Série especial – Vida no espaço sideral: Os Tardígrados

Primeiros animais a sobreviverem no espaço, eles  ajudam a compreender a existência de seres que estão à frente na evolução

Bruna Hirano

Em abril, a NASA descobriu um novo planeta habitável, fora do Sistema Solar. Nomeado de Kepler-22 b, o planeta gira ao redor de uma estrela semelhante ao Sol, possui um ano com duração de 290 dias e se encontra com uma zona habitável, ou seja, possui uma região com condições de existência semelhantes a da Terra.

Encontrar um planeta habitável é uma das tarefas mais difíceis da pesquisa espacial. Mas antes da descoberta do Kepler-22 b, o estudo das condições de existência no espaço já recebe a ajuda de seres vivos da Terra lançados para fora do planeta, e que têm suas condições de existência analisadas. Um exemplo são os Tardígrados.

Animais imortais

Conhecidos popularmente como Ursos D’Água, os tardígrados vivem em ambientes aquáticos e semiaquáticos, pois dependem de água para sobreviver e completar todos os estágios do seu ciclo de vida. São muito pequenos, com a variação de tamanho entre 50 µm (micrometros) até no máximo 1,2 mm. Acredita-se que eles possuem afinidades com o filo Artrópode (insetos, crustáceos e aracnídeos), apesar de suas relações evolutivas ainda não serem completamente compreendidas.

Uma das características mais impressionantes dos tardígrados é a sua capacidade de resistência. São capazes de sobreviver em ambientes em que a quantidade de água nem sempre é permanente. “Para sobreviver, foi necessário que ao longo do processo evolutivo o organismo desenvolvesse mecanismos fisiológicos para suportar as condições vigentes” afirma Edivaldo Lima Gomes Jr., mestrando do programa de pós-graduação em Biologia Animal pela Universidade Federal de Pernambuco e integrante de um grupo de pesquisa sobre os tardígrados.

Não é possível ver um tardígrada a olho nu (Foto: Mike Shaw)

Não é possível observar um tardígrado a olho nu (Créditos: Mike Shaw)

Resistência

Quando o tardígrado encontra algum problema no ambiente que possa afetá-lo, ele entra em um estado extremo, de criptobiose. “São diversos mecanismos, onde o animal desidratado toma a forma de um barril e todos os sinais externos de atividade metabólica tornam-se imperceptíveis.”, afirma Lima Gomes Jr. Com isso, várias adversidades são superadas, como a falta de oxigênio, a grande variação de temperatura (acima de 140°C e abaixo de 270°C) e até a falta de água. E por causa disso, ele pode por cerca de 120 anos, dando origem ao seu apelido de “ser imortal”.

Viagem ao espaço

Em 2007 foi realizado um experimento em que os tardígrados foram enviados ao espaço. Surpreendentemente, eles conseguiram suportar o vácuo, a radiação ultravioleta e raios cósmicos do espaço, sobreviveram e ainda se reproduziram.

O Tardígrado também é connhecido como Uso D´Água (Foto: Mike Shaw)

O Tardígrado também é conhecido como Uso D´Água (Créditos: Mike Shaw)

Sendo capazes de sobreviver às condições espaciais, os tardígrados são fortes aliados para pesquisadores estudarem as condições de sobrevivência no espaço. “Esses animais proporcionam uma oportunidade para estudos de resposta de organismos multicelulares no espaço. Uma das intenções destas pesquisas é testar a transpermia, hipótese que acredita que organismos podem viajar de um planeta para outro em rochas, sendo esta uma possível origem para a vida na terra” explica Edivaldo.

Importância e estudos do DNA

A estrutura metabólica do tardígrado também é importante para estudos do DNA: “Pesquisas investigam a capacidade demonstrada pelos tardígrados de reconstituição do DNA durante a volta as atividades metabólicas normais após os períodos de criptobiose, o que poderia ser de extremo interesse para aplicação em biotecnologia e na medicina”, esclarece o pesquisador.

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5 Respostas para “Série especial – Vida no espaço sideral: Os Tardígrados

  1. Pingback: My photos used in Brasil article | Tardigrade USA·

  2. See me tonight on FANTASTICO TV Globo Brasil Sunday 04JAN15 all about tardigrades. 20:45 Brasilia time. Let me know your comments.
    Thanks!
    Mike Shaw

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