Primeiro-ministro da Coreia do Sul renuncia após acidente com a balsa Sewol

Tripulação é acusada de negligenciar ajuda aos passageiros

Matteus Corti

No dia 27 de abril, o primeiro-ministro sul-coreano Chung Hong-won renunciou ao cargo como resposta às diversas críticas que o governo vem recebendo devido ao naufrágio da balsa Sewol. Hong-won afirmou que sua manutenção no cargo seria um fardo muito grande para o governo. O premier foi vaiado durante uma visita às famílias das vítimas, quando atiraram uma garrafa d’água contra ele.

No dia 16 de abril, a balsa Sewol afundou em uma viagem de rotina, partindo do porto Incheon com destino à ilha de Jeju. 476 pessoas estavam a bordo, dentre elas 352 estudantes da escola Danwon, localizada nos arredores da capital Seul. De acordo com dados oficiais do governo sul-coreano, 242 pessoas foram encontradas mortas e 60 continuam desaparecidas. Segundo o relato de alguns sobreviventes, os passageiros teriam sido orientados a permanecer dentro de suas cabines durante o acidente.

A renúncia do primeiro-ministro Chung Hong-won foi aceita pela presidente, mas não foi divulgada a data que ele deixará o cargo. Crédito: Associated Press

A renúncia do primeiro-ministro Chung Hong-won foi aceita pela presidente, mas não foi divulgada a data que ele deixará o cargo.
Crédito: Associated Press

Segundo o professor Alexandre Uehara, doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo, na Ásia é comum que os políticos assumam a responsabilidade sobre desastres e políticas que não dão o resultado esperado. Ele complementa que o impacto do naufrágio foi negativo para a imagem do governo não só pelo incidente em si, mas, sobretudo pela falta de explicações.

Os quinze membros da tripulação, incluindo o capitão do barco Lee Joon-seok, seguem em prisão preventiva. A tripulação está sendo acusada de negligenciar e não ajudar os passageiros durante o naufrágio. Autoridades da Guarda Costeira sul-coreana afirmam que Joon-seok teria alterado a rota original da balsa e mudado a direção de forma brusca e não gradual. Essa mudança teria provocado um deslocamento de parte da carga, desequilibrando o navio e provocando o naufrágio.

A presidente sul-coreana, Park Geun-hye, reconheceu a incapacidade do governo em prevenir o desastre e afirmou estar abalada pela perda de tantas vidas. Durante um discurso transmitido pela televisão, ela pediu desculpas às famílias das vítimas e prometeu criar uma agência responsável em prevenir e gerenciar desastres parecidos.

Mais de 400 pessoas estava a bordo da balsa sul-coreana, que naufragou no início de abril. Crédito: Sohn Yong-seok/Korea Times

Mais de 400 pessoas estava a bordo da balsa sul-coreana, que naufragou no início de abril.
Crédito: Sohn Yong-seok/Korea Times

Alexandre Uehara afirma que fatores como a falta de informações e a insatisfação da população sobre as medidas tomadas pelas autoridades, resultaram num desgaste da imagem do governo. De acordo com o professor, a renúncia de Hong-won pode ter como finalidade conter a queda de apoio da população à presidente Park Geun-hye.

O governo sul-coreano tem sido duramente criticado devido às informações errôneas e ao ritmo lento das buscas. Uehara afirma que o principal problema enfrentado pelo governo de Geun-hye é a constatação de sobrecarga na embarcação. “O governo não pode ser responsabilizado pelos erros nas manobras do capitão, mas a fiscalização é incumbência do poder público e, nesse caso, o governo deve adotar medidas para melhorá-la”, completa.

As chances de encontrar novos corpos são pequenas. As últimas vítimas foram encontradas por mergulhadores profissionais a quilômetros de distância do local do acidente devido às fortes rajadas de vento que aumentaram as correntes e a maré nos últimos dias.

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