Pensando em adotar um pet exótico ou silvestre? Confira as dicas!

Domesticar um animal exótico pode ser burocrático e requer responsabilidade

Beatriz Kuroki

Assim como cães e gatos, existem inúmeras outras espécies sendo criadas pelas pessoas dentro de casa, e muitas delas são – ou pelo menos eram – incomuns para o cuidado doméstico. Há dois tipos principais: os exóticos e os silvestres. Podemos diferenciá-los da seguinte maneira:

Exóticos: aqueles que não pertencem à fauna brasileira, como, por exemplo, coalas, chinchilas e porquinhos da Índia. Pode também ser considerado exótico aqueles que não são muito comuns, como lagartos e cobras.

Silvestres: aqueles animais que são encontrados no Brasil, no entanto, por origem, são vistos apenas na natureza, como papagaios, araras, saguis etc.

Algumas das espécies permitidas para criação no Brasil e no mundo são pequenos roedores como o gerbil e o chinchila, alguns répteis como teiú e a jibóia-vermelha e até mesmo o sagui-de-pelo-branco.

Cahique Daneluz, estudante de Ciências Biológicas pela UNESP de Bauru, adotou um teiú achando que fosse uma lagartixa gigante. Ele encontrou o animal no banheiro de sua casa e o adotou. Depois, pesquisou em vários lugares para saber como cuidar de um bicho que nunca havia visto antes e, quase um ano depois, resolveu soltá-lo. “Ele estava crescendo bastante, aí eu fiquei com dó e o soltei”, afirmou.

Teiú, um tipo de lagarto. Sua criação doméstica é permitida no Brasil. (Foto: macacovelho.com.br)

Teiú, um tipo de lagarto. Sua criação doméstica é permitida no Brasil. (Foto: Portal Macaco Velho)

Burocracia e compra

Justamente por não serem simples pets, esses animais precisam de um cuidado especial. Além disso, geralmente, demandam uma intensa burocracia para que possam ser adotados, para que assim o tráfico ilegal, principalmente daqueles ameaçados de extinção, seja evitado.

De acordo com a médica veterinária especializada em animais silvestres e exóticos Ariane Parra, para adquirir animais não-convencionais “é sempre bom procurar um especialista na área e, no momento da compra, checar a identificação exigida pelo IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), além de pedir a nota fiscal”. O professor doutor Nelson Rodrigo, do Departamento de Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), utiliza o exemplo das aves do criatório Vale Verde-MG, que possuem certidão de nascimento e anilha com número determinado pelo IBAMA.

Anilha, um dos métodos do IBAMA para identificação dos animais comercializados legalmente. (Foto: Portal Link Atual)

Anilha, um dos métodos do IBAMA para identificação dos animais comercializados legalmente. (Foto: Portal Link Atual)

Cuidados

Passados os trâmites do processo de aquisição, a preocupação é a maneira como o animal será cuidado. Adquirir um animal de estimação, seja ele exótico ou não, requer uma grande responsabilidade. “É necessário conhecer as necessidades de cada espécie animal e manter o bichinho em condições adequadas”, ressalta a doutora Ariane. Ela também afirma que boa parte dos proprietários desconhece a biologia básica e o comportamento de seus animais. Em relação à alimentação, veterinários dizem que ela deve ser o mais próximo possível à que o animal está acostumado na natureza.

A burocracia envolvendo a aquisição de animais é importante para que qualquer forma de maus tratos seja inviabilizada. Muitas pessoas, visando o lucro e não tendo conhecimento de como prover o cuidado adequado, mantêm os animais em cativeiro, onde as condições de sobrevivência geralmente são péssimas. A empresária Luciana Lombardi, por exemplo, adotou um tucano que havia sido maltratado pela antiga dona. “Ela o deixava preso em uma gaiola pequena e toda quebrada”, desabafou. O pássaro foi levado a um veterinário, que alertou sobre o bico trincado e explicou que ele não conseguiria se alimentar devidamente e poderia morrer em pouco tempo. A família Lombardi não desistiu. Buscaram informações com especialistas, aprenderam a cuidar do animal, e hoje ele se encontra em ótimo estado.

O tucano resgatado pela família Lombardi. (Foto: Luciana Lombardi)

O tucano resgatado pela família Lombardi. (Foto: Luciana Lombardi)

A dica para quem quer adquirir um animal como esses (e de forma legal) é pesquisar, procurar um profissional apto e não deixar de sempre perguntar o que está certo ou errado. Afinal, são seres vivos que exigem cuidado e, além disso, comércio ilegal é crime.

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