Obama anuncia retirada de tropas do Afeganistão

Ação depende de um acordo bilateral entre os Estados Unidos e o governo afegão

Thainá Zanfolin

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou no último dia 27 de maio a retirada de todas as tropas estadunidenses do Afeganistão até 2016. O pronunciamento foi feito para os militares durante a visita de Obama ao país. Entretanto, para que isso ocorra, é necessário um acordo bilateral entre o EUA e o próximo governante do Afeganistão.

No dia 14 de junho, ocorre o segundo turno das eleições presidenciais afegãs, e os dois candidatos que estão concorrendo afirmaram que concordam com a proposta e que vão assinar o documento. Durante o seu discurso, Obama frisou a importância da realização desse acordo para que as tropas consigam terminar a sua missão sem desrespeitar a soberania do país.

Segundo o doutor Finguerut, ao sinalizar um gesto duro como a retirada das tropas do Afeganistão, talvez Obama esteja tentando recuperar sua credibilidade e terminar seu segundo mandato com coerência em sua política externa.  Crédito: WorldTribune.

Segundo o doutor Finguerut, ao sinalizar um gesto duro como a retirada das tropas do Afeganistão, talvez Obama esteja tentando recuperar sua credibilidade e terminar seu segundo mandato com coerência em sua política externa. (Créditos: WorldTribune)

As tropas estadunidenses estão em território afegão desde 2001, quando a Guerra do Afeganistão teve início e, atualmente, há quase 33.000 soldados no país. A promessa é que em 2015 esse número caia para 9.800 militares e que estes sejam retirados de maneira progressiva. O objetivo é que em 2016 haja apenas o número necessário para a segurança da embaixada dos Estados Unidos em Cabul.

No início, a justificativa para a intervenção militar norte-americana era de ajudar o governo afegão a controlar o Talibã, grupo rebelde considerado terrorista. Recentemente, os talibãs afirmam que prosseguir com a ocupação, mesmo que apenas até 2016, viola a soberania, a religião e os direitos humanos do país. De acordo com Obama, o fim da presença estadunidense será um “fim responsável” para a guerra mais longa que os EUA já enfrentaram.

Para Ariel Finguerut, doutor em Ciência Política pela Universidade Estadual de Campinas, essa decisão não é uma novidade. Segundo o professor, ela tem relação com as críticas à atual política externa dos Estados Unidos e com a imagem do presidente. “Obama tenta forjar uma política externa que seja nos fins a ‘correta para o século XXI’, mas, nos meios, se perde em ideias isolacionistas. O complicador é que ele não tem uma política externa clara, suas declarações muitas vezes não coincidem com o dia-a-dia da política internacional e como líder isso compromete sua credibilidade”.

Além de garantir a segurança da embaixada dos Estados Unidos em Cabul, os militares que permanecerem no Afeganistão após 2016, também vão apoiar o governo do país em ações antiterroristas. Crédito: Editora de Arte/Folhapress

Além de garantir a segurança da embaixada dos Estados Unidos em Cabul, os militares que permanecerem no Afeganistão após 2016, também vão apoiar o governo do país em ações antiterroristas. (Créditos: Editora de Arte/Folhapress)

As oscilações influenciam negativamente na imagem e credibilidade do presidente, que está há seis anos no governo estadunidense. “O foco de Obama tem sido muito mais a política doméstica do que a política externa e, neste sentido, os desdobramentos do envolvimento dos EUA no Afeganistão tendem a influenciar pouco. A oposição irá argumentar que a administração Obama é ‘fraca’ e está comprometendo o poder americano. Entre os militares também haverá um descontentamento, mas, digamos que, para 50% da população, Obama está mudando o rumo do país depois de seu governo”, afirma o professor.

Segundo Finguerut, quando se analisa o momento exatamente anterior à guerra, a situação atual do Afeganistão pode ser considerada melhor. “Antes, o regime do Talibã controlava todo o território, hoje, controla regiões da fronteira com o Paquistão e as regiões de difícil acesso. Atualmente, há problemas, o Talibã ainda existe e se articula, mas o governo de Hamid Karzai tenta se mostrar estável e confiável, mesmo com dificuldades”. O professor completa que a presença estadunidense auxiliou as conquistas de liberdade econômica e civil, além dos ganhos em segurança e bem-estar para a população.

Durante o seu discurso para as tropas, Obama afirmou que as forças de segurança afegãs mostraram que são capazes de defender o governo e o território. Ele reconheceu ainda que, após esse longo período, a segurança do Afeganistão não é mais responsabilidade dos Estados Unidos.

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