mísseis de curto alcance no mar

Último lançamento ocorreu apenas 35 minutos antes da chegada do Papa à Coreia do Sul

Thainá Zanfolin

No último dia 14 de agosto, a Coreia do Norte lançou três mísseis de curto alcance a partir de sua costa leste, na cidade de Wonsan. Os projéteis foram disparados por múltiplos lançadores e percorreram 220 km antes de caírem no mar. O último lançamento ocorreu próximo ao horário de chegada do Papa Francisco à Seul, capital da Coreia do Sul, onde o pontífice fez sua primeira visita ao continente asiático para promover o catolicismo.

O governo norte-coreano afirmou que os disparos são uma resposta aos exercícios militares que os Estados Unidos e a Coreia do Sul começaram a realizar a partir do dia 18 do mesmo mês. O país acredita que, diferente do que as duas nações afirmam, esses treinamentos não são apenas defensivos e sim uma preparação para a guerra. A última vez que a Coreia do Norte realizou lançamento de projéteis foi em julho deste ano e, frequentemente, o país utiliza treinamentos nucleares e com mísseis para demonstrar sua força e descontentamento.

A China não mantém relações diplomáticas com o Vaticano desde 1951, entretanto, autorizou a passagem do avião papal pelo seu território aéreo. Créditos: Park Jun-soo

A China não mantém relações diplomáticas com o Vaticano desde 1951, entretanto, autorizou a passagem do avião papal pelo seu território aéreo. (Créditos: Park Jun-Soo)

O grande investimento da Coreia do Norte em testes e exercícios militares pode ser explicado pela ideia do governo norte-coreano de que a Guerra da Coreia ainda não terminou. De acordo com Gilmar Masiero, doutor em Administração e Economia de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas, para um país que vive em estado de guerra permanente, o programa militar é uma preocupação constante e segue sendo prioridade. A Guerra da Coreia teve fim com um armistício em 1953, mas este nunca foi substituído por um tratado de paz. Logo, teoricamente, as Coreias continuam em guerra até os dias de hoje.

A Coreia do Norte realizou os disparos entre as 9h30 e 9h55 do horário local (22h30 e 22h55, no horário de Brasília), tendo o último sido realizado apenas 35 minutos antes do Papa Francisco desembarcar na Coreia do Sul. O pontífice fez uma viagem de cinco dias pelo país para promover o catolicismo, que é crescente na região. Essa foi a primeira vez que Francisco visitou o continente asiático, após 25 anos sem um líder da Igreja Católica ir à Coreia do Sul e 15 anos sem ir à Ásia, sendo que a última vez foi quando João Paulo II visitou a Índia em 1999.

Para Anna Carletti, doutora em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, não há um vínculo direto entre a proximidade dos lançamentos com a chegada do papa ao país vizinho. “Pode ter sido uma forma de aproveitar que os holofotes da mídia estavam direcionados à Coreia do Sul para a visita do Papa, para lembrar o esquecimento da situação da Coreia do Norte”. Em seu primeiro discurso, Francisco defendeu a reconciliação entre as Coreias e elogiou as tentativas de reaproximação da península coreana. Para Masiero, a visita do pontífice não irá interferir nas negociações de reaproximação dos dois países.

Segundo Carletti, os lançamentos também podem ser entendidos como um protesto aos exercícios militares que o EUA e o governo sul-coreano realizam anualmente nos mares próximos da Coreia do Norte, e que a mídia, geralmente, não divulga. “Não é a primeira vez, nem vai ser a última, que a Coreia do Norte vai realizar esses lançamentos. Eles devem ser compreendidos como uma maneira de lembrar ao mundo que o país existe e que está atravessando uma situação de isolamento político e econômico há décadas”, explica.

Os exercícios conjuntos dos Estados Unidos e da Coreia do Sul, que se iniciaram no dia 18 de agosto, duraram 12 dias e contaram com a participação de 80 mil soldados. Segundo fontes militares sul-coreanas, os dois países testaram um plano contra ameaças nucleares e armas de destruição em massa que possam ser produzidas pela Coreia do Norte e definiram uma ação conjunta em caso de agressão norte-coreana.

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