Sem acordo, universidades estaduais de São Paulo continuam em greve

Governo se mostra irredutível em negociações salariais. Professores, funcionários e estudantes estão paralisados há mais de 20 dias

Augusto Biason

A intransigência durante as negociações salariais do Conselho de reitores das Universidades Estaduais de São Paulo (CRUESP) levou professores, funcionários e alunos das três universidades do estado – Unesp, USP e Unicamp – à maior greve dos últimos anos no setor. Desde o dia 27 de maio, data em que a USP paralisou suas atividades, milhares de trabalhadores estão de braços cruzados esperando negociações favoráveis à reposição.

Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da USP, Magno de Carvalho, a categoria reivindica 10% de reajuste, relacionado à inflação calculada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) no último ano, além da suspensão do corte de 30% na verba voltada ao ensino e pesquisa. “As universidades já viviam no limite. Esse corte vai levar ao caos”, declarou o diretor à Agência Brasil.

Até o atual momento, a CRUESP argumenta que não será possível qualquer acordo, visto os altos níveis de comprometimento de orçamento com folha de pagamento – 94,47% na Unesp, 96,52% na Unicamp e 104,22% na USP. Segundo especialistas, tal taxa não deve ultrapassar os 85%.

Alunos da Unesp-Bauru decidem, em assembleia, a paralisação estudantil (Créditos: Felipe Amaral)

Alunos da Unesp-Bauru decidem, em assembleia, pela paralisação estudantil. (Créditos: Felipe Amaral)

Greve estudantil

Além de docentes e funcionários, os estudantes das três universidades também entraram em greve em grande parte dos campi. Em Bauru, os alunos da Unesp decidiram a paralisação em assembleia geral realisada no dia 29 de maio, com a participação de cerca de 350 alunos. A principal luta do movimento estudantil é pela permanência do estudante na universidade. “Nem todos os estudantes têm condições de completar o curso por causa das dificuldades. Não temos R.U. (restaurante universitário) e as vagas na moradia são pouquíssimas. Com o corte das bolsas a situação ficou ainda mais complicada”, afirmou um aluno de psicologia, que preferiu não se identificar.

Lucas Marcelino, estudante de Letras da USP e diretor da União Nacional dos Estudantes, reclama do investimento insuficiente na educação pública. “A educação hoje está precarizada. O governo não quer mais gastar com educação. Só nos últimos anos deixou de repassar mais de dois bilhões de reais que iriam para as universidades”. Ele refere-se à recente descoberta de sonegação, já que, por lei, o governo de São Paulo deve repassar 9,57% do montante de ICMS arrecadado para as três universidades.

Sem acordo

No dia três de junho foi realizado um ato unificado entre as três universidades. Professores, servidores e alunos compuseram a manifestação que se concentrou em frente ao prédio da reitoria da Unesp, no centro de São Paulo. O ato teve como finalidade pressionar a presidente do Cruesp, Marilza Vieira Cunha Rudge, reitora em exercício da Unesp, a receber um ofício do Fórum das Seis (órgão representativo de docentes, funcionários e estudantes) exigindo a abertura de negociações. Uma nova reunião, marcada para o dia 13 de junho, foi cancelada em cima da hora, em medida unilateral do CRUESP, mostrando a intransigência do governo. Segundo palavras do próprio Conselho, houve a necessidade de “prorrogar a discussão da data-base para setembro / outubro deste ano” por motivos desconhecidos.

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