Argentina condena militares do período ditatorial

30 mil civis desapareceram durante o regime militar

Isabella Cintrão

No dia 23 de abril, a Câmara Federal de Cassação Geral da Argentina julgou e condenou à prisão perpétua dez oficiais da Marinha e oito Militares por crimes cometidos durante a Ditadura Militar. Alfredo Astiz e Jorge “Tigre” Acosta foram condenados pelos crimes de lesa-humanidade cometidos na Escola de Mecânica da Armada (Esma). Ricardo Cavallo, Antonio Pernías, Raúl Scheller, pelos crimes de sequestro e desaparecimento das fundadoras das Mães da Praça de Maio.

O regime militar argentino teve início em 24 de março de 1976 e durou sete anos, encerrando-se em 1983. Anos mais tarde, essa ditadura ficou conhecida como o mais sanguinária de toda a América Latina, devido aos inúmeros crimes de tortura, sequestros e assassinatos que ocorreram no período. Segundo estimativas de Organizações Não-Governamentais argentinas e internacionais, 30 mil civis desapareceram, entre eles crianças e idosos.

A ditadura militar argentina é considerada a mais sangrenta de toda a América Latina. Crédito: Telám

A ditadura militar argentina é considerada a mais sangrenta de toda a América Latina.
Créditos: Télam

O principal centro de tortura do período foi a Escola de Mecânica da Armada, onde também ocorreu o desaparecimento e a morte de milhares de pessoas. O local era caracterizado pela falta de higiene e possuía diversas salas com as paredes úmidas cobertas por fios de eletricidade. Os reféns lá aprisionados eram acorrentados e presos à bolas de 25 quilos, que arrastavam até às salas de tortura. Durante o processo, sofriam diversos maus tratos, como choques elétricos e ter a cabeça enfiada em uma vasilha d’água com excrementos humanos.

Segundo a professora Miriam Gomes Saraiva, doutora em Ciência Política pela Universidade de Complutense de Madrid, os julgamentos foram iniciados logo após o fim da ditadura. No entanto, pelo fato de ela não ter terminado com uma transição para a democracia e sim como uma “derrota dos militares” e com um corte de orçamento para as Forças Armadas, o sentimento de revolta aflorou.

Durante o governo do primeiro presidente civil Raul Alfonsín após a ditadura, os militares se rebelaram, gerando uma grande instabilidade no país e forçando o líder a interromper os julgamentos de todos os envolvidos nos crimes e a julgar somente alguns. Além disso, nesse período de redemocratização, havia leis de anistia aos militares, que somente foram anuladas pelos presidentes Néstor Kirchner e Cristina Kirchner nos anos 2000. Com o fim dessas leis, os crimes puderam ser julgados e os militares condenados.

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