Grupo islâmico assume o controle da segunda maior cidade do Iraque

Os ataques deixaram aproximadamente 500 mil refugiados

Maria Victoria

No dia 11 de junho, o grupo extremista Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL) assumiu o controle de mais duas províncias no Iraque. No dia nove desse mês, eles tomaram a cidade de Mossul, localizada no norte do país e importante rota para exportação de petróleo. O governo iraquiano não conseguiu impedir o avanço da milícia para Baiji e Tikrit, e ela vem se aproximando cada vez mais da capital Bagdá.

O EIIL tem como principal objetivo instaurar um governo islâmico sunita no Iraque e na região do Levante, que abrange partes da Síria e da Jordânia. Esse grupo surgiu como uma ramificação da al-Qaeda e tem um posicionamento contrário aos interesses do governo xiita. A rivalidade entre os sunitas e xiitas é antiga, com características religiosas e políticas, sendo permeada principalmente pela discordância de quem seria o legítimo sucessor do profeta Maomé.

 A maior parte da população iraquiana é muçulmana, sendo 62% de xiitas e 35% de sunitas.  Crédito: REUTERS/STRINGER

A maior parte da população iraquiana é muçulmana, sendo 62% de xiitas e 35% de sunitas. (Créditos: Reuters)

Um possível avanço para Bagdá demonstra a fragilidade e a fraqueza do governo iraquiano em lidar com a situação, além de um possível aumento da violência devido aos grupos de resistência no local. Entretanto, de acordo com Maurício Sá, doutor em Ciência Política pela Universidade Federal Fluminense, essas não são as únicas preocupações das autoridades. “Caso o EIIL consiga se estabelecer em Bagdá, ele aumentará a sua fonte de captação de recursos, que, em parte, ocorre por pagamento de taxas cobradas nas áreas sob seu controle”, explica.

As ações do governo de Jalal Talabani têm se mostrado ineficientes. Segundo Maurício Sá, o exército iraquiano é frágil em seu treinamento e pouco fiel, tendo que contar com civis como voluntários caso ocorra uma contraofensiva. Para o professor, a questão no Iraque não é apenas militar, mas também política. “Uma eventual reação mais dura por parte do exército iraquiano sobre as regiões ocupadas pode vir a piorar as coisas para o governo, comprometendo ainda mais sua legitimidade perante a população” explica.

Apesar das ações do governo de Jalal Talabani, o EIIL continua seus avanços sobre o Iraque.  Crédito: Reuters

Apesar das ações do governo de Jalal Talabani, o EIIL continua seus avanços sobre o Iraque. (Créditos: Reuters)

Apesar das recentes ações do EIIL estarem relacionadas ao território iraquiano, o grupo também atua em outros países. De acordo com o professor Sá, a milícia possui integrante de países europeus, como Alemanha e França, o que pode representar uma forte ameaça caso eles tenham o interesse em expor sua ideologia nesses países. Além disso, a milícia considera os Estados Unidos como inimigos e acredita que eles devem sair da região, já que causaram uma grande instabilidade no Iraque desde o início dos anos 2000 com a ocupação das tropas.

Ajuda estadunidense

Apesar dos movimentos contrários à presença dos Estados Unidos no Iraque, o país deve fornecer ajuda para garantir estabilidade na região e não prejudicar os investimentos das empresas estadunidenses na indústria do petróleo. A ajuda também deve ser feita de modo que não atrapalhe a retirada das tropas norte-americanas. “A ajuda militar, muito provavelmente, deve restringir-se ao fornecimento de apoio aéreo, fornecimento de material, dados de inteligência e o uso de drones. Não descartaria, também, o envio de grupos de operações especiais e consultores militares”, explica o professor Sá.

No dia 15 de junho, o EIIL divulgou um vídeo mostrando uma ação que matou 1.700 militares iraquianos. A autenticidade das imagens ainda não foi confirmada, mas caso seja, esse pode ser considerado um dos piores ataques em massa no Iraque. No dia 30 do mesmo mês, o grupo postou um áudio na internet afirmando que haviam estabelecido um califado, ou seja, um Estado Islâmico, nas regiões que atualmente tem controle. Abu Bakr al-Baghdadi foi proclamado como califa e líder dos muçulmanos.

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