Audiência Pública discute atropelamento de animais

O evento ocorreu no dia 24 de maio e foi convocado em razão dos recentes casos de atropelamento de onças na região

Caroline Mazzer

Os atropelamentos de três onças pardas, animais que estão em extinção, juntamente com o fato de Bauru ter sido sede do 38º Congresso da Sociedade de Zoológicos e Aquários do Brasil, deixaram a cidade em evidência em relação à necessidade de proteção aos animais.  O prefeito da cidade, Rodrigo Agostinho, convocou uma audiência pública para falar sobre o assunto e apontar soluções. O evento aconteceu às 9h do dia 24 de maio, no OBEID Hotel.

O diretor do zoológico municipal, Luiz Pires, fez parte do evento. (Créditos: Caroline Mazzer)

O diretor do zoológico municipal, Luiz Pires, fez parte do evento (Créditos: Caroline Mazzer)

Um dos principais temas discutidos foi a necessidade da instalação de “rotas de fuga” para os animais. As opções seriam passagens de fauna e cercas, além de outros sistemas que permitam aos animais atravessar com segurança as pistas das rodovias, preservando suas vidas e evitando possíveis acidentes.

A bióloga bauruense Fernanda Abra monitorou as passagens inferiores de fauna em um trajeto de 50 km na rodovia de Dois Córregos-Brotas-Itirapina. A pesquisa evidenciou que houveram 96 amostragens tiradas em 10 pontos da rodovia no período de um ano. No total, foram identificadas 800 travessias de animais, das quais mais de 700 foram mamíferos e destes, 435 eram capivaras. Segundo a pesquisadora, “o dado de que 435 capivaras fizeram o uso das passagens é fundamental para a segurança do usuário, pois as capivaras são animais de grande porte, abundantes e que vivem próximo às rodovias, podendo causar sérios acidentes”.

Ainda segundo Fernanda Abra, as passagens de fauna são muito eficazes e é necessário que os órgãos públicos combinem esses tipos de medidas preventivas a fim de reduzir acidentes, tanto em relação aos usuários das rodovias quanto à proteção dos animais. “A associação de medidas é o que pode resultar num melhor desempenho, pois a pesquisa identifica uma redução de acidentes com animais nos pontos que receberam passagens de fauna” afirma a bióloga.

O prefeito Rodrigo Agostinho foi o  responsável pela convocação da audiência. (Créditos: Caroline Mazzer)

O prefeito Rodrigo Agostinho foi o responsável pela convocação da audiência (Créditos: Caroline Mazzer)

Já o professor Dr. Alex Bager ressalva que, anualmente, são atropelados mais de 400 milhões de animais selvagens no Brasil e que, antes de implantar qualquer método de travessia de animais, é necessário ter como amostragem vários anos de pesquisa. Ele diz que o que ocorre no período de um ano pode não se repetir no ano seguinte, causando a diminuição da eficácia do método.

Um ponto comum ressaltado pelos palestrantes foi o de que o número de animais mortos ou feridos é ainda maior do que se imagina. Afinal, os que não morrem imediatamente após o acidente não entram nas estatísticas, além daqueles que deixam de se reproduzir por estarem feridos ou pelo isolamento geográfico causado pelas rodovias, que cada vez mais “roubam” o habitat de diversas espécies. Os palestrantes também evidenciaram a importância de se ter um governo engajado em causas de proteção de animais e a prevenção de acidentes no trânsito causado pela fauna.

O professor Alex Bager deu sua palestra com ênfase no modo com que se deve implantar os métodos de travessia. (Créditos: Caroline Mazzer)

O professor Alex Bager deu sua palestra com ênfase no modo com que se deve implantar os métodos de travessia (Créditos: Caroline Mazzer)

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